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Colunistas

TERAPIA ATRAVÉS DA MÚSICA EM PESSOAS COM DOENÇA MENTALNotas sobre uma experiência pessoal
Por Rui Grilo
Barreiro

No âmbito de uma experiência num fórum socio ocupacional dirigido a pessoas com doença mental grave, foi-me proposto uma atividade ligada à componente musical, mas que paralelamente tivesse em conta igualmente a reabilitação psicossocial.

A atividade era em grande medida desenvolvida em grupo, existindo também algum trabalho individual com os participantes que frequentavam o fórum socio ocupacional nesta atividade em concreto.

4 min de leitura
TERAPIA ATRAVÉS DA MÚSICA EM PESSOAS COM DOENÇA MENTAL Notas sobre uma experiência pessoal Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

Mais adiante, descrevo de forma genérica o funcionamento da atividade atrás descrita como terapia através da musica, bem como os beneficios do ponto de vista terapêutico.

De ressalvar que existem inúmeras diferenças entre a terapia através da musica e o conceito de musicoterapia, onde aqui, se destaca a existência de um terapeuta, com sessões previamente marcadas e com a definição de objetivos terapêuticos muito objetivos com as devidas avaliações.

Por outro lado, a terapia através da música tem-se revelado uma abordagem extremamente eficaz ao nivel do tratamento de pessoas com doenças mentais. A música é capaz de envolver as emoções e os sentimentos da pessoa, proporcionando um espaço seguro para que ele possa se expressar, atravesda ligação consigo próprio e com o técnico psicossocial/ músico

Neste sentido, a música pode ser uma forma de diminuir sintomas como a ansiedade e a depressão, além de estimular a criatividade, a autoestima e a autoexpressão. A terapia através da música pode ser realizada individualmente ou em grupo, e pode incluir diversas atividades, como cantar, tocar instrumentos, compor músicas e improvisar.

A música também é capaz de ativar áreas cerebrais relacionadas à emoção, à memória e à cognição, o que favorece o processo criativo e terapêutico.

A possibilidade de se construírem instrumentos musicais, que mais tarde servirão para a composição das musicas por eles criadas, torna-se um elemento extremamente motivador e de criatividade interna.

Por outro lado, o técnico deverá liderar o processo de construção musical, criando desde logo aliados na organizacao do grupo no início da atividade, e até mesmo no apoio constante na perspetiva ritmica e vocal de todo o grupo.

Além dos benefícios já mencionados, a terapia através da música também pode contribuir para a melhoria da comunicação, da socialização e do desenvolvimento pessoal e interpessoal dos indivíduos. A música é capaz de criar um ambiente acolhedor e relaxante, que favorece a abertura e a comunicação entre o técnico psicossocial e o participante.

A música pode ainda ajudar as pessoas a expressar emoções que muitas vezes são difíceis de verbalizar, como raiva, tristeza e medo. Isso torna-se notório aquando da criação de uma letra musical e do arranjo da musica, onde refletem as suas emoções e sentimentos, sentindo-se mais compreendidos e confortáveis para a partilha com técnico.

A terapia através da música pode ser adaptada às necessidades e preferências de cada pessoa com doença mental, o que a torna mais personalizada e efetiva. Neste sentido, existem inúmeras situações em que o trabalho psicoterapêutico beneficia desta catarse emocional associada à música, revelando-se como bom prognóstico.

A terapia através da música pode igualmente ser aplicada para avaliar o estado emocional e cognitivo do paciente, por forma a contribuir para a sua reintegração social, evitando o isolamento social. Por outro lado, rebela-se preponderante na identificação das necessidades e preferências, por forma a permitir uma trabalho pessoal no âmbito do desenvolvimento das competências emocionais e intelectuais prevenindo e reduzindo momentos de crise.

Por fim, a terapia através da música é uma opção terapêutica segura, acessível e de baixo custo, que pode trazer benefícios significativos para a saúde mental e emocional dos indivíduos. Por isso, é importante que os profissionais de saúde apostem nesta abordagem e que a incluam nos serviços de saúde mental.

Um bem-haja
Rui Grilo
- Psicologia & Notas Reflexivas

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