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Hooligans & FoolishgangsPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Segundo uma definição de origem inglesa, o Hooliganismo foi o termo largamente utilizado para descrever o comportamento desordeiro, agressivo e muitas vezes violento perpetuado pelos espectadores de eventos desportivos.

3 min de leitura
Hooligans & Foolishgangs Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Como é da praxe, foram feitas muitas análises destes comportamentos, classificados como integrado na psicologia das multidões. Foram aventadas muitas explicações, com alguns temas comuns: tratava-se de jovens desempregados, oriundos de bairros degradados, sem perspectivas de futuro, e assim por diante, que descarregavam dessa forma as suas frustrações.
Era a explicação ideal, politicamente correta, apaziguadora e reconfortante. Só que a Polícia inglesa resolveu estudar a fundo o problema, e descobriu que uma das maiores batalhas campais tinha sido minuciosamente planeada por um conjunto de líderes reunidos em Ibiza, no gozo de boas e caras férias.

Lá se foi a explicação politicamente correta, apaziguadora e reconfortante. E os hooligans passaram a ser tratados pelo essencial e irrefutável da questão: como arruaceiros.
Com algumas sequelas e seguidores, nomeadamente aqui em Portugal, até que o assalto à Academia de Alcochete fez despertar as consciências.

As arruaças são um fenómeno recorrente noutras paragens. Na nossa velha Europa, a França deve ter a palma desse costume. Não há manifestação em Paris que não descambe em vandalismo e pilhagem, sempre com a capa da contestação política; até que os franceses se lembraram de investigar também. E encontraram também gangues de marginais, que acompanhavam qualquer manifestação, com o mesmo espírito de oportunidade e de despreendimento dos carteiristas que não falham nenhuma peregrinação em Fátima, sem qualquer temor da ira divina.

O surto de violência ocorrido na Inglaterra surpreendeu pelo inesperado. A violência política é rara em terras de Sua Majestade, ou não fosse uma das mais antigas democracias da Europa.

A última aparição pública e notória da extrema direita inglesa foi com Sir Oswald Ernald Mosley, Baronete (1896 - 1980), um dos principais líderes da extrema-direita da Inglaterra, fundador da União Britânica dos Fascistas, e activista contra a participação britânica no início da Segunda Guerra Mundial, tendo sido preso entre 1940 e 1943, passando a prisão domiciliária até ao fim da guerra.
Mas a actual conjuntura mudou as coisas. Não só existe uma corrente extremista a nível global, como se complicam as questões de segurança interna e externa, e os conservadores sofreram uma derrota retumbante e humilhante. Pelo que faltava apenas o fósforo para incendiar a Inglaterra ultraconservadora.

O pretexto foi encontrado na horrível chacina de crianças feita por um doente mental, que por azar era de origem ruandesa, embora súbdito britânico, nascido em Cardiff.
Obviamente, esta ocasião não podia ser aproveitada. O resto superabunda na comunicação social.
Com alguns detalhes curiosos.
Os “manifestantes” ostentavam, a princípio, a bandeira de Inglaterra (branca com uma cruz vermelha); eram poucas as bandeiras do Reino Unido (a conhecida Union Jack). Parece que não queriam por ali escoceses, galeses ou irlandeses...

As redes sociais apresentaram o assassino como imigrante, e não como súbdito britânico – não fosse alguém lembrar-se de que teria aprendido aquele comportamento na Grã-Bretanha.
Grande parte dos polícias ingleses não usava aquelas autênticas armaduras e capacetes em voga noutras paragens. Enfrentaram os manifestantes cara a cara, em camisa e boné de pala, homens e mulheres, jogando no tradicional prestígio da polícia civil. True sport...

E um neologismo para estes novos arruaceiros: foolishgangs, os bandos de loucos.
Esperemos o desenvolvimento da situação, que decerto trará muito que aprender pata o futuro.

Nuno Santa Clara

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