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Munique IIPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Em 29 de Setembro de 1938 teve lugar, em Munique, uma conferência sobre o futuro da Checoslováquia, alvo das pretensões de Hitler sobre a inclusão no III Reich dos territórios atribuídos aos checos após a I Guerra Mundial, e habitados por cerca de três milhões de habitantes de etnia alemã – os Sudetas. Recorde-se que Alemanha e Áustria estavam reunidas desde Março de 1938 pelo Anschluss, a união dos povos de língua e cultura germânicas.

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Munique II Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Estiveram presentes os representantes das principais potências europeias, Inglaterra, França, Alemanha e Itália, mas a Checoslováquia nem sequer foi convidada. Entre os checos, o Acordo ficou conhecido pela “Sentença de Munique”, ou “Traição de Munique”, porque as alianças entre a Checoslováquia com a Inglaterra e a França foram ignoradas.
O Acordo de Munique foi um êxito para Hitler, mas o Primeiro-Ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, foi recebido em apoteose quando voltou para Londres. Ostentando um papel, disse que tinha ali “a paz para todas as nossas vidas”.
Durou um ano.
A Alemanha iniciou em Outubro a ocupação dos Sudetas, mas em Março do ano seguinte ocupou o resto da República Checa.
Em Setembro desse ano, começava a II Guerra Mundial.
Em Fevereiro de 2025 decorreu a Conferência de Segurança de Munique, para discutir, entre outos assuntos a Guerra (ou Operação Militar Especial, segundo a Rússia) na Ucrânia. Louvável intenção, se não fosse a Ucrânia ter sido deixada de parte durante as conversações entre Trump e Putin, alarmando Zelensky, a União Europeia, a NATO e até a Inglaterra.
Será uma “maldição de Munique”?
O tom ligeiro em que têm decorrido estes contactos, as declarações contraditórias e os “indícios técnicos” sobre decisões futuras não são de molde a tranquilizar alguém.
A título de exemplo, à Ucrânia foi prometido apoio militar, mas pago em terras raras, matéria-prima de que os EUA muito necessitam, sobretudo no rescaldo da guerra económica com a China. O resto, fica pelas pomposas declarações.
Cabe aqui recordar uma análise feita por Churchill sobre o Acordo de Munique acima referido. Dizia ele que Hitler tinha sido como um ladrão, armado de pistola, que assalta um transeunte, exigindo uma libra; obtida a libra, pede outra libra; finalmente, acorda com o roubado aceitar dezanove xelins, e o xelim restante em certificados de bom comportamento – do ladrão, claro.
Quanto à NATO, o pobre Secretário-Geral deve estar a rever a job description para ver se foi enganado...
Os europeus, mais atentos às discórdias internas e à contemplação do próprio umbigo (além da garantia dos postos de trabalho) parecem ter tomado conhecimento do que já circulava em tudo o que é media e redes sociais. Ou seja, que Donald Trump e a sua entourage têm por eles um sentimento que varia entre o desprezo e a (pouca) comiseração.
E assim se vêm os europeus com um estatuto semelhante ao dos sul-vietnamitas, curdos, afegãos, latinos e africanos variados: na melhor das hipóteses, moeda de troca.
Classificação que abrange também os aliados europeus do actual governo americano, os populistas, que se julgam com direito a ser excepção.
Como pensavam que eram os Kapos que auxiliavam os nazis nas tarefas mais sujas.
Nuno Santa Clara

P. S. : O Vice-Presidente dos EUA, James D. Vance, criticou a UE porque, segundo ele, “em toda a Europa, temo que a liberdade de expressão esteja em retrocesso". E também criticou o governo do ex-presidente Joe Biden pela censura às empresas de comunicação social; pelo teor do resto do discurso, referia-se talvez à televisão russa.
Cereja no bolo, o Governo dos EUA anunciou que foi barrada, por tempo indefinido, o acesso da Associated Press à Sala Oval da Casa Branca e ao avião presidencial (Air Force One).
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Nuno Santa Clara

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