AlívioPor Nuno Santa Clara
Barreiro
E não era caso para menos. Não pelos resultados – havia um difuso sentimento, a nível planetário, de que dali não iria sair nada – mas pelo show off montado, ao nível da cultura do tablóide e da imprensa cor-de-rosa.

Por Jornal Rostos
Os resultados corresponderam a essas cépticas expectativas, e agora estamos voltados para novo encontro, agora a três, ou, melhor dizendo, a dois contra um.
Dado que as posições de Putin são as mesmas desde o início da “operação militar especial”, e as de Volodymyr Zelenskyy exigem o regresso à situação anterior aos acordos de Minsk (2014), as expectativas dos humanos imunes a declarações pomposas são naturalmente baixas.
Como baixas são as esperanças na capacidade de intervenção da Comunidade Europeia, cuja intervenção mais visível foi (conforme a directiva de Trump) comprar material de guerra americano, e cedê-lo à Ucrânia, mandando às malvas as apregoadas intenções de revitalizar a indústria de defesa europeia. Com três resultados práticos: apoiar a indústria americana; exaurir os meios financeiros da Europa, a contas com muitos problemas; e prolongar um conflito lançado a longo prazo pelos EUA e pago pelos europeus.
Decerto existem, ou deviam existir, questões de princípio, regras do Direito Internacional e praxis diplomática que devem ser levadas em linha de conta.
Mas, olhando para os dois participantes no encontro de Anchorage, na base militar de Elmendorf-Richardson, incluindo a exposição estática de caças F-35, conclui-se rapidamente que tais questões e pruridos estão fora de moda.
Por isso se chama àquela cenografia um encontro, e não cimeira, debate ou conferência. Porque o que estava em causa era a entronização de duas pessoas, cujas personalidades são consideradas mais importantes que as ideias ou conceitos em confronto. Cumprida a liturgia, aguardam-se os resultados, se os houver.
Mesmo a escolha do local do aparato não foi inocente. Uma base militar, no penúltimo Estado a ser criado pelos EUA (Janeiro de 1959), num território que havia pertencido à Rússia, que o vendeu aos americanos por 7.200.000 dólares (cerca 1.670 mil milhões de dólares a preços de 2069.
Esta forma de aquisição não é inédita: a Luisiana – na verdade, quase toda a planície central americana, do Canadá ao Golfo do México - foi comprada a Napoleão, e a Florida aos espanhóis.
Mas, nesta era de turbulência, em que a Administração dos EUA propõe a anexação do Canadá, a compra da Gronelândia ou a ocupação militar do Canal do Panamá, o estatuto de qualquer território torna-se incerto.
E se, por hipótese, os russos reclamassem a devolução do Alasca, não reconhecendo a desastrada negociata dos Czares?
Dado o ascendente psicológico de Putin sobre Trump, a hipótese, mesmo remota, não poderia ser descartada.
Sossegai, ó gentes! Não passa de uma hipótese académica absurda, sem nada que a sustente.
Mas, como exercício de lógica, tem o seu atractivo. E a fundamentação não é muito diferente da criação do Grande Israel ou da Grande Nação Eslava. Seria uma questão de mobilização e marketing.
Para alívio das gentes, tal hipótese nem se põe: acima dela está a Lei do Mais Forte, que se tem vindo a reafirmar no Mundo.
Embora se possa citar a frase do Presidente Donald Trump, dita ao 1.º Ministro do Canadá, Mark Carney, quanto à integração daquele país nos EUA: never say never.
Nuno Santa Clara













