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Colunistas

Era assim…Por Carlos Alberto Correia
Barreiro

Andaria pela pré-adolescência quando, a branco e preto, com baloiço de luminiscências dançarinas – que muito mais tarde vim a saber tratar-se do ruído fóssil do Big Bang a inaugurar o nosso Universo – me extasiava perante o milagre de estar a ver e ouvir coisas de lugares onde não estava. Eu sei que havia a rádio, mas essa já entrara na banalidade. Usava-se, deixara de causar assombro.

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Era assim… Por Carlos Alberto Correia Barreiro

Por Jornal Rostos

Por isso, independentemente daquilo que fossem os programas, à hora certa, lá estávamos, aguardando que a cacofonia luminosa rebentasse na imagem e no som marcial da abertura do programa da RTP, que consumíamos quase por inteirinho nas horas que durava.
Naquele tempo, ainda num grupo restrito, esperávamos ansiosamente que, às terças-feiras ao fechar da tardinha, chegassem os Diários de Lisboa e República, onde nos respetivos Juvenis viriam, ou não, os poemas enviados, na esperança de, escolhidos, quebrarem as colunas desses jornais com uma caixa de destaque onde a nossa escrita pudesse estar contemplada. Íamos da ansiedade à frustração na maior parte das vezes, com rejubilâncias extremas quando o nosso nome, por baixo do poema, nos declarava eleitos de uma eleição que só a nós interessava, mas que valia por todas as riquezas do mundo. Durante uma semana, éramos, sem que ninguém desse por isso, milionários de contentamento.
Foi quase sem nos apercebermos que a televisão ganhou cor, que a corridas aos jornais foi esmorecendo e que os jornais, eles próprios, foram perdendo a voz, por dificuldades de adaptação para concorrerem com aquele meio poderoso, mais em cima da atualidade, em que recontos e notícias eram lidos sem esforço da nossa parte e, ainda por cima, mostrando, com inegável clareza nas imagens, o que a voz anunciava. Foi um rude golpe! Não quer dizer que jornais e jornalistas desaparecessem, não senhor! Por muito tempo ainda continuaram a sobreviver jornais e jornalistas importantes. Porém, tinham perdido o primeiro lugar na galeria da informação. Tiveram de criar outras maneiras de noticiar, uma vez que a notícia na hora – a que a rádio já tinha feito um rombo – fora de vez perdida pela imprensa pelas demoras de composição e edição arrastadas.
Tudo isto, que sucintamente descrevi, vejo acontecer de novo entre as televisões, caídas na banalidade das coisas e as redes sociais, mais lestas e omnipresentes, a roubarem-lhe a posição de arauto primordial.
Claro, nestas transformações algo se perdeu e algo se ganhou. Aos ganhos de velocidade cedeu a confiança e a verdade. Á transmissão numa só direção dos meios sociais de comunicação, sucedeu a democracia da possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar, ser o primeiro a transmitir acontecimentos de relevo. No entanto, esta facilidade acrescida pelas possibilidades de adições falseadas por interesses próprios, por manipulações e enviesamentos constantes, vêm apoucando o quanto de liberdade estas tecnologias permitiriam. De qualquer modo, aquilo que aconteceu ao cinema mudo: ser substituído pelo sonoro e ao sonoro a preto e branco ter sucedido o colorido, também aqui, penso, acontecerá. A televisão passará a ser órgão de nicho. E curem saber! Muito possivelmente será o do Futebol. Só assim se explica que o confronto entre dois candidatos, a presidentes de um clube, tivesse o privilégio de passar, em simultâneo, em todos os canais de cabo, coisa que me não lembro ter acontecido em qualquer outra ocasião ou circunstância. Àh! E não esquecendo que esteja a decorrer o que quer que seja desde comentário, entrevista ou debate, caso o Mourinho ou o Ronaldo (só para referir os mais badalados), cheguem ao aeroporto, qualquer programa, por mais importante que possa ser, é de imediato e malcriadamente interrompido, para ouvir as banalidades costumeiras das vedetas do pé na bola.
Assim, digam o que disserem, agrade ou desagrade, as redes sociais são o futuro, já presente, da comunicação.

Carlos Alberto Correia

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