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Colunistas

Disse 25? De que mês? E porquê?Por Carlos Alberto Correia
Barreiro

Nem me passava pela cabeça entrar nesta controvérsia e muito menos aqui no Rostos On Line, mas o homem põe e o Face Book dispõe.
Explico melhor.
Aqui há uns dois dias li no meu “feed” um texto de Raquel Varela comentando as razões que teriam levado ao 25 de novembro, ressaltando o papel do PCP nas situações que nos conduziram a tal efeméride

4 min de leitura
Disse 25? De que mês? E porquê? Por Carlos Alberto Correia Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje, respondendo a esse texto li, também no FB, um artigo de Pacheco Pereira – creio que com origem no Público –em resposta ao primeiro texto referido.

Como achei interessante o escrito de Raquel Varela, sem qualquer comentário além do gosto, partilhei a sua opinião. Ao ler o texto de Pacheco Pereira, fui tentado a fazer um comentário. Aconteceu, porém, que ao terminá-lo, quando ia para publicar, artigo e comentário sumiram-se do telemóvel, substituídos pela atualização. Fiquei sem texto e sem comentário. Decidi assim, embora fora do seu local e contexto, vir a lume, acrescentando mais um pouco de ruído a esta discussão insana.

Devo ainda acrescentar que o que me transportou à escrita foi o respeito pelas opiniões dos dois articulistas e a vontade de prestar mais algum esclarecimento. Não me revejo, por certo, em nenhum dos articulistas enunciados, discordo muitas vezes das suas opiniões, mas vale sempre a pena lê-los, nem que seja para me dizer não é assim que eu interpreto o acontecido.

Pacheco Pereira traça um cronograma dos acontecimentos bastante preciso e embora saiba que não se pode meter um tratado numa coluna de jornal, não foi possível deixar de anotar que ele se referia, como raramente alguém faz, à conferência de Helsínquia onde, na minha opinião, foi feito um tratado de Tordesilhas entre os poderosos, decidindo que Portugal seguiria o rumo da Europa e Angola ficaria na esfera soviética. E o nosso destino e o da Revolução de Abril, ficou traçado. O resto foram as ilusões que, por pouco tempo mais, nos deixaram sonhar.
O que, na minha opinião falta no artigo de Pacheco Pereira são dois acontecimentos preponderantes, caídos no esquecimento. Foram o combate na Polícia Militar e a posição de Salgueiro Maia ao chegar a Lisboa com a sua coluna.
Como sou preguiçoso e, cá vem a publicidade, tenho no meu romance “Concerto para Sanca João”, referências a esses acontecimentos, vou, para reforçar a minha perspetiva, socorrer-me da fala de uma das personagens que reconta os acontecimentos do 25 de novembro na Polícia Militar. Desculpem-me a imodéstia, mas lá vai: “Fomos chamados à parada. (…) o oficial, que me pareceu ser o comandante, juntava a soldadesca em plenário, informando ter recebido do Presidente da República o ultimato para a rendição do quartel. O período de resposta terminaria daí a trinta minutos, pelas oito horas em ponto. Dentro do comando democrático que presidia à vida daquela unidade, punha à votação a resposta a dar. Resistência ou rendição. Como levados por mola ouviram-se centenas de bocas a gritar, resistência! Resistência! Ainda os gritos não tinham acabado, nem os punhos descido ao lado dos corpos, rebentou intensa fuzilaria(…)”. Segue-se o decorrer do tiroteio e a conquista da unidade pelos Comandos de Jaime Neves. O mesmo que, nessa noite na televisão, declararia não estarem os seus soldados ainda satisfeitos e que poderia não conseguir ter mão neles, apontando para a revanche que a direita ansiava. Não fora o Grupo dos Nove meter travões a fundo e cercear a vontade revanchista das direitas e teríamos nesse 25 o banho de sangue que não houvera no outro. Aliás, devo acrescentar que tal como Salgueiro Maia ganhou o golpe, transformado em Revolução, no confronto com o Brigadeiro de Cavalaria 7, também foi ele decisivo, dando força militar ao Grupo dos Nove, ao estacionar as suas tropas junto ao Quartel de Beirolas, após ter passado pelo Ralis, sem necessidade de qualquer ação, e ao que consta dizer ao Comandante daquela Unidade que se quisesse render-se que se rendesse, se o não quisesse fazer também não atacaria. As suas tropas ficariam ali estacionadas até que se esclarecesse toda a confusão. Não alinhava em pinochetadas.

E pronto! Parece-me existir uma diferença de substância e objetivos entre os dois vinte e cinco. Cada um celebre o seu, mas não insistam em misturar o que não é miscigenável,

Carlos Aberto Correia

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