Somos todos EpsteinPor Nuno Santa Clara
Barreiro
É uma frase bem conhecida e aplica-se sempre que se pretende uma abordagem pragmática a qualquer problema, contornando embaraços da ética, ou mesmo da legalidade.

Por Jornal Rostos
O caso Epstein, e as revelações que foram surgindo pela publicação de fotos e vídeos, em que as imagens de Donald Trump eram recorrentes, tornou-se viral.
Isto porque na América em que o puritanismo, desembarcado pelo Mayflower na Nova Inglaterra em 1620 (não longe da futura Salem das bruxas) ainda dita as suas leis, é mais fácil fazer cair um o político por um caso de escândalo sexual do que provando a sua desonestidade, incompetência ou mesmo pela duvidosa lealdade ao seu país.
Trump reagiu, como habitualmente, pela negação. Mais um caso de fake news, criado e difundido pelos democratas.
Só que as notícias, nem eram novas, nem eram falsas.
Que fazer?
Dentro do seu círculo, alguém encontrou a solução, digna de mérito, e o partido republicano fez uma viragem de 180º: passou a exigir a publicação integral das imagens.
E lá foram aparecendo todos, de Bill Clinton ao príncipe Andrew (que perdeu o título), como importantes figuras da política e do mundo empresarial, todos irmanados e sorridentes nas festinhas organizadas por Epstein.
Com dois resultados
Primeiro, a vulgarização, e consequente desvalorização do delito. Afinal tratava-se de confraternização social, com algum picante à mistura. Noblese oblige, dizem os franceses, e nesses ambientes também se fazem bons conhecimentos e bons negócios.
Segundo, retira ao adversário a arma de arremesso dos bons costumes, de que os democratas se estavam servindo. Ainda que ao preço do apagamento do sacrossanto princípio de que nós somos melhores que eles.
Assim irmanados, ainda que temporariamente e contra vontade, resta coroar esta iniciativa. E quem sabe se veremos surgir (mais) um movimento e (mais) um slogan:
WE TO ARE EPSTEIN! (somos todos Epstein!). Em bonés e cachecóis, T-shirt e cartazes.
Fim de campanha. Quanto ao puritanismo, fica para a próxima.
Nuno Santa Clara













