Saltar para o conteúdo
Colunistas

Votei Seguro. E então?!Por Carlos Alberto Correia
Barreiro

É verdade. Logo na primeira volta lá fui por a cruzinha no Seguro. Fiquei feliz? Nem por perto! Foi um voto de coração? Nem penses nisso! A decisão foi espontânea ou racional? Muito racional, respondo. Então porquê?

4 min de leitura
Votei Seguro. E então?! Por Carlos Alberto Correia Barreiro

Por Jornal Rostos

Pensas que Seguro é pessoa para conduzir esta sociedade no caminho que desejas? Definitivamente, não! Não te estou a perceber. Não é o candidato que defenderias, sabes que anda muito afastado daquilo que procuras e mesmo assim votas nele? Que diabo de inconsequência praticas?

Alto lá, meu amigo. Nada de inconsequências. Apenas muitas dores de cabeça a tentar perceber como agir nesta barafunda nacional e mundial que os nossos dias estão a ser. Durante muito tempo encenei a atitude mais correta a adotar para minimizar o mal da escolha que se avizinhava. Sim, disse minimizar porque outra coisa não estava ao meu alcance e, recorda-te de velhos ensinamentos: a política “é a arte do possível”. Claro, desconheces nesta escolha o perseguidor de Utopias, de dias e mundos melhores. Estás completamente enganado. As ditas Utopias continuam a ser o combustível que alimentam os meus sonhos e o meu quotidiano. Não desisti delas e foi por isso que, dois dias antes das eleições decidi, logo na primeira volta, dar o meu voto a Seguro. Porquê a Seguro, protestas e eu percebo a tua estupefação. Desiste de me atirar à cara com a “abstenção violenta” e outras segurices que sempre me desagradaram. Tal não me levará a arrepender da atitude tomada, nem levará a não insistir no voto da segunda ronda. Esse voto dizes-me ser mais compreensível, razoável. Dou-te razão. No entanto ele só está agora definido porque muitos, como eu, tomaram a difícil decisão de não correr o risco de deixar que a epidemia venturesca pudesse ficar num instável primeiro lugar. Disse instável porque suponho que, na segunda volta, perante o perigo que corria a Democracia, a maior parte do Povo, viesse a eleger Seguro. Ele seria Presidente, mas mais pareceria um Presidente de recurso, com legitimidade diminuída, face a um derrotado, com votação elevada e primeira vitória, que utilizaria, todos os dias, essas circunstâncias para sabotar a legitimidade presidencial. Estás a perceber? Aqui não estava apenas em jogo quem seria o Presidente, mas se teríamos, a prazo, a continuidade democrática. É isso, meu palerma! Não se jogava num nome ou numa ideologia. Estava a rolar no pano podermos, ou não, continuar com a liberdade de defender os nossos ideais. Caso o, agora, oponente ganhasse, em breve não terias mais a oportunidade de, sem risco maior, vires à praça dizer o que pensavas da Assembleia, da Justiça, o Governo, ou até do Serviço Nacional de Saúde.

Sabes, as Democracias, muito por sua culpa, mas isto é assunto para outra ocasião, podem morrer por dentro. Pelos erros, pela incoerência dos mandantes e inação dos mandados, subverter-se, primeiro em musculada e depois, com a corrupção das instituições e mesmo a sua morte, precipitar-nos na escuridão de qualquer totalitarismo adivinhado e já a mostrar o biquinho do pé a empurrar as qurenças para o salvador que, como sempre, apenas será aquele que nos irá submeter a mais cinquenta anos de escravidão. Já lá estive e não desejo voltar.

Por isto, e por muito mais que fica por dizer é que, depois de muitas noites a pesar prós e contras, tomei, dois dias antes do ato eleitoral, a minha decisão. Foi a que gostaria? Não! Foi a que me possibilitará continuar a lutar por aquilo que desejo? Creio bem que sim. Arrisquei! Sei que, ao longo do tempo irei ter momentos de arrependimento, que parecerá que nada se adiantou com este voto sacrificial, mas fica a saber: só o tempo nos dará a resposta certamente. E olha para a medição das coisas que é a História. Só lá pode ver-se que, mesmo quando parece retroceder, a Humanidade vai avançando. Umas vezes de forma visível, outra no desespero de parecer que tudo se retrai. É que, o desenvolvimento e evolução não sendo sinónimos, andam bastantes vezes de mãos dadas, mas o seu caminho não é uma reta indiscutível. Será mais como mola helicoidal que parecendo voltar ao mesmo sítio, na verdade o faz num nível superior. Assim a modos que dois passos em frente e um atrás. É chato, eu sei. Mas o ponto de partida seguinte será já mais um passo em frente.

Vá lá, faz o sacrifício e vota no Seguro para que, salvando o essencial, possamos um dia atingir o desejado.

Carlos Alberto Correia

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção