«Não somos uma cidade de museus»: o que essa frase concede sem necessidadePor António Matias Lopes
Barreiro
Escrevi há dias que apoiava a candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028 e que, precisamente por isso, cobraria competência e resultado. Volto ao assunto porque uma frase dita na reunião de câmara, bem-intencionada, e repetida depois com orgulho, me ficou atravessada, e merece ser pensada a fundo.

Por Jornal Rostos
A vereadora da Cultura apresentou a tese inaugural da candidatura assim: "Não somos uma cidade de monumentos, não somos uma cidade de museus, mas somos uma cidade de história e cultura, de indústrias criativas, de muito património associativo, de muito património industrial, de muita memória e de muito trabalho."
Quero ser justo antes de ser crítico. A segunda metade da frase é sólida e verdadeira: o Barreiro é, de facto, uma cidade de memória, de associativismo, de trabalho, de criação. Ninguém de boa-fé o contesta. O problema não está no que a frase afirma, está no que ela concede. E concede demasiado.
Mas comecemos por arrumar uma confusão que tem circulado e que pode comprometer a seriedade de qualquer debate sobre o assunto, incluindo este.
Antes de mais: é uma candidatura nacional, não europeia
Importa fixar, com clareza e sem margem para equívoco, o que está em jogo. O Barreiro candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028, um título nacional, uma iniciativa do Governo português, e não a Capital Europeia da Cultura, que é um programa da União Europeia. São coisas diferentes, com escalas, regras, júris e orçamentos diferentes, e confundi-las seria o primeiro erro a evitar.
A Capital Portuguesa da Cultura é um projeto recente. Foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, recuperando uma ideia do início do século, quando Coimbra e Faro foram capitais nacionais da cultura, em 2003 e 2005. A primeira edição da nova série decorreu em Aveiro, em 2024; seguiu-se Braga, em 2025; e este ano o título pertence a Ponta Delgada, nos Açores. Para 2028, as candidaturas decorrem até ao fim de setembro e a cidade vencedora será conhecida a 9 de dezembro deste ano, escolhida por um júri independente. A dotação financeira da iniciativa ronda o milhão de euros, valor idêntico ao das edições anteriores. Além do Barreiro, já anunciaram intenção de concorrer, entre outros, Elvas e Loulé.
A Capital Europeia da Cultura, essa, é outro universo. Criada em 1985, é hoje um dos programas culturais mais disputados do continente, atribuído anualmente a cidades de dois ou três países, com orçamentos que vão de dezenas a centenas de milhões de euros e com um efeito mediático e turístico de escala continental. Em Portugal, depois de Lisboa (1994), do Porto (2001) e de Guimarães (2012), a próxima será Évora, em 2027. É a esse campeonato e não ao do Barreiro, que pertencem Riga, Essen, Liverpool ou Marselha.
Faço esta distinção logo de início por duas razões. A primeira é de rigor: um artigo que confundisse os dois títulos perderia autoridade à primeira linha lida por quem sabe. A segunda é de argumento, e é mais interessante: se os exemplos europeus que vou convocar pertencem a uma liga de orçamento muito superior, e ainda assim se prepararam com o rigor de método que descreverei, então, por maioria de razão, uma candidatura nacional, mais modesta nos meios, não pode dispensar esse mesmo rigor. A escala é menor; a exigência de competência, não.
A rendição contida numa figura de estilo
Arrumada a confusão, regressemos à frase. Reparemos na sua estrutura retórica: "não temos X, mas temos Y". É a figura clássica de quem aceita jogar no campo do adversário e depois tenta compensar a desvantagem. Ao dizer "não somos uma cidade de museus", a candidatura aceita, ainda que sem o querer, a régua segundo a qual cultura se mede por pedra monumental, por colecções fechadas em salas, por catedrais e palácios. E, tendo aceitado essa régua, vê-se obrigada a pedir desculpa,” mas temos outras coisas". Ora, quem pede desculpa por aquilo que tem já entrou a perder.
Há aqui um problema que ultrapassa a retórica e toca na própria sociologia da cultura. A hierarquia que coloca o monumento acima da memória, o museu acima da fábrica, a colecção acima do gesto operário, não é uma hierarquia natural: é uma construção histórica, e uma construção que serviu, durante séculos, para distinguir a cultura "legítima" das elites da cultura "menor" das classes trabalhadoras. Quando uma cidade operária como o Barreiro aceita essa régua, ainda que para a contornar, está a interiorizar a desvalorização do seu próprio capital. Está a olhar-se com os olhos de quem sempre a olhou de cima. E uma candidatura que se olha de baixo dificilmente convencerá um júri a olhá-la de igual para igual.
A verdade é que esta concessão não era necessária. Não era preciso admitir falta nenhuma, porque falta não há. Quem domina a história do Barreiro sabe que a cidade é, ela própria, inteira, um museu vivo, só que de um tipo que a definição provinciana de "museu" não contempla. Convém então fazer aquilo que uma candidatura séria tem de fazer: inventariar o capital simbólico real, em vez de o subestimar.
O capital que ali está, e que pede apenas que alguém o conheça
Comecemos pelo princípio, e pelo mais surpreendente: o Barreiro está ligado a Álvaro Velho, a quem se atribui o Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia, o relato que fundou, em prosa, a narrativa dos Descobrimentos portugueses. Uma cidade que tem um pé na primeira viagem marítima à Índia não é uma cidade sem capital simbólico; é uma cidade que ainda não soube contar essa história. Já aqui há matéria para um eixo inteiro de programação: a relação do Barreiro com o mar, com a viagem, com a escrita da viagem, um fio que liga o século XV à identidade ribeirinha de hoje.
Recuemos depois às pescas longínquas, o bacalhau da Terra Nova e da Gronelândia, a faina maior, os navios que partiam do estuário rumo ao Atlântico Norte. É uma epopeia marítima dura e profundamente popular, que o imaginário nacional tende a associar a Aveiro ou à Gafanha, mas que pertence também a esta margem do Tejo. A memória da pesca, dos homens embarcados meses a fio, das famílias que ficavam, das artes e dos saberes náuticos, é património etnográfico de primeira ordem e é, note-se, exatamente o tipo de cultura "imaterial" que as candidaturas contemporâneas mais valorizam, porque é viva, é narrável, é encarnada em pessoas e não apenas em objetos.
Acrescentemos o que é óbvio e estrutural: a CUF. O complexo da Companhia União Fabril chegou a representar mais de quatro por cento do produto interno bruto nacional e a concentrar cerca de doze mil trabalhadores num só perímetro industrial, a maior catedral operária que o país construiu. A sua arqueologia industrial, os seus bairros operários, a sua memória sindical, técnica e científica, a história das lutas laborais, o saber-fazer químico e metalúrgico de gerações: tudo isto é cultura no sentido mais pleno e mais moderno do termo. Não é o resíduo de uma cidade que "não tem monumentos". É um monumento, disperso, horizontal, à escala de um território inteiro, mas monumento.
E juntemos ainda a camada que costuma ser esquecida porque é a mais quotidiana: o associativismo. Os ranchos, as colectividades, as bandas, os grupos dramáticos, as sociedades recreativas centenárias, a sociabilidade operária que estruturou a vida de gerações e que, em muitos casos, ainda hoje sustenta a coesão social do concelho. Numa época em que meia Europa lamenta a perda do tecido comunitário, o Barreiro tem-no vivo. Isso, numa candidatura cultural, não é um detalhe: é talvez o trunfo mais difícil de imitar, porque não se constrói por decreto nem se compra com orçamento.
Há ainda uma camada que merece destaque próprio, porque é simultaneamente das mais ricas e das mais ignoradas: a dimensão migratória e multicultural do Barreiro. A CUF não foi apenas uma fábrica; foi um destino. Durante décadas, atraiu sucessivas vagas de gente vinda de todo o país, do Alentejo, das Beiras, do Algarve, do Norte rural, que ali encontrou trabalho e condições de vida sem paralelo na sua terra de origem. O Barreiro construiu-se, assim, como um caldo de culturas regionais que se misturaram, se confrontaram e se fundiram em torno do trabalho e da coletividade, gerando uma identidade própria, mestiça, feita de muitas proveniências. Mais tarde, somaram-se a essas vagas internas as comunidades vindas das ex-colónias e da imigração mais recente. Esta história de acolhimento e de mistura, de cidade construída por quem chegou de fora é, num tempo europeu obcecado com identidade e pertença, um tema cultural da maior atualidade, e um eixo de programação que praticamente se oferece a si próprio. Uma cidade que se fez de migrantes do interior tem muito a dizer sobre o que significa, hoje, pertencer a um lugar.
Isto não é "não ter museus". Isto é ter um museu de céu aberto que vai do século XV ao século XX, da vela ao ácido sulfúrico, do bacalhau à química pesada, do roteiro de Vasco da Gama à hora de ponta no cais dos vapores, das gentes que vieram de todo o país às que vieram de outros continentes. A questão, portanto, inverte-se: o Barreiro não tem um défice de capital simbólico, tem um défice de quem o saiba ler, articular e narrar. E isso conduz-me à pergunta incómoda que dá título a esta reflexão.
Dirigir a Cultura obriga, no mínimo, a falar com quem sabe
Não escrevo isto para diminuir ninguém, e menos ainda para fazer ataque pessoal, a vereadora merece respeito pela coragem de avançar com a candidatura, e a coragem, em política cultural, é mais rara do que parece. Escrevo-o como princípio: quem assume a responsabilidade pela Cultura de um território tem o dever mínimo de conhecer, ou de se rodear de quem conhece, o capital simbólico que tutela.
E aqui reside o paradoxo mais estranho de tudo isto. Felizmente e é de elementar justiça registá-lo, a comissão promotora da candidatura reúne nomes que sabem, e sabem muito: o historiador José Pacheco Pereira e o seu arquivo Ephemera, um dos mais importantes acervos de história contemporânea do país; o artista Alexandre Farto, o Vhils, cuja obra dialoga precisamente com as camadas e as cicatrizes da matéria urbana; a Fundação Amélia de Mello, a ADAO, a OUT.RA, os PADA Studios, a companhia Arte Viva. A matéria-prima existe, e os interlocutores capazes de a interpretar também. Estão, literalmente, sentados à mesa da candidatura.
Tanto mais inexplicável se torna, então, que a tese de abertura tenha saído pela negativa, pela falta, pela desculpa, pela concessão, quando bastava ter atravessado a sala e perguntado a um historiador, a um investigador de património industrial, a um etnógrafo do Tejo, para que a frase nascesse pela afirmação. A diferença entre "não temos museus, mas..." e "somos, todos nós, o maior museu industrial e marítimo do país" não é uma diferença de estilo. É uma diferença de domínio do assunto. E numa candidatura, o domínio do assunto é metade da vitória, porque é exatamente isso que um júri independente avalia: não a quantidade de equipamentos que a cidade já tem, mas a profundidade com que ela se compreende a si mesma e a clareza com que projeta o que quer ser. Um júri perdoa a uma cidade não ter museus. Não perdoa a uma candidatura não saber o que tem.
O que a Europa pós-industrial já nos ensinou
Convém agora sair da esfera do Barreiro e olhar para quem já fez este caminho, recordando, como ficou dito, que falamos de candidaturas europeias, de escala superior, mas cuja lição de método é inteiramente transferível para uma candidatura nacional.
O exemplo maior, e o mais parecido com o nosso, chama-se Essen. Cidade do Ruhr, coração histórico do carvão e do aço alemães, Essen foi Capital Europeia da Cultura em 2010, em nome de toda a região do Ruhr e fez precisamente o contrário do que a frase da nossa vereadora sugere. Não disse "não temos monumentos clássicos, mas temos outras coisas". Pegou na mina de carvão de Zollverein, uma colossal instalação industrial de linhas modernistas próximas do Bauhaus, e transformou-a em Património Mundial da UNESCO, em museu, em centro de design, em símbolo orgulhoso da cidade. Por outras palavras: Essen fez da fábrica o monumento, da arqueologia industrial a sua catedral, do carvão a sua matéria cultural nobre. Não pediu desculpa por não ter o que as cidades-corte têm; afirmou que a cultura industrial era uma forma de alta cultura tão legítima como a pintura ou a ópera. É exatamente o guião que o Barreiro tem à frente dos olhos — a mesma história de chaminés e de operários, a mesma herança pesada convertida em orgulho e que, por alguma timidez, parece hesitar em assumir com confiança. Se Essen conseguiu fazer do Ruhr negro um destino cultural europeu, o Barreiro pode seguramente fazer da CUF e do bacalhau a sua narrativa vencedora.
O segundo exemplo, Liverpool 2008, ensina pelos dois lados, e por isso é tão valioso. Pelo lado luminoso: a cidade recebeu cerca de quinze milhões de visitantes no ano do título, gerou perto de oitocentos milhões de libras de impacto económico na sua região, e o mais importante e o mais difícil de medir, mudou a perceção que os outros tinham dela e que ela tinha de si própria, deixando de ser a cidade-símbolo do declínio industrial britânico para se tornar um destino cultural respeitado. Para uma cidade que carregava o estigma da decadência, foi uma reabilitação simbólica de valor incalculável. É a prova de que a cultura pode, de facto, virar a página de uma narrativa de declínio, o que deveria interessar particularmente a um território como o Barreiro, habituado a ser lido pela lente da desindustrialização.
Mas Liverpool ensina também pelo aviso, e este aviso interessa-me de modo particular, porque toca no cerne daquilo que investigo. Estudiosos que analisaram o legado da cidade notam que a narrativa do sucesso ficou refém de uma leitura puramente económica da cultura, a cultura como motor de receita e de imagem, e não como direito dos habitantes e que a herança celebrada foi "seletiva": escolheu-se a parte fotogénica e vendável do passado e silenciou-se, ou esvaziou-se, o resto. Pior ainda: anos depois do título, Liverpool acabou por perder o estatuto de Património Mundial da UNESCO, retirado em 2021, em larga medida devido ao excesso de desenvolvimento imobiliário na sua frente ribeirinha histórica. A cultura que servira para regenerar a cidade acabou capturada pela própria especulação que a regeneração atraiu. O remédio, mal administrado, tornou-se parte da doença.
O aviso que mais nos diz respeito: cultura ou cenário?
Este último ponto é, para o Barreiro, o mais precioso de todos e liga-se diretamente àquilo sobre que tenho escrito a propósito da erosão dos centros históricos e da sua progressiva disneyficação. Há uma forma de "valorizar" o património que é, no fundo, uma forma de o matar: a que o transforma em cenário. Preserva-se a fachada da fábrica, ilumina-se a chaminé, faz-se o loft no antigo armazém, abre-se a esplanada com vista para o rio e, no processo, expulsa-se a comunidade que dava sentido a tudo aquilo. Celebra-se a memória operária em painéis interpretativos enquanto os descendentes dos operários são empurrados para fora, incapazes de pagar a renda do bairro requalificado. O património industrial fica; a vida que o gerou, parte. Resta a casca.
Celebrar a memória operária como estética bonita, enquanto se deixa que a valorização do solo expulse os herdeiros dessa mesma memória, é a forma mais subtil de trair aquilo que se diz honrar. E aqui a pergunta torna-se, no fundo, a velha pergunta de Lefebvre sobre o direito à cidade: quem produz esta cidade cultural? Se for o gabinete de comunicação a desenhá-la de cima e a oferecê-la aos habitantes como espetáculo a consumir, ter-se-á negado esse direito no exato momento em que se proclama celebrá-lo. Se, pelo contrário, forem os criadores, as colectividades e o tecido associativo do concelho a produzi-la, com meios e com autonomia real, então haverá ali uma política cultural e não a sua mera encenação. Uma candidatura que não venha acompanhada de instrumentos sérios de proteção da população habitação a custos acessíveis, captura pública da mais-valia fundiária que a própria candidatura ajudará a gerar, participação efetiva das estruturas locais, corre o risco de ser não a celebração do Barreiro operário, mas o elegante cartão de boas-vindas à sua substituição.
A lição de governança que ninguém deve ignorar
Há ainda um ponto técnico, menos romântico mas decisivo, que as avaliações europeias destas iniciativas sublinham com insistência: as candidaturas que deixam legado real são aquelas que assumem compromissos financeiros explícitos desde a fase de candidatura e, sobretudo, que criam estruturas destinadas a sobreviver ao ano do título. O risco clássico, documentadas vezes sem conta, é o do fogo de artifício: um ano intenso de eventos, muito brilho, muitas fotografias, e depois o silêncio, porque nada foi pensado para o dia 1 de janeiro seguinte. As cidades que acertaram, como em boa medida Essen, transferiram responsabilidades para parceiros estáveis e ancoraram a cultura na sua estratégia de desenvolvimento de longo prazo. As que falharam deixaram morrer, a 31 de dezembro, tudo o que tinham erguido.
Para o Barreiro, isto traduz-se numa pergunta simples e impiedosa, que deveria presidir a cada decisão da candidatura: o que fica no dia seguinte? Se a candidatura for, no essencial, um programa de eventos para encher um ano e produzir uma boa colheita de imagens, terá falhado ainda que ganhe o título. Se for o pretexto e a alavanca para criar infraestrutura cultural permanente, um verdadeiro centro de interpretação da memória industrial e marítima, os arquivos tratados e acessíveis, residências artísticas estáveis, uma ligação institucional duradoura à academia e aos centros de investigação, equipamentos que sirvam a população muito depois de apagados os holofotes, então terá valido profundamente a pena, mesmo que o júri escolha outra cidade. O título é um meio. O legado é o fim. Confundir os dois é o erro que condena à partida qualquer candidatura, por mais bem financiada que seja.
Apoiar é exigir
Mantenho, pois, o que escrevi na primeira nota: apoio esta candidatura, e apoio-a com convicção, porque a matéria existe e é extraordinária, e porque o Barreiro, mais do que quase qualquer cidade do país, tem uma história que merece este palco. Mas apoiar não é aplaudir de olhos fechados, quem apenas elogia não ajuda; ajuda quem exige. E o que se exige aqui é simples de enunciar e difícil de cumprir: que se conheça o que se tem antes de o oferecer; que não se peça desculpa por uma riqueza que metade das cidades europeias invejaria; que se estude com humildade o que a Europa pós-industrial já fez de melhor e de pior, aproveitando o exemplo de Essen e temendo o aviso de Liverpool; e que se desenhe, desde a primeira página da candidatura, o legado para o dia seguinte ao título.
O Barreiro não precisa de inventar capital simbólico, nem de o importar, nem de pedir emprestada a régua das cidades monumentais. Precisa de responsáveis culturais que o conheçam ao ponto de o defender sem hesitação, e de uma candidatura que coloque a comunidade no centro da produção cultural e não na plateia. Porque dizer "não somos uma cidade de museus" é, afinal, a única afirmação verdadeiramente falsa de uma candidatura que, no resto, está cheia de verdade. O Barreiro é um museu, vivo, inteiro, de céu aberto, do Roteiro de Álvaro Velho às chaminés da CUF.
Falta apenas que quem o representa o diga com a cabeça erguida.
António Matias Lopes escreve sobre matérias e culturas urbanas.
Maio de 2026













