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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEO dia seguinte

O Prémio Pessoa foi atribuído a Irene Flunser Pimentel - doutorada em História Institucional e Política Contemporânea e investigadora do Instituto de História Contemporânea.

Agora… que venha a necessária ratificação do Parlamento de Portugal - a forma de legitimação que será exercida pela quase totalidade da “Europa dos 27”, sem inúteis, respeitáveis mas perigosos referendos populares.

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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE O dia seguinte

Por Jornal Rostos

14 de Dezembro de 2007.
O Prémio Pessoa foi atribuído a Irene Flunser Pimentel - doutorada em História Institucional e Política Contemporânea e investigadora do Instituto de História Contemporânea.
Na sua 20ª edição, aquele prestigiado galardão foi outorgado pela 4ª vez a um intelectual com actividade associada à historiografia - sucedendo a José Mattoso (1987), Cláudio Torres (1991) e a João Bénard da Costa (2001).
História da PIDE (Edição Círculo de Leitores, 2007) - livro que teve como suporte a sua tese de doutoramento - é, como se pode ler na contracapa “um importante trabalho sobre a nossa história mais recente, a levar-nos aos calabouços da PIDE, aos meandros do poder político e a um dos lados mais negros do Estado Novo”.
A iniciativa conjunta do Expresso e da Unysis contemplou pela 3ª vez uma mulher - sucede à pianista Maria João Pires (1989) e à pintora Menez (1990). E foi justamente a duas mulheres - Maria Ângela Vidal e Campos e a Maria Fernanda de Paiva Tomás - que Irene Flunser Pimentel dedicou o seu mais recente trabalho, “as duas mulheres que, durante mais tempo, permaneceram presas por razões políticas pela PIDE” e que “no entanto, conseguiram guardar um espaço de liberdade interior, tanto no cárcere, como num país com uma longuíssima ditadura”.
A aparente vastidão das suas 515 páginas devora-se quase de um só trago, tal é a simplicidade da escrita, a atractividade do estilo, o interesse do objecto de estudo.

14 de Dezembro de 2007.
Abertura ao público da maior livraria do país, na zona das Amoreiras, em Lisboa.
Espaço de Liberdade e de… Libertação:
Importante - não pela superfície (grandiosa) ou pelo número de obras disponíveis (invulgar);
Fundamental - por muitas outras razões: bom gosto da decoração; riqueza e variedade de conteúdos; competência e disponibilidade dos funcionários; pluralidade de espaços de leitura e de convívio. E… uma exposição lindíssima “Artistas retratam escritores que retratam artistas”, num local de restauração que promete animação e tertúlia;
Impensável - com o Estado Novo e com a PIDE. Também por isso não esqueço (não esqueçam) Abril.

14 de Dezembro de 2007.
Dia seguinte à assinatura do Tratado de Lisboa.
De leitura - ao que nos dizem - difícil e complexa. Que os portugueses (e os europeus) na sua generalidade ignoram.
Vitória da Presidência Portuguesa. Derrota, entre outros, dos que, ontem como hoje, se revêem em modelos obsoletos.
Agora… que venha a necessária ratificação do Parlamento de Portugal - a forma de legitimação que será exercida pela quase totalidade da “Europa dos 27”, sem inúteis, respeitáveis mas perigosos referendos populares.

Barreiro, 16 de Dezembro de 2007
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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