AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVENotas soltas
Assisti nas últimas semanas, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro e no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a dois dos vários debates acerca do futuro do território de implantação da Quimiparque, que a Câmara Municipal do Barreiro vem justamente promovendo a esse propósito. Onde pára a Esperança?

Por Jornal Rostos
1. Para quando?
Por proposta do associado João Paulo Rodrigues, a última Assembleia-Geral do Futebol Clube Barreirense, realizada em Julho de 2007, decidiu que, doravante, seriam convocadas reuniões magnas com periodicidade bimestral, para divulgação e apreciação da evolução orçamental do clube, que prevera um défice de €100.000 para a época desportiva de 2007/2008.
Uma contenção orçamental – corajosa e inevitável –, a não delapidação – progressiva e irreparável – das receitas resultantes da venda de património, e o acompanhamento mais rigoroso e transparente do balanço financeiro do Futebol Clube Barreirense – pelos Órgãos Sociais e Associados – tinham sido, recordo, condições apresentadas pelo Presidente da Assembleia-Geral, António Sardinha, para continuidade no exercício de tão relevante e digno cargo.
Cinco meses passados, não houve Assembleia-Geral, alguns Associados interrogam-se acerca de tal incumprimento, as contas parece derraparem (Manuel Lopes, Presidente da Direcção, assim o disse em entrevista a Rostos) e... “o silêncio é de oiro”.
Alguém beneficia com esta triste realidade? O Futebol Clube Barreirense e os Barreirenses, certamente que não!...
2. (Anti)Comunismo
Sexta-feira, 21 de Dezembro. Mais duas interessantíssimas aproximações à triste e dramática história do Comunismo.
Primeira: a leitura da recensão do livro Young Staline (ainda não editado em Portugal), publicada no Público. Com novas revelações de um dos mais patéticos e sanguinários ditadores, que manchou de sangue e outros pecados a história civilizacional do século XX.
Segunda: a visualização no quase marginal espaço lisboeta Medeia King do filme “12:08 A Este de Bucareste”, realizado pelo romeno Corneliu Porumboiu, e que a Atalanta Filmes, distribuidora que põe a tónica – desde o início de actividade em 1989 – na divulgação do melhor cinema alternativo, português e europeu. Abordagem cómica de uma Roménia miserável e atrasada, perdida na indisciplina, no alcoolismo, na não-esperança. Num cenário anedótico, mas real. Apenas 16 anos após a queda de Nicolae Ceausescu, ícone do totalitarismo, do embuste e da partidocracia marxista-leninista.
3. Onde pára a Esperança?
Assisti nas últimas semanas, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro e no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a dois dos vários debates acerca do futuro do território de implantação da Quimiparque, que a Câmara Municipal do Barreiro vem justamente promovendo a esse propósito.
Se ainda fosse um jovem e “inocente” adolescente, teria – talvez – abandonado aquelas sessões públicas, com uma enorme e inquebrantável esperança de ver o meu Barreiro soltar-se das amarras políticas e económicas em que tem estado atolado.
Mas não foi assim.
Porque percebi que traçar uma “visão” não será particularmente difícil, muito menos transcendente. Sobretudo se suportada por um experiente e interessante comunicador como Augusto Mateus.
Muito mais difícil será:
- articular as administrações central e local
- conciliar de forma consequente os interesses públicos e privados
- enterrar clichés, dogmas, fanatismos, paternidades (termo apropriadamente referido por António Sousa Pereira)
- mobilizar a juventude barreirense (desoladoramente ausente dos debates a que assisti).
4. Rio grande
Será legítimo falar-se de um livro que ainda não se leu na totalidade? Talvez...
É por isso que me apetece falar de “O Rio das Flores”.
Depois de “Equador”, que me impressionou tão favoravelmente, o novo romance histórico de Miguel Sousa Tavares, que promete – para inveja de muitos – ser um enorme êxito de vendas, é um grande livro. Simples mas exigente, acessível mas profundo. Excelente.
O que prova – o que me prova – que a literatura menos erudita, tal como o cinema e todas as outras manifestações de arte, não são sinónimo de menor valia – bem pelo contrário.
5. Natal
Com alguma abundância e muita penúria.
Com fraterna solidariedade e a habitual hipocrisia.
Com momentos luminosos e as sombras que espreitam.
Feliz Natal, para todos vós.
Barreiro, 23 de Dezembro de 2007
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)













