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Colunistas

O Estilo brilhantinaPor Carlos Alberto Correia

Desde que num pretérito congresso do PSD o Sr. Dr. Luís Filipe Menezes saiu em desgraça por ter invectivado os congressistas pelo horrível vício, inerente a boa parte deles, de serem “sulistas”, não perdi de vista esta prometedora personagem.

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O Estilo brilhantina Por Carlos Alberto Correia

Por Jornal Rostos

Devo dizer que muito me custou os anos de relativo apagamento que sucederam ao seu pequeno deslize político-regionalista. Rejubilei quando, através da autarquia a sua estrela recomeçou a ganhar brilho e fui impacientemente esperando que ela se levantasse no zénite e lhe proporcionasse os rasgos de indesmentível mérito a que tinha direito.

Tremi quando um indefectível sulista ameaçava, com os seus êxitos na capital, retirar-lhe o facho do mais incrível abencerragem do quadrante político do centro-direita, mas, confesso, estive perto da traição, deixando-me seduzir pela criatividade na asneira dessa figura de opereta. Muito se esforçou o inefável Santana por conservar o pódium, mas a incompreensão do povo e a força dos poderosos haveriam de fazer borregar o esforço indómito do menino-guerreiro, aquele a quem todos, desde pequenote, davam com arrebatamento na tola.

Entusiasmei-me, esmoreci, deprimi-me quando o brilhantismo político de Santana e da sua corte, afastados do poder, me negaram a diversão e o insólito das broncas e do estilo cabelo puxado para trás com brilhantina, próprio para dar seriedade aos actos importantes de tão gravérrima personagem.

De qualquer modo, o crescimento da estrela sulista impedia o engrandecimento e brilho da estrela nortista. Como nada é na vida totalmente mau, o afastamento da ribalta de Santana, permitiu a abertura de espaço propício ao desenvolvimento do autarca de Gaia.

Não tendo sido criado nos princípios sábios e morais de que não se bate nos mais pequenos, o Menezes, aproveitando a vaga de descontentamento partidário e, tomando as dores de quem não queria queimar-se por afastar a destempo um chefe tido em desamor, zurziu no pequenote de voz grossa e mandou-o para casa com um cresce e aparece de indescritível superioridade, prometendo que, com ele no leme do PSD, é que o Governo Socialista iria apanhar das boas.

Houve gente que acreditou!

E lá ganhou o Menezes o palco nacional. Sob a luz forte dos holofotes perdeu rapidamente a empáfia e adoptou uma pose de estado, com brilhantina baça na voz, agora pausada e institucional, a fingir uma ponderação inexistente e cómica, revelando insegurança por todos os lados, dando a sensação de quem se meteu num sarilho e não sabe como sair dele. Algum conselheiro, que não o grama ou a soldo de potência exterior, sugeriu-lhe que, para não se sentir tão sozinho no palco do quase-poder, utilizasse os serviços do menino que não estando lá, andava por aí, aos caídos digo eu, e repescou-o para a direcção do grupo parlamentar.

Jogada de génio! Emparelhadas as estrelas, unificadas as brilhantinas, solidificado o estilo de pompa e balofa circunstância fica o ditado provado “ Deus os fez, Deus os juntou”. O problema restante é o de saber quem vai arcar com as culpas quando perderem as próximas legislativas.

A parlenda poderia parar por aqui, com o reconhecimento que estes políticos são uma verdadeira ameaça ao futuro dos Gatos Fedorentos, se o inultrapassável Menezes não se tem saído com mais um formidável arranque político, muito a propósito para o fortalecimento da democracia e da fé dos portugueses nos seus políticos e instituições.

Foi o caso, eu ouvi com estes que a terra há-de comer, da sua peremptória afirmação de que concorrendo ao BCP um presidente da área socialista, teria de ser nomeado, obrigatoriamente, para a CGD um presidente do PSD.

Assim, sem mais nem menos!

Ouvi e espantei! Não por não saber que desde há muito, no campo económico-financeiro, existe uma convenção, não escrita, de repartição de poderes pelo blocão do centro, mas sim pelo despudor do requerimento o qual, não se baseava minimamente em critérios de competência mas sim na posse do cartão do partido. Este sim era exigência indispensável. A competência, se a houvesse, viria depois.

Lindo! Admirável! Inultrapassável!

Empresas privadas, empresas públicas, irmanadas na mesma luta! Para lá das diatribes sobre independência, competência, livre decisão de accionistas, mantêm-se, nestes pobres liberais, a crença profunda no amparo do Estado, a sua especial predilecção pela distribuição de benesses e pela resolução das porcarias que sem rebuço vão fazendo e que, longe da sanção justiceira que se esperava, terminam num conluio de compadres, onde o que está em jogo é a divisão da presa num ora tomas tu, ora toma eu, em estilo brilhantinoso e cediço, que agonia o mais distraído dos cidadãos.

Será possível “dessarriscar-me” de sócio deste engordurado País, alegando o estado de vómito contínuo?

Carlos Alberto Correia

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