AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEPor Paulo Calhau

Por Jornal Rostos
Por isso, é sobretudo na capital, que percorro os escaparates, as estantes e as mesas das minhas livrarias predilectas: Byblos (Edifício Amoreiras Square), Bertrand (Centro Comercial das Amoreiras e Saldanha Plaza) e Barata (Avenida de Roma). Locais estimulantes, onde se acumulam milhares de novas e de velhas obras – de autores consagrados, ou das revelações que a todo o momento vão emergindo.
Um dos aspectos que me apetece hoje destacar é o facto de a produção de textos de ciência política de autores portugueses ser tão diminuta, direi que irrelevante. Tenho constatado a publicação de diversas teses de mestrado e de doutoramento sobre temas das ciências económicas, sociais e políticas, mas uma reduzida política editorial direccionada para a reflexão e a prospecção políticas.
Bem sei que “Marx morreu...”, que as ideologias clássicas estão desacreditadas (pela teoria e pela praxis), que o primado do económico (quase) tudo parece sobrelevar, que a globalização aí está – implacável e arrogante. Mas, não concordam comigo que é necessário pensar mais e melhor o presente e o futuro político de Portugal?
Haverá aqui um problema de “Liberdades”? Não creio!
De ausência de massa crítica? Nem pensar!
Então... porquê?
Nas noites em que não nos apetece partilhar o prazer de um bom convívio com os amigos, nos sentimos distantes de olhar para a TV, o livro que estamos a ler pode esperar, sugiro o contacto com dois excelentes programas de rádio: “O estado do dia” de Alexandre Honrado (Rádio Clube Português, 104.3 FM, 2ª a 6ª feira, 22-23h) e “Viriato 25” de António Sérgio (Radar, 97.4 FM, 2ª a 6ª feira, 23-01h).
"Descobri que era escritor quando o pessoal me passou a chamar assim." Quem o disse foi Alexandre Honrado, jornalista, escritor consagrado (sobretudo na literatura dita infantil), que todas as noites convida uma personagem – invariavelmente interessante – para consigo/connosco falar e pensar o país e o mundo.
“Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada”. Sábias palavras do radialista António Sérgio – velho/novo “Lobo” das ondas hertzianas, que completará em 2008 quarenta anos de rádio, agora ao serviço da “minha” estação de rádio, a alternativa Radar, sucedânea das defuntas XFM e VOXX. Venham conhecer a Radar FM…
Leitura, esta madrugada, da conversa de Maria Eugénia Neto – viúva de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola – a Cândida Pinto e José Pedro Castanheira (Expresso, 5 de Janeiro de 2008).
Em edição comemorativa do 35º aniversário do histórico semanário – bastião da Liberdade e da Imprensa – creio que foi um entrevista falhada.
A omissão e a falta de memória – bem ao estilo estalinista – para alguns factos e diversos protagonistas; a recordação laudatória e enviesada de outros.
Parece que o distanciamento de D. Maria Eugénia com José Eduardo dos Santos quase se restringe à sua indignação pelas desigualdades entre os muito ricos (cada vez mais) e os muito pobres (uma imensa maioria). E a falta de Liberdade? E o Racismo. E a Cleptocracia?
Depois de “Foi Assim” (Zita Seabra, Aletheia editores, 2007) e de “Nuvem Negra – O drama do 27 de Maio de 1977” (Miguel Francisco “Michel”, Clássica Editora, 2007) – a minha leitura mais decepcionante de 2007 – continuo sem entender a verdadeira dimensão do “Netismo” e do “Nitismo”, as suas motivações próximas e distantes, os seus aliados, o papel da URSS, dos EUA e da China, a participação do PCP no período pré e pós independência de Angola. Já passaram mais de 30 anos. Mas a História continua por fazer…
Barreiro, 06 de Janeiro de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)













