Saltar para o conteúdo
Colunistas

AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEAmar, defender e servir a Liberdade
Por Paulo Calhau

Mais de trinta anos passados da revolução libertadora e republicana de 25 de Abril de 74, é curioso ver que se discute a Liberdade cada vez mais. E importante tentar perceber as razões:
- porque somos hoje menos Livres que sob o derrubado regime do Estado Novo? É óbvio que não.
- porque já fomos mais Livres após “Abril”? Talvez sim.
- porque há ameaças crescentes à Liberdade? Julgo que sim.
- porque somos mais exigentes com a Liberdade? Sim, mas menos do que devíamos.

4 min de leitura
AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE Amar, defender e servir a Liberdade Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

“Pode alguém ser livre se outro alguém não o é?”
Sérgio Godinho (álbum Pré-historias, 1972)

Regresso a Luís Campos e Cunha – muito sensato e particularmente lúcido, com redobrada insistência – com palavras suas, publicadas na passada sexta-feira no PÚBLICO: “O exercício da cidadania é cada vez mais um acto de coragem, mas não devia sê-lo. (…) A liberdade traduz-se, no dia-a-dia, em várias liberdades: de escrever; de falar; de nos organizarmos; de protestar; de apoiar; de votar; etc. (…) o exercício da liberdade não deve ser um acto heróico, mas uma banalidade. Não pode haver lugar a represálias pelo simples exercício da cidadania. O único limite à liberdade de cada um é, obviamente, o espaço de liberdade dos outros, que deve ser igual ao meu.”
Mais de trinta anos passados da revolução libertadora e republicana de 25 de Abril de 74, é curioso ver que se discute a Liberdade cada vez mais. E importante tentar perceber as razões:
- porque somos hoje menos Livres que sob o derrubado regime do Estado Novo? É óbvio que não.
- porque já fomos mais Livres após “Abril”? Talvez sim.
- porque há ameaças crescentes à Liberdade? Julgo que sim.
- porque somos mais exigentes com a Liberdade? Sim, mas menos do que devíamos.

Afinal parece que o número de interrupções voluntárias de gravidez (IVG) decorrentes da recente alteração legislativa vai ficar aquém das projecções iniciais, condicionadas como se sabe por valores de países europeus com legislação equivalente aquela que o povo português referendou, completa-se amanhã o primeiro aniversário.
As mulheres portuguesas são agora mais Livres. E mais responsáveis. Desmentiram – e desmentirão – os profetas da desgraça, que argumentaram legitimamente, mas por vezes de forma falaciosa, contra o novo quadro legal. A IVG não é, como receavam ou supunham, um “método de contracepção”. E ainda bem!

Gostei de ouvir João Cravinho falar de novo acerca da Corrupção, em entrevista a Mário Crespo, no Jornal das 9 da última quinta-feira. Quando há alguns meses atrás escrevi a esse propósito aqui, em ROSTOS, um bom amigo criticou a forma – em sua opinião – laudatória como o fiz em relação ao actual administrador do BEI. Não concordei com ele. Ainda hoje não concordo.
João Cravinho sabe do que fala. Pelo longo e rico percurso político que viveu até hoje. Pela experiência acumulada nos diversos cargos governamentais que exerceu. João Cravinho sabe, como nós sabemos, que a Corrupção é uma praga do Portugal de hoje. João Cravinho assume essa preocupação. Com Liberdade. Pela Liberdade!

A intervenção pública mais recente, a propósito da Corrupção, de António Marinho Pinto, novel Bastonário da Ordem dos Advogados, motivou um conjunto alargado de reacções da generalidade dos colunistas e ‘opinion-makers’ da comunicação social. Em sentido favorável – algumas. Mas também depreciativo – muitas.
Admito que o seu estilo pode ser considerado por alguns, aqui e ali algo truculento, menos “ajustado” às funções que desempenha. Mas, para mim, o fundamental está noutro plano. Na essência, na causa, no fundamento das suas palavras e das suas denúncias.
António Marinho Pinto não é politicamente correcto. Mas é Livre!

E eu?
Sou Livre?

Barreiro, 10 de Fevereiro de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção