AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE“easy to say, hard to do”
Por Paulo Calhau
A população está preocupada e os profissionais insatisfeitos. E, não o podemos nem devemos ignorar, a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde pode estar em perigo.

Por Jornal Rostos
Na noite da passada 3ª feira, 26 de Fevereiro, a Cooperativa Cultural Popular Barreirense foi palco da apresentação / debate do livro “Políticas de Saúde – ensaios para um debate nacional”, da autoria de Paulo K. Moreira, Doutor em Health Services Management pela University of Manchester.
Cerca de uma vintena de pessoas assistiu de forma interessada e participada à abordagem e discussão de uma temática tão importante para todos os cidadãos – a Saúde.
O livro é a compilação de uma série de artigos que o autor publicou na sua esmagadora maioria no Diário Económico, nos anos de 2004 a 2006. São cerca de setenta textos – relativamente curtos e sintéticos.
Portugal não tem, lamentavelmente, uma produção teórica relevante no domínio das Políticas de Saúde. Mestrados e Doutoramentos nessa área são relativamente pouco frequentados e concluídos pela classe médica, ficando para académicos de outros sectores o maior número de titulações.
Os partidos políticos mais representativos também não são um exemplo positivo – e deviam constituir-se como tal – da reflexão e criação programáticas, através de Gabinetes de Estudo, que sabemos formalmente constituídos mas objectivamente inconsequentes.
A Comunicação Social aborda as questões da Saúde com recorrente e irritante ligeireza, escassa investigação e deplorável sensacionalismo. Está quase sempre mais atenta e empenhada na divulgação da notícia e da reportagem susceptível de uma “boa abertura” dos telejornais. E menos preocupada com a análise séria, cuidada e serena das questões e dos problemas.
Iniciativas como a da passada 3ª feira são obviamente necessárias e importantes. Permitem que os cidadãos exprimam desagrados e inquietações, emitam opiniões e proponham caminhos alternativos. A população está preocupada e os profissionais insatisfeitos. E, não o podemos nem devemos ignorar, a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde pode estar em perigo.
Falar em Reforma do Sistema Nacional de Saúde é, na sua essência, relativamente fácil e politicamente correcto. Bem mais difícil é a concretização de medidas impopulares – umas –, anti-corporativas – outras.
Mas que Reforma da Saúde? Que objectivos? Que estratégias?
- como articular os sectores público e privado?
- como definir as necessidades – nacionais e regionais – em profissionais do sector?
- como estruturar as carreiras profissionais?
- como redimensionar a carta hospitalar nacional?
- como transformar a rede nacional de urgência / emergência?
- como melhorar a gestão dos hospitais e centros de saúde?
- como priorizar e dignificar os cuidados de saúde primários?
- como programar a formação das futuras gerações de profissionais?
- como reestruturar a área da saúde mental?
- como manter o sucesso da política de saúde materno-infantil?
- como implementar a rede de cuidados continuados?
- como redifinir uma política do medicamento?
- como humanizar os serviços de saúde?
- como salvaguardar a protecção dos idosos, deficientes e outros sectores vulneráveis?
- como proteger as minorias / populações imigrantes?
- como estimular a investigação clínica?
Tantas perguntas – aparentemente tão simples na sua formulação. Mas quantas respostas – credíveis e consistentes?
Citando Paulo K. Moreira, é razão para escrever “easy to say, hard to do”.
Barreiro, 2 de Março de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)













