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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEA Tolerância e o Amor

Afinal, não é ainda um dado adquirido que a opção Chelas-Barreiro se venha a constituir como a decisão final do Governo.
Começam a surgir estudos, pressões e condicionamentos vários que procuram inviabilizar aquela escolha. A deliberação governamental não deverá tardar, mas começo a sentir-me inquieto, receando um volte-face que a concretizar-se constituiria uma “punhalada” no esforço de afirmação e recentragem do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa.

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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE A Tolerância e o Amor

Por Jornal Rostos

Segunda-feira, 2: o tempo e o modo
José Saramago parece estar em queda no universo sectário e claustrofóbico do pensamento comunista.
Depois de um estranho distanciamento a Cuba e a Fidel, o Nobel da Literatura 1998, veio agora, de forma algo surpreendente, apoiar a candidatura de José Luís Zapatero à presidência do Governo de Espanha.
Sabe-se que o movimento comunista não gosta nada de ver os seus militantes entrarem em rota de colisão, em crise de convicções – e age em conformidade, nomeadamente com uma particular violência afectiva. Não estranho, por isso, que o laureado escritor esteja já a sofrer as consequências das suas mais recentes posições políticas.
Confesso que esperava ver um Saramago estalinista até ao final dos seus dias. A sua postura ao longo de tantos e tantos anos – agressiva e intolerante – assim o indiciava, mas parece que me enganei.
Será que Saramago mudou? Estará mais tolerante? Será que morrerá mais tranquilo?

Terça-feira, 3: ser poeta é…
Se fosse poeta gostava de cantar e glosar – em verso – a Alegria, o Prazer, a Felicidade, a Sedução, o Amor, a Paixão.
Hoje apeteceu-me fazê-lo, mas não fui capaz.
Outros dias virão.

Quarta-feira, 4: está quase
Longa conversa telefónica com Manuel Lopes (Presidente do FC Barreirense).
Resposta positiva ao meu pedido formal de venda de “PROVA DeVIDA – estórias e memórias do meu Barreirense) na Secretaria do Ginásio-Sede.
Confirmação do bom andamento das obras da Academia de Futebol, com inauguração prevista para 21 de Março. Percebi o seu grande empenhamento – uma vez mais demasiado solitário – na concretização de uma obra que se perspectiva muito importante no relançamento do futebol de formação, na disponibilização de um espaço a escolas, empresas e grupos de cidadãos, e na sustentabilidade financeira do clube.

Quinta-feira, 5: preto e branco
Li que a manifestação de professores realizada na véspera desfilou e acabou concentrada junto à Câmara Municipal do Barreiro e que à passagem diante da sede do PS – Barreiro os insultos e outras formas de violência verbal foram entoados a plenos pulmões. O trajecto da concentração / manifestação não terá sido inocente. Eu faria diferente. De resto quando Leonor Beleza foi Ministra da Saúde, nunca me passou pela cabeça integrar qualquer cortejo de protesto que tivesse como alvo a sede do PSD. Para quem defende a separação entre Estado e Partidos...
Sei que muitos docentes portugueses estão indignados com a política da actual ministra, a quem desejam uma rápida crucificação política. Parece terem alguma razão. Mas não toda a razão. Talvez não tenham mesmo a maior parte da razão. Parece faltar alguma dose de tolerância entre as partes. O que bloqueia consensos e impede as reformas, necessárias e anti-corporativas, como Vital Moreira e Miguel Sousa Tavares bem testemunharam em artigos publicados na semana que findou.

Sexta-feira, 7: volte-face?
Afinal, não é ainda um dado adquirido que a opção Chelas-Barreiro se venha a constituir como a decisão final do Governo.
Começam a surgir estudos, pressões e condicionamentos vários que procuram inviabilizar aquela escolha. A deliberação governamental não deverá tardar, mas começo a sentir-me inquieto, receando um volte-face que a concretizar-se constituiria uma “punhalada” no esforço de afirmação e recentragem do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa.

Sábado, 8: já está
Apresentação pública do meu livro “PROVA DeVIDA – Estórias e memórias do meu Barreirense”. No espaço do BeJazz CAFE – magnífico como sempre, mas adaptado às particularidades do evento – foi com muita alegria, pontuada com esperada frequência por uma emoção incontida, que recebi muitos e muitos amigos que me honraram com a sua presença e a sua solidariedade.
Eduardo Cabrita e António Sousa Pereira foram excelentes na análise da obra e merecedores da atenção e respeito de todos os presentes. João Maurílio, com o seu habitual talento, presenteou-nos com deliciosos momentos de piano. Hélder Gabriel e a sua equipa foram inexcedíveis no acolhimento e serviço prestados.

Domingo, 9: o dia seguinte
Depois das emoções da véspera, acordei particularmente feliz. Sinto que o meu livro poderá contribuir para o fortalecimento do Barreirense. É preciso falar do Barreirense. É preciso pensar o Barreirense. É preciso ajudar o Barreirense. O Barreirense precisa dos Barreirenses. O Barreiro precisa do Barreirense.
Decidi atribuir a verba resultante da receita líquida à futura Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário do FC Barreirense, que decorrerão em 2011. Por entender que esta seria a forma mais transversal de ajudar o meu clube de sempre, rompendo com estéreis e inoportunas rivalidades entre as modalidades mais representativas do FC Barreirense – o futebol e o basquetebol. Agora, Barreirenses, cabe-vos contribuir de forma empenhada e solidária, adquirindo “PROVA DEVIDA” nas Livrarias Bocage e Letra 12, nas Papelarias Central e Universal, na Sede do FC Barreirense e em alguns outros locais de venda.
Em jeito de antevisão apetece-me acreditar que no próximo domingo o FC Barreirense vingará diante do GD Fabril a derrota da primeira volta. Mas para que isso seja realidade, há que mobilizar os nossos adeptos, esperar que os atletas dêem o máximo do seu esforço e que a orientação técnica da equipa seja mais lúcida e audaz que em Novembro último.

Alentejo, 9 de Março de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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