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Os comboios no Barreiro– Um imperativo histórico-cultural e de desenvolvimento
Por Mário Durval

Parece que a RAVE está a apontar a cidade ferroviária para o Barreiro. Esta é uma boa decisão para o Barreiro e para os barreirenses. O apoio a esta decisão não tem nada a ver com bairrismo mas com o respeito pela história da cidade. O caminho-de-ferro faz parte integrante da vida desta terra desde há cento e cinquenta anos. Foi o caminho-de-ferro que permitiu o desenvolvimento do Barreiro durante mais de um século, pois ligou Lisboa e a indústria, ao sul.

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Os comboios no Barreiro – Um imperativo histórico-cultural e de desenvolvimento Por Mário Durval

Por Jornal Rostos

Primeiro, a indústria corticeira que se instalou nesta margem do Tejo, recolhendo a cortiça produzida no Alentejo e Algarve, vindo depois a industria dos adubos que circulavam a partir do Barreiro para os campos do Sul. Foi no Barreiro que se ergueu a primeira estação de comboio permanente onde ainda hoje a EMEF se encontra a laborar.
Foi ainda o caminho-de-ferro que forjou a cultura operária do Barreiro, consolidada através de inúmeras associações culturais e de classe e de lutas pioneiras e invulgares quanto à dimensão, figurando no currículo dos ferroviários a maior greve do movimento operário português com mais de oitenta dias consecutivos. Foi na linha de Sul e Sueste que o comboio fantasma foi concebido pela repressão do estado. Neste caso, para garantir que não havia sabotagem da linha, um vagão cheio de ferroviários à frente da locomotiva abria caminho aos comboios. Foi na chaminé da CP que surgiu a flutuar a bandeira do Partido Comunista numa longínqua manhã de Março.
Foi também o comboio que enclausurou a cidade contra o rio criando constrangimentos de mobilidade e crescimento ainda não ultrapassados.
Indiscutivelmente os comboios fazem parte do imaginário da cidade. São uma marca indelével para o bom e para o mau.

O facto desta decisão estar associada a outras medidas que melhoram a mobilidade do e para o Barreiro, vêm no sentido de o colocar como parte integrante da área metropolitana de Lisboa, onde é, indiscutivelmente, o centro geográfico. Esta medida é uma correcção duma situação anómala que o Barreiro tem protagonizado e que se consubstancia numa profunda depressão económica e social com roturas do tecido social. Poderá contribuir para se inverter este caminho de crescimento negativo quer do ponto de vista económico quer demográfico. Independentemente de algumas considerações de certos economistas defendendo outras localizações para os investimentos âncora que se perspectivam para o Barreiro, torna-se necessário afirmar que a correcção das assimetrias de desenvolvimento que puseram o Barreiro em queda livre, é absolutamente essencial para restabelecer os equilíbrios regionais e recuperar a “auto-estima da cidade”.

Por isto, os ditos estudos de localização não se devem cingir a custos interessando exclusivamente o custo final do comboio, mas sobretudo o impacto no desenvolvimento da região e da harmonização dos vários concelhos. O Barreiro exige/necessita este investimento por uma questão de justiça.

Mário Durval
– Concelhia do BE Barreiro
mariodurval@sapo.pt

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