AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEPara melhor está bem, está bem
Por Paulo Calhau
Mas existem agora boas razões para pensar que o Barreiro está a mudar e continuará a mudar – para melhor... certamente!

Por Jornal Rostos
Muito haveria para escrever esta semana acerca de tantos e tão variados aspectos da vida política nacional e internacional. Da derrota eleitoral do ditador Robert Mugabe à acentuação da repressão por parte das autoridades chinesas. Da anunciada escolha de Jorge Coelho para a presidência executiva da Mota-Engil às aplicações financeiras do Estado em diversos offshores. Da crise dos partidos da direita às contradições e distanciamentos da esquerda portuguesa. Das declarações de Jaime Gama a propósito do ex-“Bokassa da Madeira” subitamente convertido em “exemplo supremo da vida democrática”, ao postscriptum de João Carlos Espada dirigido ao recém-falecido Galvão de Melo.
Mas o que hoje verdadeiramente me apetece é partilhar convosco, caros leitores, a alegria pela decisão governamental da passada quinta-feira, que aprovou a travessia rodo-ferroviária Chelas-Barreiro.
Não sei se é a decisão mais acertada no âmbito da política de investimentos públicos do Governo. Não sei se é a opção de atravessamento do Tejo menos dispendiosa. Não sei se é a escolha mais adequada em termos de política de transportes da Área Metropolitana de Lisboa e de articulação com as futuras ligações ao Aeroporto de Alcochete e a Espanha pelo transporte ferroviário por alta velocidade. Mas sei – pelo menos pressinto – que é um momento histórico para o Barreiro. Um ponto de viragem.
Não partilho da visão pessimista de alguns Barreirenses – julgo que poucos – acerca dos impactes ambientais (e de outras naturezas) que poderão decorrer da construção da nova travessia do Tejo. Não tenho, de resto, saberes e competências que me habilitem a opinar sobre esse vector que, não sendo desprezível, não pode ser, em minha opinião, factor condicionante do desenvolvimento da nossa querida Cidade.
“Habituámo-nos” ao longo de décadas – de forma mais ou menos passiva e sob pretextos os mais diversos, e por vezes indecorosos e inaceitáveis – a ver o nosso Concelho esquecido e ostracizado pelo Poder Central do Estado Novo mas também pelo Estado Democrático. E, concomitante com o definhamento do tecido empresarial clássico – público e privado –, sofremos as consequências: desindustrialização, crise económica e demográfica.
Mas existem agora boas razões para pensar que o Barreiro está a mudar e continuará a mudar – para melhor... certamente!
A conclusão do Polis e do Fórum Barreiro, a construção da Ponte Chelas-Barreiro, a reestruturação do “território Quimiparque”, a reorganização do centro urbano e do “Barreiro Velho” poderão e deverão constituir-se como alavancas e forças motrizes para a revitalização industrial, urbana, demográfica, cultural e desportiva do Barreiro. Cidade desde logo recentrada na área Metropolitana de Lisboa, mais próxima e amiga do Tejo, pujante em indústrias de última geração e na reafirmação como “cidade ferroviária”, plural e arrojada nas manifestações culturais, rejuvenescida no movimento associativo, atractiva para as novas gerações de Barreirenses e para novos migrantes.
Acredito que estes novos projectos – em vias de conclusão ou em fase de visão/ideia/projecto – serão factores de crescimento e trarão desenvolvimento sustentado, renovação e modernidade à Cidade e ao Concelho do Barreiro. É que, como cantava Sérgio Godinho: “para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim”.
Barreiro, 6 de Abril de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)













