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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVEUm buldozzer, um aplauso e uma emoção
Por Paulo Calhau

Jorge Coelho tem toda a legitimidade para interromper a sua actividade política e partidária — longa, desgastante e respeitável. Não se discute a sua inalienável vontade de prosseguir uma carreira profissional, que encetou há sete anos — com mérito e sucesso, ao que julgo saber. Jorge Coelho será um homem incansável, muito intuitivo e superiormente inteligente. Como Valente de Oliveira, Ferreira do Amaral, Pina Moura e Armando Vara também serão. Mas não (?) havia necessidade! Pobre “política à portuguesa”...

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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE Um buldozzer, um aplauso e uma emoção Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

Buldozzer
“Buldozzer: aquele que intimida; viatura-lagarta com colherão para empurrar a terra na construção de estradas” (Dicionário Verbo Inglês-Português).
Jorge Paulo da Sacadura Almeida Coelho, 53 anos, é natural de Contenças – Beira Alta. “Buldozzer”, “Bombeiro” e “Coelhone” são três das alcunhas deste ‘peso pesado’ da política portuguesa que o país bem conhece e cuja recém-anunciada indigitação para o cargo de Presidente Executivo da Mota-Engil foi pretexto para tantos e tão diversificados comentários.
“Jorge Coelho é apenas o mais recente de uma lista de políticos que parecem querer governar-se e não governar. Ele bem pode queixar-se da injustiça com que é visto, mas, como diz o povo, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele” (Henrique Monteiro, Expresso de 5 de Abril de 2008). “No caso de Coelho... assume-se que quem foi ministro, poderoso dirigente partidário, quase líder do PS, só pode ser incompetente e incapaz e por isso só pode ser chamado para uma empresa para assim viabilizar tráfico de influências. Parte-se do princípio que quem serve para ministro de Portugal não serve para presidente executivo de uma empresa privada. E assume-se, deste modo, que quem o convida não pode ser sério, pois se convida um presumido incapaz só o pode fazer por razões ocultas e censuráveis” (José Miguel Júdice, Público de 11 de Abril de 2008).
As palavras de Henrique Monteiro e de José Miguel Júdice que acima reproduzi, atestam a delicadeza desta nomeação do ex-político profissional Jorge Coelho para a liderança de uma das mais poderosas e influentes empresas de construção civil e obras públicas de capitais nacionais. E revelam diferenças de opinião e pluralidades de pontos de vista, sempre fecundos e salutares em democracia. Manda a verdade dizer e reconhecer que, neste campeonato de apreciações positivas ou negativas, Jorge Coelho saiu até ao momento claramente perdedor e, acrescento eu, beliscado e chamuscado. Mas nem sempre com os argumentos mais sérios e credíveis.
José Miguel Júdice adianta ainda que “está instalada em Portugal uma atmosfera miasmática, doentia, que enlameia tudo e todos. Esta atmosfera nasce em blogues e comentários anónimos em jornais on-line... A regra é simples: atiram-se pazadas de lama, assume-se como pressuposto as más intenções e a falta de seriedade, foge-se à coragem e à dignidade cívica de apontar em concreto os motivos de tais suspeições e de investigar com rigor a história passada dos que se tenta enlamear... A regra é velha: caluniai. Caluniai, que da calúnia fica sempre alguma coisa”.
José Miguel Júdice tem razão no diagnóstico que faz, mas creio que está equivocado quando quer extrapolar essa sua preocupação — também minha — para o caso presente. Justamente porque Jorge Coelho não é um cidadão qualquer. Ele foi nas últimas duas décadas um dos mais importantes quadros do PS, responsável pelo ‘aparelho’ e pelas finanças do partido. E foi, entre outros cargos públicos, ministro de várias pastas governamentais, com realce para a das Obras Públicas, tendo negociado importantes contratos e concessões entre o Estado e aquela empresa. Por isso compreendo — como muitos outros cidadãos — que a partir de agora toda a desconfiança estará presente quando a Mota-Engil vencer qualquer um dos (felizmente) muitos concursos públicos que se perspectivam para os próximos tempos. Jorge Coelho tem toda a legitimidade para interromper a sua actividade política e partidária — longa, desgastante e respeitável. Não se discute a sua inalienável vontade de prosseguir uma carreira profissional, que encetou há sete anos — com mérito e sucesso, ao que julgo saber. Mas não posso concordar com a opção que teve. Legal, mas eticamente discutível. Ingrata e perigosa. Ainda que corajosa e temerária.
Jorge Coelho será um homem incansável, muito intuitivo e superiormente inteligente. Como Valente de Oliveira, Ferreira do Amaral, Pina Moura e Armando Vara também serão. Mas não (?) havia necessidade! Pobre “política à portuguesa”...

Aplauso (condicional)
RTP1, 7 de Abril. A decisão fora efectivada alguns dias antes em Conselho de Ministros. A designada Terceira Travessia do Tejo ligará Chelas ao Barreiro. Ainda assim, anunciado como debate derradeiro, voltou a discutir-se no programa “Prós e Contras” a opção Beato-Montijo. Com a excepção do autor e da defensora de um inenarrável e mentiroso desenho da futura ponte e do seu suposto impacte negativo na paisagem da capital, vi bom-senso, seriedade intelectual e vontade de esclarecimento na generalidade dos participantes.
A intervenção de Carlos Humberto foi positiva, como alguns leitores de Rostos on-line manifestaram em testemunhos aqui publicados, e aos quais me associo. O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro — também Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa — foi inteligente na mensagem, adequado no tom, certeiro nos objectivos. Conhecida a escolha governamental, que ao contrário do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa deverá ser definitiva, Carlos Humberto preferiu salientar a importância da opção Chelas-Barreiro no contexto da Área Metropolitana de Lisboa, fugindo a fáceis retóricas de interesse local. A batalha — na qual a sua acção política individual terá sido relevante — estava previamente ganha e isso foi decisivo para o conteúdo argumentativo do presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Carlos Humberto marcou ainda ‘pontos’ quando relembrou — como eu aqui deixara expresso na crónica anterior — que o Barreiro tem sido votado ao esquecimento pelo Poder Central e que a decisão governamental virá repor parte dessa flagrante injustiça. É claro que a crise do Barreiro tem outras razões e outros fundamentos complementares. Mas essas serão discussões e combates a travar mais tarde, quando a luta eleitoral autárquica de 2009 aquecer.
O PCP não pode arvorar-se na única força política triunfante neste processo. Não será sequer aquela que desempenhou o papel decisivo. Ana Paula Vitorino (Secretária de Estado dos Transportes) e Eduardo Cabrita (Secretário de Estado-Adjunto do Primeiro-Ministro e Secretário de Estado da Administração Local) terão sido fundamentais na vontade, de há muito conhecida, do Primeiro-Ministro José Sócrates. Que consequência poderá ter esta decisão governamental, a discussão local da paternidade e a sua relevância para o eleitorado Barreirense no desenlace da próxima pugna autárquica?
Miguel Sousa Tavares na sua crónica semanal do Expresso concluía ontem que “a nova ponte Chelas-Barreiro não serve para nada. Isto é, serve para alimentar o lóbi das obras públicas, o mais poderoso do pais, e a crença de que o Estado deve ser o motor da economia e o maior cliente da mal chamada iniciativa privada...”. O jornalista-escritor, que aprecio pela combatividade e inteligência, mas cujas opiniões me parecem por vezes pouco fundamentadas, teimosas e arrogantes, admitiu que “meditando no assunto, cheguei a esta conclusão, seguramente absurda”. Bem me parece...

Emoção
Escrevi aqui, em 11 de Abril de 2007: “ Celebra-se esta noite o 96º aniversário do Futebol Clube Barreirense, em sessão solene que terá lugar no Ginásio-Sede do prestigiado, histórico e popular clube do Barreiro. É verdade que ainda me emociono com o momento da entrega dos emblemas aos associados com 25 e 50 anos de filiação. É verdade que continuo a aplaudir com redobrada energia os nossos mais recentes campeões nacionais. É verdade que me agrada reencontrar consócios e amigos que as circunstâncias da vida apenas permitem rever a espaços. Mas confesso que, ano após ano, vou ficando algo cansado e um pouco saturado pelo formato e conteúdo − monótono e repetitivo − do nosso “11 de Abril”... Assistirei esta noite, como é habitual e politicamente correcto neste tipo de cerimónias, a um desfilar de discursos e intervenções de personalidades institucionais e de convidados − mais ou menos ilustres e significantes no contexto político e desportivo local, regional e nacional − glosando o passado riquíssimo do FCB e desejando que o seu futuro seja próspero e fecundo”.
Não renego as minhas palavras de há um ano. Mas reconheço que foram proferidas num contexto histórico algo diferente do actual e, sobretudo, num estado de alma distinto do presente. Desta vez, foi então com indescritível e manifesta emoção que, na noite de sexta-feira, recebi o meu emblema de ouro, testemunho de 50 anos de filiação ao meu querido Futebol Clube Barreirense. A cerimónia foi partilhada por cerca de duas centenas de associados que tiveram a oportunidade de assistir a uma magnífica intervenção do jornalista Fernando Correia, decano dos jornalismo desportivo nacional que, apesar da sua pública e assumida filiação sportinguista, tem um longo e riquíssimo percurso profissional, distinto e exemplar de competência e independência. Na sua intervenção, tal como as também excelentes intervenções de Regina Janeiro (Vereadora do Desporto e Cultura da Câmara Municipal do Barreiro) e Simões Coimbra (Vice-Presidente da Assembleia-Geral do Futebol Clube Barreirense) foi feita referência ao meu livro “PROVA DEVIDA – Estórias e Memórias do meu Barreirense”. Fiquei naturalmente feliz pelas referências, senti uma alegria imensa pela circunstância, concluí que as centenas de horas dedicadas à sua concepção, preparação e redacção não foram inconsequentes e poderão constituir-se como um valioso contributo para o Clube e o Barreiro.
Dois dias antes, tive com Ana Sá Lopes (Editora de Política/Nacional do Diário de Notícias), em trabalho de reportagem no Barreiro, que se estendeu por três dias e que alguns de vós terão lido na edição de ontem, uma fantástica conversa de cerca de três horas, que decorreu da leitura que a jornalista fizera de “PROVA DeVIDA” na noite anterior. Confessou-me ter gostado muito, o que me não foi indiferente, bem pelo contrário. Mas, sobretudo, revelou ter percebido a importância do Futebol Clube Barreirense no contexto desportivo, social e cultural do Barreiro. Nesse final de tarde sei que fiz uma nova amiga pessoal e uma simpatizante deste extraordinário esforço colectivo e devir intangível que dá pelo nome de Futebol Clube Barreirense.
Parabéns Barreirense!!!

Cinco breves apontamentos finais
1. O Governo de Sócrates parece estar agora em período de recuos e arrependimentos. Numa estratégia oportunista, a um ano de eleições gerais. Não se poderão estudar melhor os dossiers, para ser depois mais ponderado e reflectido nas decisões?
2. “Os homens não se medem aos palmos”. Não parece ser esse o entendimento do Presidente de França, Nicolas Sarkosy. Os seus 1.65m parecem ser incómodos. Nada que uns tacões altos não ajudem a minorar.
3. “De Espanha nem bom vento nem bom casamento”. Mas a recentemente empossada nova equipa ministerial de Jose Luis Zapatero, pela primeira vez maioritariamente feminina, indicia que dos nossos vizinhos ibéricos também pode vir o bom exemplo.
4. Pinto da Costa continua a disparar em todas as direcções. Apoiado, sabe-se lá como e porquê por gente respeitável e responsável. É a voz do culpado, sem escrúpulos e sem vergonha.
5. Derrota in extremis do Barreirense em Ovar, no jogo 1 do play-off de atribuição do título da Campeão da Liga Profissional de Basquetebol. Nada está perdido. Jogo 2 amanhã (Ovar) e jogo 3 no Barreiro (quinta-feira). É preciso continuar a acreditar. Vamos apoiar o Barreirense!

Boa semana para todos. Até Domingo próximo.

Barreiro, 13 de Abril de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

NOTA DA REDACÇÂO

Paulo Calhau Emblema de Ouro

Na sessão solene do 97º aniversário do Futebol Clube Barreirense, o colunista do jornal "Rostos", Paulo Calhau, recebeu o emblema de ouro, que assinalam os seus 50 anos de associado.
Foi um momento emocionante e inesquecível para pai e fillho.
Aqui fica o registo. Parabéns Paulo Calhau.


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