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Ainda a (Boa) EducaçãoPor Nuno Cavaco

Não basta sermos educados, ou melhor mais bem-educados e continuarmos a ser os mais pobres. Parafraseando Batista Bastos, “nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento e nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento.” A célebre máxima – probezitos mas honraditos, já não nos pode servir, sejamos nós professores, médicos, enfermeiros ou operários.

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Ainda a (Boa) Educação Por Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos

Escrevo este artigo de opinião, não por ser especialista em educação, mas sim por considerar que o que faz falta para se melhorar o Sistema de Ensino em Portugal é mais discussão e mais debate.
Estudei 19 anos, sempre em Instituições Públicas, com excelentes professores. Sempre fui avaliado e sempre percebi o porquê desta avaliação. Penso que a grande questão está precisamente aqui. Os professores não percebem o porquê desta nova avaliação!
Na minha perspectiva e na perspectiva de alguns professores que comigo falam e que me referem que sempre foram avaliados, esta nova avaliação não serve para melhorar o nosso Sistema de Ensino mas, para reduzir vencimentos e classificar os professores em bons e maus, e mais grave, em necessários e desnecessários. Também estes professores me disseram que a sua classe não foi ouvida e portanto não houve abertura para uma discussão profunda com o objectivo de melhorar o Sistema de Ensino no nosso país.
Por isto, não é estranho que os professores protestem e que se tenham manifestado mais de 100 000 em Lisboa. O que é estranho é que o governo e os seus apoiantes considerem que estes 100 000, são comunistas, apesar de alguns conhecidos socialistas, como a esposa de António Costa, tenham juntando a voz a este protesto.

Também considero estranhas as referências avulsas de que alguns delegados sindicais não trabalham e são maus, de que uns quantos professores são horríveis, sem nunca tecer as mesmas considerações sobre os nossos governantes e as suas políticas.
Atacar partidos políticos para escamotear a situação é no mínimo não querer resolver o problema, que não é tanto a defesa da classe dos professores, mas sim, a defesa de um Ensino Público Universal de qualidade, que garanta então que melhores “seres humanos e consequentemente numa sociedade mais justa” possa florescer. Mas a defesa de uma Ensino Público Universal de qualidade não se coaduna com o desinvestimento feito pelos sucessivos governos nos últimos anos e nem com a hostilização da classe docente. Esta defesa passará também por um Ministério da Educação que trabalhe para melhorar a qualidade do ensino, garantido boas condições de trabalho a quem ensina e a quem suporta o sistema, por um Ministério da Educação que procure que em todas as escolas se ministre um Ensino de qualidade e não por um Ministério da Educação que desconcentre serviços, desresponsabilizando-se das tarefas que lhe estão inerentes, enfim, da sua missão.

A Educação é sem sombra de dúvida um dos pilares da Sociedade e para que nós portugueses nos aproximemos dos níveis médios de qualidade de vida dos europeus não podemos esperar que todos os problemas se resolvam com mais e melhor educação. O caminho para este desígnio nacional tem também por base o aumento dos salários, reformas e pensões, a diminuição da precariedade no emprego, um melhor Serviço Nacional de Saúde, uma Justiça célere e eficaz e uma Fiscalidade justa.
Não basta sermos educados, ou melhor mais bem-educados e continuarmos a ser os mais pobres. Parafraseando Batista Bastos, “nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento e nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento.” A célebre máxima – probezitos mas honraditos, já não nos pode servir, sejamos nós professores, médicos, enfermeiros ou operários.

Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP

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