A estátua dos equívocos -- Falácia ecológicaPor José Caro Proença

Por Jornal Rostos
Eis alguns:
Primeiro equívoco – o dos sequazes do momento pespegarem a estátua na cabeça (lado nascente) do, então, parque Municipal “Oliveira Salazar”.
O curial seria ali estar a figura do ditador, a completar a toponímia daquele espaço ecológico. Jamais ocupá-lo com a memória do proeminente sustentáculo económico do regime. O Estado Novo que morreu (25 de Abril 1974) como nasceu (1933): Salazarenho.
Assim, a idolatria dual da época ter-nos-ia evitado o burburinho estulto ora decorrente.
Segundo equívoco – não erigir a estátua devida à memória de Alfredo da Silva logo após a sua morte (1942) em lugar adequado: o do arranque da “obra” do grande industrial no Barreiro (>1907). Sítio ainda identificado pelo vulgo de Largo da(s) Obra(s) e a que os iluminados municipais apuseram o nome de Alexandre Herculano. Hoje não existiria a polémica da prevista trasladação.
Terceiro equívoco – o do risível e crasso argumento de manter no poisio actual a estátua do “Criador” do Barreiro e, implicitamente, “pai” de todos nós, barreirenses.
Apre… É demais!
O Povo meu irmão, já iniciara e viu passar o comboio do progresso tecnológico, afim à revolução industrial, a sul do Tejo, meio século antes (1869/61) da CUF se instalar no território de uma antiga “corticeira”, adquirido ao grupo empresarial-industrial Bensaúde, em 1907. Aliás, a génese do Barreiro operário industrial começou antes do nascimento de Alfredo da Silva (1871).
Mas o dislate de proeminente político e eleito municipal, é ainda mais grave por aventar o nome “Ponte Alfredo da Silva” para a TTT (Terceira Travessia do Tejo, Chelas/Barreiro). Só falta o concerto de campanário provinciano advogar a substituição do topónimo Barreiro pelo do putativo “CRIADOR” da nossa, e só nossa, secular comunidade. Daí adviria o ápodo anacrónico “Cidade de Alfredo da Silva & Mellos” – seus herdeiros e netos.
Basta de bastardice de subúrbio de quem deseja ser “filho…” de qualquer padrinho ou padrasto espúrio a sê-lo de progenitor genuíno. No caso em apreço tal é el-rei D. João II. Um Príncipe Perfeito por excelência, a quem o Barreiro e sua Grei deve a identidade legal e administrativa, dada a 12 de Fevereiro de 1487.
Todavia, a memória do “HOMEM” mais digno da história de Portugal continua ostracisada da perenidade toponímica e escultórica da freguesia do Barreiro, sua genuína “criação” há 521 anos. Para que a desmemória e a ingratidão não vença e não prolifere,… do cidadão nado, registado e criado no ventre do Barreiro Velho (Pátio dos Bichos) há mais de 80 anos, José Caro Proença.
Juízo pessoal – A TTT deve chamar-se tão-só Ponte do Barreiro. Ou a personalizá-la, designar-se Ponte Álvaro Velho do Barreiro – o vulto mais culto nosso avoengo. Isto para a adequar à Ponte Vasco da Gama a montante.
Pois se o Gama simboliza a “Missão” que culminou no maior feito náutico da História da Humanidade (segundo o Prof. Inglês Arnold Toynbee, o manuscrito dito “Álvaro Velho do Barreiro” – arquivado na Biblioteca Pública Municipal do Porto com a cota nº 804--, corresponde à mensagem da epopeia gâmica; códice quatrocentista (1497/1499) que Luis de Camões teria utilizado para poetizar “Os Lusíadas” do primeiro verso ao último canto.
Assim, irmanava-se as duas pontes como irmanadas estiveram a “Missão” do Gama e a “Mensagem” de Álvaro Velho do Barreiro.
Tontice senil a minha? Hurra pueril vizinha.
José Caro Proença













