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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE`Futepol´
Por Paulo Calhau

Compreendo que o PS e o Governo se sintam discordantes e injustiçados com as apreciações contidas no documento da SEDES divulgado há alguns dias. Mas não apreciei a forma como reagiram dirigentes e deputados do PS (Manuel Alegre e Vitalino Canas) e alguns ministros (Jaime Silva e Manuel Pinho), revelando falta de confiança e de serenidade. Exige-se segurança e firmeza ao Governo da República. Censura-se a sobranceria e a intolerância.

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AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE `Futepol´ Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

Já não surpreende. A imprensa escrita da cidade ignorou, uma vez mais, a Assembleia Geral do Futebol Clube Barreirense (FCB) realizada há pouco mais de uma semana. E foi pena. Porque foi uma AG importante.
De há muito que venho participando, com a regularidade possível, nas AG do FCB. Por isso estou bem colocado e relativamente à vontade para exprimir a opinião de que a AG de 4 de Julho foi importante, quiçá histórica, para o presente e o futuro do meu Clube.
O compromisso foi assumido pelo Presidente Manuel Lopes, desde a venda de parte do património físico do FCB. O Clube construirá o seu pavilhão gimnodesportivo. Quando? Não sei, não sabemos. Mas sei, sabemos, que a palavra dos homens sérios vale tanto como uma assinatura. Nunca duvidei, nunca duvidámos, de que iremos ser capazes de erguer uma obra que constituirá uma poderosa alavanca para o crescimento e o desenvolvimento do basquetebol. Ainda assim, um conjunto de associados – em que me incluo – sentiu a necessidade de se organizar e disponibilizar-se para, em conjunto com a Direcção, desenvolver um conjunto de reflexões, contactos e acções tendentes a acelerar um processo que se antevê tão difícil quanto estimulante. O Arqº Carlos Martins Pires encabeçará a Comissão Pró-Pavilhão. Boa sorte para toda a equipa que o acompanhará.
A relevante intervenção do Dr. José Paulo Rodrigues acentuou a importância de o FCB caminhar para um obrigatório equilíbrio orçamental. Condição sine qua non para a sustentabilidade e a perenidade do FCB. Sem esse equilíbrio o FCB estará condenado ao maior e mais arrasador dos fracassos: a morte. A Direcção pareceu aceitar esse objectivo supremo. Ficou mesmo tranquila pela aparente adesão dos associados presentes a uma preocupação que os mais responsáveis e os mais ponderados têm como inevitável. Vale a pena, então, abdicar transitoriamente de uma ilusória capacidade competitiva – no futebol e no basquetebol – para consolidar o clube. Construindo as instalações mais prioritárias – estádio de futebol e pavilhão para o basquetebol – e, não menos imprescindível e urgente, reformulando a máquina administrativa – pesada, onerosa e ineficaz. Manuel Lopes sabe, que estou solidário nessa luta. Como muitos outros. Que não desesperam com as dificuldades do presente e acreditam no futuro do FCB.

A decisão está tomada. Carlos Queirós vai ser o seleccionador nacional de futebol nos próximos quatro anos. Concordo com a escolha. Como aqui expressei há duas semanas. Foi uma escolha natural. Pelo prestígio do técnico. Pela sua experiência. Pela sua capacidade.
Para além de assumir a responsabilidade pelo futebol sénior luso – onde estará pressionado a repetir os bons resultados alcançados pelo seu antecessor – Carlos Queirós terá também um papel que reputo de ainda mais importante – reorganizar o futebol jovem, sector que conheceu evidente retrocesso na última década e que Luís Felipe Scolari não pareceu abraçar com particular entusiasmo e competência.
Com Carlos Queirós espero uma selecção sénior mais evoluída tacticamente e com um melhor aproveitamento do seu maior talento individual – Cristiano Ronaldo – que Scolari nunca potenciou a um nível semelhante ao obtido pela dupla Ferguson-Queirós no Manchester United.
O regresso de Carlos Queirós à selecção portuguesa – após uma saída em rotura com a Federação Portuguesa de Futebol há já catorze anos – não será isento de escolhos e armadilhas. Pressupõe-se que tenha agora exigido uma nova dimensão organizativa dos dirigentes federativos nacionais. Mas duvida-se que tudo venha a correr sem sobressaltos. Eu, pelo menos, não acredito.

“Escravo dos tempos modernos”. Foi assim que o Presidente da FIFA caracterizou a presente situação de Cristiano Ronaldo que, como é público, pretende ver concretizada a sua transferência para o Real Madrid. Joseph Blatter acrescentou: “se ele quer jogar noutro lado, então tem de ser encontrada uma solução, porque se um jogador ficar num clube onde não se sente confortável, então isso não é bom para ninguém”.
Estranhas, no mínimo, as declarações do líder máximo do futebol internacional. Fazendo tábua rasa do necessário cumprimento de compromissos e contratos, não me parece estar a prestar um bom serviço à modalidade `rainha´, entreabrindo as portas a processos perigosos e, em minha opinião, perversos.

A notícia chegou-me discreta. Num fundo de página. A oitava. Do EXPRESSO de ontem. Titulada “Director do PS expulso por PSD e PCP” dela constava o seguinte texto que cito na íntegra: “Auditoria. Apenas com os votos contra do PS, a Câmara de Vila Real de Santo António demitiu e expulsou dos quadros da administração pública o director financeiro desta autarquia. Uma auditoria interna, ordenada pelo presidente Luiz Gomes, provou que este quadro adjudicava trabalhos a empresas de que era sócio-gerente e fazia a contabilidade de 60 outras firmas, violando o seu estatuto profissional”.
Triste. Lamentável. Penoso. Depois queixam-se que os portugueses estão desiludidos, cansados, distantes e revoltados com esta classe política. Que se governa. Que nos desgoverna. E nos desconcerta.

Vulgar. A entrevista do “bloquista” Miguel Portas à VISÃO. Ainda assim com aspectos interessantes. Em resposta à pergunta “Ainda é comunista?” o eurodeputado confessa que “sou, no sentido em que continuo a pensar que é possível ao Homem construir uma sociedade de abundância, em que o Estado seja dispensável e em que a sociedade seja capaz de se organizar e de se auto-administrar, distribuindo essa abundância de forma igualitária, para que cada um possa seguir os seus caminhos sem atropelar o próximo. É essa a ideia de que é possível um outro mundo assente, não na propriedade ou no que se tem, mas no que se pode ser, que preside ao comunismo e, também, ao anarquismo, bem como a todas as utopias passadas”.
Será que Miguel Portas – utopista-anarco-comunista – para quem “o comunismo é uma grande religião laica” acredita mesmo nas suas palavras? Grande e devoto crente.

A SEDES apresentou a sua “Tomada de Posição”. Passaram alguns dias. Mas continuo sem entender a reacção do PS e do Governo de José Sócrates. Foi desajustada e agressiva. Nervosa e infeliz. Cheirou a revanchismo e a desagravo. Contra o Professor Luís Campos e Cunha, Ministro das Finanças por escassos quatro meses do `consulado socrático´ e actual Presidente daquela associação cívica e política.
Compreendo que o PS e o Governo se sintam discordantes e injustiçados com as apreciações contidas no documento. Mas não apreciei a forma como reagiram dirigentes e deputados do PS (Manuel Alegre e Vitalino Canas) e alguns ministros (Jaime Silva e Manuel Pinho), revelando falta de confiança e de serenidade. Exige-se segurança e firmeza ao Governo da República. Censura-se a sobranceria e a intolerância.

Boa semana para todos. Até Domingo próximo.

Barreiro, 13 de Julho de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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