Escola Superior de Tecnologia do BarreiroPrestigia a Freguesia do Lavradio, esta cidade, o Distrito de Setúbal
Por Manuela Fonseca
Estais no caminho da busca, projecção e implementação de um rumo consistente que faça História no desenvolvimento do Distrito de Setúbal, ainda em fase, dolorosa, de desbravar caminhos de progresso e pão, vividos com dignidade, consentâneos com os valores e as necessidades do século em que vivemos.

Por Jornal Rostos
Caros Professores João Vinagre Santos e Otília Dias
Colaborei, como elemento do Instituto Politécnico de Setúbal, com a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, em complemento do meu horário na Superior de Educação, na leccionação da disciplina de Técnicas de Comunicação, em turmas do segundo ano do Curso de Engenharia Civil, inseridas nos regimes diurno e nocturno, durante os anos lectivos de 2004-2005 e 2005-2006.
Habituada, durante muito tempo, a trabalhar com discípulos da área de Ciências Sociais e Humanas, foi com entusiasmo que me preparei para o novo desafio, tendo como público pessoas de perfil científico e tecnológico, com quem desbravei caminhos da escrita e da leitura, penso que com êxito, numa perspectiva eminentemente denotativa e funcional do ensino da Língua Portuguesa, um pouco diferente do que fiz, ao longo de duas décadas, no meu local original de produção intelectual.
Cheguei a considerar que seria interessante concluir quase quatro dezenas de anos da actividade que me formou, apaixonou e que tantas alegrias me deu na instituição que, superiormente, dirigis, nas respectivas funções de Director e Presidente do Conselho Pedagógico, mas a vida nem sempre é como desejamos e tal não pôde concretizar-se.
Ficaram-me as saudades de colegas, alunos e funcionários, de um clima de escola excelente, bem como a certeza de um futuro meritório para a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, não por artes mágicas, certamente interessantes em outros contextos, mas pela objectividade do que já desenvolvestes e pelos desígnios de novos dias com fortes alicerces.
Alicerces que são, permiti-me a analogia, aliás, uma das vossas especialidades sob o ponto de vista físico e que, simbolicamente, também tendes cultivado, os olhos no desenvolvimento da nossa região através de uma referência no Ensino Superior Politécnico que procurais, desejais e traçais em tantas horas, roubadas à vida familiar e ao descanso a que tendes direito.
Estais no caminho da busca, projecção e implementação de um rumo consistente que faça História no desenvolvimento do Distrito de Setúbal, ainda em fase, dolorosa, de desbravar caminhos de progresso e pão, vividos com dignidade, consentâneos com os valores e as necessidades do século em que vivemos.
Convidada por vós, há vários meses, para conhecer a nova EST / Barreiro, pude fazê-lo recentemente, por acaso em dia de aniversário do meu filho mais velho, Rui Sérgio, que, com o meu marido, me acompanhou na visita demorada que me proporcionastes. O rapaz sentiu o encontro com essas excelentes instalações (numa arquitectura, externa e de interiores, virada para o trabalho feito em conforto e para o prazer de estar e viver a cidadania, convocando o meio social envolvente) como a melhor prenda que lhe foi dada.
A vossa instituição prossegue um trabalho, meritório, que prestigia a Freguesia do Lavradio, esta cidade, o Distrito de Setúbal. Falta ainda a essa casa (de ensino e aprendizagem, cultura e formação) o tempo que lhe dê mais visibilidade como, em entrevista ao jornal Voz do Barreiro, datado de 25 de Julho do ano em curso, o Engenheiro João Paulo Santos, meu querido amigo, o vosso primeiro diplomado, afirma: “ (…) a escola não é ainda tão conhecida como gostaríamos (…). Aliás isso só é possível reverter com o tempo e com os novos formandos a sair.”
Convosco, os mais experientes, e com os mais jovens, o citado João Paulo Santos, a Cláudia Germano, pioneira na obtenção do grau académico de Mestre entre os que já diplomastes com a Licenciatura, outros, como vós e como eles, sabedores e trabalhadores entusiastas, construtores de presente e de futuro em Escola que, em hora feliz, retoma a nossa tradição ligada à Ciência Química, esta Cidade avançará. É uma certeza que tenho, que nós, Barreirenses, temos, nas potencialidades que a mesma desenvolverá e nos dará.
Ao terminar, desejo, nas vossas pessoas, as maiores felicidades para todos os que compõem a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, que nos remete, pela rua em que se insere, para um dos sábios que esta cidade deu, Mestre Américo Marinho, Professor e Pintor ilustre. Ele e a EST / Barreiro merecem tal cruzamento, feliz, de memória com os dias de hoje e o porvir.
Instituição que é uma mais-valia para a Urbanização dos Fidalguinhos, com flores e pássaros que nos deliciam enquanto a conhecemos e vos deliciam, certamente, enquanto laborais. A nossa EST traz-me, nos aromas que a impregnam, o excerto de um dos belos textos poéticos do mais célebre artista da palavra que o Lavradio e o Barreiro deram ao Mundo, Joaquim Pessoa, em Morte Absoluta (1974) que encarna, suponho, a vontade dos que, aqui, temos sido moldados e moldamos a vida:
“Nada tem a força de uma rosa. Uma fresca rosa levantando o rosto contra as veias da terra, contra o escuro outono *. Uma rosa de força, de sangue, de coragem.”
Queiram receber um abraço da
Manuela Fonseca **
(Agosto de 2008)
* Sic, no original.
** Colunista do Jornal Rostos.













