Barreiro Positivo!Por Nuno Banza

Por Jornal Rostos
Falar de inveja e invejosos e de gente boa do Barreiro e má de fora do Barreiro, não me faz qualquer sentido, pela manifesta falta de capacidade para perceber a utilidade de tal discussão, a não ser haja nisso um qualquer objectivo superior para o Barreiro. Com certeza muitos poderão dar mais e melhores contributos para esta discussão das famílias e da gente boa e má, mas não resisto a deixar uma breve nota que o já falecido José Pedro da Costa muitas vezes me disse. No Barreiro existiam duas famílias conhecidas pela sua boa situação social e financeira. A família Costa e a Família Xavier. Estas, naturais do Barreiro, eram detentoras de áreas significativas de terrenos e de algumas actividades económicas. O Dr. José Pedro da Costa, que se dizia muitas vezes incompreendido: "Se eu fosse o Vitorino Nemésio toda a gente ligava ao que eu digo, assim como sou o José Pedro da Costa, todos acham que eu sou maluco!" relatava várias peripécias, de como a sua família foi expropriada pelo Estado para que se construíssem as Oficinas da CP no Alto do Seixalinho há cerca de 150 anos, terreno esse que foi mais tarde vendido pela própria CP para dar origem a uma urbanização "da Escavadeira", sem que a família fosse justamente ressarcida da sua perda, ou sequer tivesse direito a ser compensada.
Talvez fosse interessante analisar a evolução social da riqueza em Portugal, e a sua associação aos títulos nobiliárquicos. Porque de facto não se conhecem (eu pelo menos não conheço) casas senhoriais no Barreiro, que pudessem ter dado origem a famílias ricas, como é o caso da Casa de Palmela, bem perto daqui. Já no Lavradio, terra de tradição mais "nobre" representada até na corte pelo Palácio do Marquês do Lavradio, há registos de vários membros da nobreza, que malogradamente nunca se fixaram e não deram por isso origem a fenómenos como o do aparecimento de “mecenas”, figuras tão importantes do passado histórico de muitas cidades da Europa central e do Sul, como foi o caso da Flandres, das cortes do império Austro-Hungaro ou mesmo Paris, Roma, Veneza, entre muitas outras. Este fenómeno, quase inexistente em Portugal, foi resultante do florescer já à altura de uma classe média, mercantilista, que alocava parte da sua riqueza a obras de mecenato cultural e social. Não é alheio a este facto a quase totalidade da população dos países baixos ter uma taxa de analfabetismo quase nula desde há mais de 200 anos. Não é alheio a este facto a quantidade de artistas da renascença e até de épocas posteriores, que países como a Itália deram ao mundo. Será porque eram mais dotados que os Portugueses? Não acredito! Será porque eram mais apoiados e incentivados? De certeza que sim. Mas e assumindo que há neste raciocínio algum fundo de verdade, este não nos deve deixar tristes nem desanimados. Antes nos deve ajudar a traçar um caminho de maior união e solidariedade, na procura de uma estratégia comum de competitividade saudável e construtiva, que coloque outra vez o Barreiro na linha da frente. Quase que me apetecia dizer que o Barreiro devia ter uma Associação dos Amigos do Barreiro e dos Barreirenses.
Nuno Banza













