DESPORTO À PORTUGUESAMedalha de lata
Por Paulo Calhau
“Pequim 2008” acabou. Vem aí “Londres 2012”.
Vicente de Moura poderá vir a ter uns patins prontos a calçar. Mas merece uma medalha. Qual? Talvez... de lata.

Por Jornal Rostos
Abril de 2008. Faltam cem dias para a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. José Vicente de Moura (JVM) – Presidente do Comité Olímpico Português (COP) – em entrevista à agência Lusa, divulga, pela primeira vez, que condicionará a sua recandidatura a novo mandato no COP ao cumprimento de objectivos muito concretos. Isto é, de resultados. Quais? A obtenção de quatro medalhas e sessenta pontos.
JVM considerava, por essa altura, que Portugal teria a melhor e a maior representação de sempre. Quase oito dezenas de atletas que, em sua opinião, haviam beneficiado de condições de treino e preparação nunca anteriormente disponibilizadas.
A primeira parte da presença da delegação portuguesa por terras do oriente foi, como todos ainda se recordam, pobre e decepcionante em resultados. E surpreendente. Por declarações infelizes e infantis de alguns atletas. Mas também pela intervenção desajustada e inoportuna de JVM ao 12º dia de competição. Ele confundiu a bota com a perdigota. Misturou alhos com bogalhos. E meteu no mesmo saco resultados desportivos, declarações de atletas – feitas “a quente” no desespero da derrota –, suspeições de falta de “brio e profissionalismo”, críticas ao “sistema desportivo”, propósitos de “autopunição” (o termo foi mesmo esse!).
Aos setenta anos – e prestes a encerrar um ciclo de quatro mandatos consecutivos na presidência do COP – esperava-se de JVM outra responsabilidade e serenidade. Mais maturidade e coerência.
Poucos dias passados, arrepiou caminho. Justificou-se ingloriamente e grotescamente com os sucessos de Vanessa Fernandes e Nelson Évora. E o “comandante” mostrou disponibilidade para reconsiderar a decisão de abandonar o cargo de presidente após os Jogos Olímpicos.
Diz contar com “apoio para continuar”. Para repensar o “sistema desportivo português”. Com quem? Com as Federações, claro. Com os “Madail” e os “Saldanha” do nosso descontentamento...
O Governo aguarda agora que o COP lhe envie o relatório com a avaliação da participação nacional. “Pequim 2008” acabou. Vem aí “Londres 2012”. JVM poderá vir a ter uns patins prontos a calçar. Mas merece uma medalha. Qual? Talvez... de lata.
APOSTILA: Felizmente que pude, em boa parte do Agosto que agora findou, “desfrutar o sol, o campo e o mar [e] mergulhar na leitura e na reflexão” como antevira na crónica de 27 de Julho. Essa foi a última peça da série “AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE”. Aproveitei para rever e compilar de forma cronológica todos os textos que publiquei desde 2005 no ROSTOS.
Questionei-me acerca desta experiência, que encetei de forma algo inesperada em 18 de Novembro de 2005 com o texto “Lutar pelo Barreirense … sempre! Chorar por Ele … às vezes (carta a Manuela Fonseca)”. Ao longo destes já quase três anos, fui adquirindo uma percepção acrescida da responsabilidade que assumira. Pela multiplicidade dos temas que abordei. Pelas posições que assumi. Pelas críticas que dirigi. Julgo tê-lo feito sempre “Com liberdade. Com responsabilidade. Com rosto” – como escrevi em 18 de Maio de 2008.
Ponderei por estes dias suspender (temporariamente?) a minha participação em ROSTOS. Mas o gosto de escrever e de contribuir para o crescimento diversificado e plural deste projecto comunicacional foi mais forte. Pelo que aqui estou. De novo.
Conto prosseguir nos próximos meses uma crónica regular, mas sem periodicidade pré-definida. Dedicada ao desporto. A que resolvi atribuir o título “DESPORTO À PORTUGUESA”.
Espero que leiam e apreciem. E, sobretudo, que comentem e critiquem.
Barreiro, 1 de Setembro de 2008
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)













