Atletas Paralímpicos de PortugalPor Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos
Uma ilustre profissional de saúde, minha conhecida, fisioterapeuta que trabalha com crianças e jovens portadores de paralisia cerebral, costuma dizer que eles são, pelos esforços que desenvolvem, no sentido da melhoria das próprias condições de vida, autênticos atletas olímpicos. Obriguei-me, a partir do momento em que lhe ouvi a frase, a reflectir acerca da mesma e a ver com olhos de ainda maior respeito essas corajosas pessoas e as que cuidam delas, em família e profissionalmente.
Falta muito ao País para que o apoio a pessoas portadoras de deficiência e a doentes suba em padrões de qualidade, sob diversas perspectivas; faltam, aliás, condições globais de categoria a Portugal que, amiúde, sentimos como deveres de terceiros para as construírem e não nossos – neste “País em Inho” (título de poema de Manuel Alegre, com mais de duas décadas, ainda actual e que retrata como continuamos socialmente pequeninos) com a maledicência e a preguiça substituírem a dinâmica que um dia encontraremos e nos fará crescer.
De entre os melhores de nós, dos que já atingiram um patamar civilizacional superior, podemos referir os atletas paralímpicos e todas as pessoas que, em nome pessoal e no de várias instituições, públicas e privadas, os apoiam, desinteressada e exemplarmente. Para não ser exaustiva, refiro, entre outros, a Secretária de Estado Adjunta para a Reabilitação, Idália Moniz (não, não votei no Partido que suporta este Governo nem me esqueço dos disparates que o mesmo comete e também sei realçar o que de interessante executa), de novo ao lado destes atletas como o tem feito junto a outro campeão, José Lima.
Num pequeno excurso, acrescento que o referido, Joaquim Agostinho dos tempos de hoje, de Viana do Castelo, pedala desde o ano passado, com a sua camisola amarela, no mês de Agosto, antecedendo a Volta a Portugal em bicicleta, de Norte a Sul da nossa área continental, em prol da dignidade que merece na vida e no mundo laboral, o mesmo que, em Moçambique, onde trabalhava, então técnico, lhe tirou a possibilidade de se deslocar autonomamente.
De novo cá, estudou, licenciou-se em Engenharia mas não encontra entidade patronal que seja sensibilizada pela sua proficiência para a qual tem solicitado, publicamente, validação. Para além de Idália Moniz, produz eco nas populações, forças de segurança e de paz, assim como no poder autárquico, simbolizado pelo Presidente da Câmara de Faro, José Apolinário, a recebê-lo e incentivá-lo, e na comunicação social, em meritório desempenho de serviço público.
Regresso aos Jogos Paralímpicos – em Pequim, o Ninho de Pássaro, voltou a deslumbrar-nos com uma bela cerimónia de abertura, no dia seis do corrente, como já fizera na inauguração dos Olímpicos. Quanto aos brilhantes atletas, compatriotas que honram esta Pátria na disputa dos melhores resultados desportivos, são heróis – pela compostura demonstrada, pelas actividades efectuadas, pelos sacrifícios a que se dispõem, numa superação diária que deverá ser mais e melhor divulgada para nos revermos neles, através das suas competências e práticas, com orgulho, transversal a todas as idades e situações sociais.
Se a frase que impulsiona estes desportistas, “É nisto que somos bons”, não é feliz (Leonor Pinhão, atenta, já a referiu e comentou, com palavras justas, no seu “Bilhete Postal” de quinta-feira passada, dia 4, no Correio da Manhã) – numa próxima vez criativos da palavra darão, certamente, uma ajuda mais poética e expressiva à ida Portuguesa para função idêntica –, felizes terão razões para estar e todos os que com eles trabalham, que cumprimento, nas pessoas de Humberto Santos, Presidente da Fundação Portuguesa para Deficientes, e de Jorge Carvalho, Chefe de Missão para os Jogos Paralímpicos de Pequim e da amiga do Rostos, Simone Fragoso.
Manuela Fonseca *
* Colunista do jornal Rostos.













