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Uma Carta a Beto MorgadoPor Manuela Fonseca

Pois bem, agora, caro Beto, chegou a vez de ser eu a dizer-lhe: – Faça tudo o que os profissionais lhe indicarem aí no Hospital do Barreiro, para melhorar tão depressa quanto possível e poder voltar à sua cansativa tarefa de ajudar a gerir o trânsito que, com as obras públicas em curso, são um incómodo na minha área habitacional.

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Uma Carta a Beto Morgado Por Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos

Barreiro, 18 de Outubro de 2008

Caro Beto Morgado

Pouco há mais para dizer-lhe depois do texto que o meu querido Sousa Pereira (um dos irmãos que, sob o ponto de vista biológico, não tive) publicou neste jornal que engendrou, que o faz perder noites, que dirige e que é também nosso – há que dizê-lo, tal o carinho que nutrimos pelo Rostos – de comunicação social e dos comentários que o secundaram, com a sempre atenta Maria (Muito) Barreirense e do meu filho mais novo, Filipe Manuel Fonseca da Costa que, alertado pelo boato que por aí circulava acerca da sua pessoa, estava triste, no local de trabalho, até ter(mos) boas notícias.

Elemento que a zona onde exerce a sua actividade não dispensa, o Beto há muito foi tornado figura pública pela objectiva atenta, artística e com humor de Luís Miguel Luz e objecto de estudo académico pela jovem Cheila Silva, em trabalho de cariz sociológico.

Não tendo nascido virado para a lua, como quase diz o povo a que pertencemos, é apreciável ver o interesse que o seu estado de saúde tem despertado em tantas pessoas que estão habituadas à sua presença junto ao local onde habito e a outras que, em diferentes Freguesias do nosso Barreiro, perguntam por si.

Somos todos parecidos quando falamos das dificuldades por que passam tantas pessoas, nesta Cidade, neste País e neste Mundo injusto – que desgostos temos partilhado acerca da situação económica e financeira mundial que põe os pobres cada vez mais pobres, que criatividade do capitalismo selvagem, coitada! Coitados, aliás, dos que mais precisam de condições para a dignidade humana, em diferenças sociais bárbaras, numa globalização que enche os bolsos de uma minoria de parasitas. Provocaram a situação e vão para férias de um luxo inimaginável!

Também somos todos parecidos quando falamos do nosso Futebol Clube Barreirense – ambos sempre na esperança de que as coisas melhorem na colectividade desportiva que você e eu mais amamos e que tantas insónias nos tem causado, ultimamente. Ou quando nos referimos ao desporto-rei em Portugal, que acompanha, obviamente, as dificuldades que atravessamos, como “uma porcaria”, na citação de um antigo árbitro internacional da especialidade, Sr. Jorge Coroado.

Também somos todos iguais quando apoiamos os que estão doentes, no incentivo à paciência, à esperança, à confiança na Ciência e nos cientistas que os tratam – na minha situação específica, o Beto foi das primeiras pessoas que me animou e encorajou na fase delicada de saúde por que passo.

Pois bem, agora, caro Beto, chegou a vez de ser eu a dizer-lhe: – Faça tudo o que os profissionais lhe indicarem aí no Hospital do Barreiro, para melhorar tão depressa quanto possível e poder voltar à sua cansativa tarefa de ajudar a gerir o trânsito que, com as obras públicas em curso, são um incómodo na minha área habitacional.

Manuela Fonseca

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