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Transporte Público para o Concelho da MoitaPor Nuno Cavaco

Hoje quase na totalidade do concelho da Moita, duas empresas de transporte público concorrem entre si. O que deveria ser um complemento transformou-se em concorrência directa sem que o governo central se preocupe em criar normas/regras que defendam o cidadão. Aliás já há vários anos que se espera o funcionamento de uma Autoridade Metropolitana de Transporte, que regule o sector, articulando os vários tipos de transporte e os tarifários.

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Transporte Público para o Concelho da Moita Por Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos

A ferrovia compete com a rodovia numa faixa central do concelho da Moita. Para além desta pertinência geográfica, a qualidade e a frequência dos autocarros e comboios, deixa muito a desejar. O actual modelo de transporte público não serve de modo nenhum a população. Seria correcto que os autocarros complementassem o serviço dos comboios, oferecendo às populações um serviço complementar ao eixo ferroviário, abrangendo os lugares menos centrais do concelho e interligando-se ao transporte ferroviário, que faria então a ligação aos outros concelhos e a outros tipos de transporte, como o fluvial. Este modelo funciona muito bem na Europa, em regiões como a Área Metropolitana de Londres. Não é preciso inventar nada, basta seguir os bons exemplos!
A forma como os sucessivos governos têm tratado este problema é gritante. Assistimos por esta via à constante degradação dos transportes públicos e o constante aumento dos tarifários, o que coloca em causa a acessibilidade das populações. A acessibilidade é uma questão transversal, e por isso deve ser vista como um direito, que tem implicações no acesso a actividades tão diversas como ao lazer, saúde, cultura, educação, trabalho, sendo por isso condição primária para a realização dos direitos mais elementares.
Depois de anos de luta da Comissão de Utentes da Linha do Sado, das populações, das autarquias, dos sindicatos e do PCP, finalmente estão a ser executadas as obras de modernização da linha do Sado. No entanto, algumas dúvidas se colocam nestas obras: qual a qualidade do material circulante, se existem alterações no tarifário o tarifário, e se os parques de estacionamento, junto às estações e apeadeiros, serão pagos? Estas dúvidas devem significar reivindicação e acompanhamento da população, na defesa da mobilidade e na defesa dos transportes públicos, para que depois não venha o governo justificar aumentos com o investimento agora feito.
Estaremos então depois da conclusão destas obras aptos a implementar este modelo? A questão pertinente é como é que se pode implementar o modelo para assim resolver o problema? Cabe ao governo exigir que as empresas tenham em atenção a frequência (com o aumento do número de carreiras e alargamento dos horários, funcionando até mais tarde), a distribuição espacial das carreiras no concelho, a sua interligação (com ajustamento de horários aos vários transportes) e que os tarifários praticados estejam conformes à capacidade económica da população. Para que este modelo funcione na perfeição, é imprescindível que as propostas apresentadas pelo Partido Comunista Português na Assembleia da República, recusadas ou ignoradas pelo governo, fossem então aprovadas e correctamente implantadas: o alargamento da cobertura do passe social L 123 ao nosso concelho e a implementação e o correcto funcionamento da Autoridade Metropolitana de Transportes. Com este modelo a funcionar, e com as pessoas a poderem usufruir do L 123, estou convicto de que mais munícipes usariam os transportes públicos no nosso concelho, o que faria diminuir a poluição atmosférica, a circulação de carros nas nossas estradas e aumentar significativamente o número de lugares de estacionamento nos centros dos núcleos urbanos. Parece-me uma questão de bom senso e racionalidade. Parece-me que todos nós ganharíamos e muito se isto fosse uma realidade e por isso mesmo a luta é de todos!

Nuno Cavaco
Membro do PCP

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