Uma oportunidade perdidaPor Jorge Fagundes
Não teria sido oportuna a abertura de um concurso, nacional ou internacional, para numa destas pracetas, em lugar central e nobre do Barreiro, ser erigido um monumento a todos quantos, ao longo de séculos, contribuiram com o seu trabalho anónimo para o engrandecimento desta terra?

Por Jornal Rostos
Como é sabido, e bem sentido pelos barreirenses, encontra-se em curso a denominada requalificação do centro do Barreiro, com incidência especial, para já, na Avenida Alfredo da Silva.
As obras, complexas e de assinalável envergadura, têm seguido um ritmo mais ou menos regular e são sempre acompanhadas, bem de perto, por uma verdadeira multidão.
Bem se poderá dizer, sem qualquer maldade, que, de todas as opções, estas são as mais participadas de sempre.
E com a surpreza de trazerem para a luz do dia um conjunto de vocações até agora desconhecidas, tantos são oa arquitectos e engenheiros em que, de repente, nos tornámos!
Como também é sabido, esta requalificação do centro da nossa cidade está intimamente relacionada com a localização do Forum Barreiro.
Por via de tal,a Rua Stara-Zagora passou por grandes alterações, incluindo a construção de duas pracetas.
Nas quais vão ser implantadas obras de arte, sendo uma delas da autoria do internacionalmente conhecido Malangatana, moçambicano por nascimento. A outra, com começo já à vista, dizem-me ser da autoria de uma barreirense cujo nome não adiantaram
Ora, estas obras de arte, ainda que vão valorizar, seguramente, uma área em que somos tão pobres, levantam algumas interrogações.
Não tendo sido abertos, que se saiba, quaisquer concursos, como e por quem foram escolhidos os autores?
Quanto vão custar e quem paga? Os projectos não foram expostos aos barreirenses, em geral, porquê?
A utilização, tal com vai ser concretizada, destas duas novas pracetas, levanta uma outra questão, e daí o título "uma oportunidade perdida".
Não teria sido oportuna a abertura de um concurso, nacional ou internacional, para numa destas pracetas, em lugar central e nobre do Barreiro, ser erigido um monumento a todos quantos, ao longo de séculos, contribuiram com o seu trabalho anónimo para o engrandecimento desta terra?
Então, entre outros, os camponeses, os pescadores, os salineiros, os moageiros, os construtores navais, os corticeiros, os ferroviários, os operários de tantas e tão numerosas fábricas, não serão merecedores de perpetuação em grupo escultórico a condizer?
Jorge Fagundes













