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Maria Milheiro de Carvalho – uma Tia Guardada no Meu CoraçãoPor Manuela Fonseca

D. Maria é um nome do Barreiro que muitos recordam. Com eles partilho a saudade desta partida, a última. D. Maria…a Tia que guardo no coração.

Adeus, querida D. Maria. Não volto a observar, no seu rosto inteligente, a alegria causada pela chegada do Diamantino de Carvalho, o único irmão, precocemente desaparecido. Nem a beber com a Hélida, na vossa residência, sempre acolhedora, um litro de leite em madrugadas de estudo mas estará sempre na minha parte melhor.

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Maria Milheiro de Carvalho – uma Tia Guardada no Meu Coração Por Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos

Faleceu, no Hospital de Nossa Senhora do Rosário, na madrugada de ontem, a querida velhota, minha tia adoptiva há quatro décadas, Maria Milheiro de Carvalho, a popular D. Maria, empresária que deveria ter sido mais acarinhada pela e na nossa cidade, Mulher de larga visão para o seu tempo.

Começou, na (sua) Rua D. Henriqueta Gomes de Araújo, ali junto ao Mercado Municipal, nos tempos fechados dos anos 50, por ligar o mundo comercial à sensibilidade em relação às crianças, com uma loja de roupas para elas, a “Cinderela”, ponto de encontro inusitado quando ainda pouco se pensava em questões de moda infantil – quantas vezes as minhas madrinhas compravam para mim um dos seus modelos e, os tostões contados e recontados, espreitavam outros para fazer idênticos!

Tornou-se, posteriormente, industrial na área têxtil, com apreciável volume de exportações para a Espanha, o Reino Unido, os Estados Unidos – diz-se que o bom gosto e a criatividade que sempre desenvolveu cativaram a então jovem Princesa Diana de Gales para quem terá produzido uma peça de abafo, um dos filhos com destinatário.

Mulher generosa (fui testemunha disso após o falecimento súbito de meu pai), teve em Caetano Duarte – companheiro de uma vida, também galardoado pelo Futebol Clube Barreirense, campeão nacional com o emblema do Sport Lisboa e Benfica em ténis de mesa, funcionário da Companhia União Fabril e ligado à modalidade de remo no Grupo Desportivo da CUF – o apoio que os fez gerir uma equipa de trabalho com êxito apreciável. Situação rara na época: conheceram-se numa partida do jogo em que ele foi um vencedor.

Sensível ao belo, comprava por essa Europa objectos de culto para a minha geração. Também artista plástica, desenvolveu vastas competências nessa área quando o tempo lhe permitiu a dedicação à pintura. Desportista, como acabo de referir, muitas das suas viagens foram feitas através dos prazeres do campismo.

Maria Milheiro de Carvalho era mãe de Hélida Carvalho Santos Pais, irmã na minha sensibilidade – herdou dos progenitoras a generosidade que a faz ser amiga do seu amigo: é das pessoas mais dedicadas ao meu Filho Rui Sérgio e quando os que rodeavam Vale e Azevedo o abandonaram, na sequência de problemas que este terá construído e por que passa, Hélida, filha de remador e a remar contra a maré, não o abandonou nem à família.

D. Maria é um nome do Barreiro que muitos recordam. Com eles partilho a saudade desta partida, a última. D. Maria…a Tia que guardo no coração.

Adeus, querida D. Maria. Não volto a observar, no seu rosto inteligente, a alegria causada pela chegada do Diamantino de Carvalho, o único irmão, precocemente desaparecido. Nem a beber com a Hélida, na vossa residência, sempre acolhedora, um litro de leite em madrugadas de estudo mas estará sempre na minha parte melhor.

Ao tio Caetano, à Hélida, ao genro, à neta, às sobrinhas e outros membros da família o meu beijo especial em momento tão doloroso.

Manuela Fonseca*
* Colunista do jornal Rostos

Nota: o corpo encontra-se na Capela da Santa Casa da Misericórdia, no Largo de Santa Cruz, e o funeral realiza-se amanhã, terça-feira, às quinze e trinta, para o cemitério de Vila Chã.

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