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Tomar consciência para construir um mundo melhor!Por Nuno Cavaco

Esta pequena conversa serviu para mostrar a todos os que estavam na mesa que muito do que acontece depende da intervenção dos povos e dos trabalhadores, que muito do que acontece depende da nossa postura perante a vida e que muito do que acontece não acontece por acaso e que as inevitabilidades e fatalidades estão na nossa “cabeça”.

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Tomar consciência para construir um mundo melhor! Por Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos

Por vezes é preciso estar fora para conhecer a realidade de um país, mas não a vivendo esse conhecimento é sempre incompleto. Escrevo esta pequena frase depois de no passado sábado me ter sentado à mesa com um filho da terra (leia-se português) que já não vinha à pátria há 11 anos. Este meu “amigo” vive em França e como pessoa interessada e interessante que é questiona-se sobre o contexto socio-económico português e europeu. Chegado a Portugal e depois de todos estes anos, foi a um local aprazível, que me dispenso de referir o nome (por motivos de concorrência/mercado ou o que for) e sentou-se à mesa com mais portugueses. Ao fim de uma hora, o nosso amigo, indignava-se com os preços, com os salários e com a nossa descontracção e aparente indiferença ao estado das “coisas”. Afirmava com veemência que tal estado da nação em França não seria permitido e que originaria enchentes nas ruas. Dizia que os sindicatos em França são mais fortes e que as “coisas” são mais discutidas. Abordou também a tão agora falada construção europeia, defendendo um salário mínimo europeu e condições de vida semelhantes para todos os europeus, enfim defendeu a integração europeia na sua vertente social. O interessante discurso deste nosso “amigo” foi interrompido com a minha intervenção. Informei o cidadão franco-português das nossas lutas e aspirações, dei-lhe conhecimento de que nas últimas manifestações em Lisboa estiveram presentes algumas centenas de milhar de trabalhadores (as maiores dos últimos anos), tentei, e segundo a minha opinião, explicar o porquê dos baixos salários e reformas, referindo que estamos em governação alternada e alternante há mais de 30 anos, por parte do PS, PSD e CDS-PP, sempre com as mesmas ideias que assentam num modelo de desenvolvimento de baixos salários e de redução de direitos, com a tentativa de reduzir o estado e as suas funções sociais, com privatizações e a entrega de sectores a grandes grupos económicas que só visam o lucro, com claro prejuízo para os trabalhadores e para o povo. Introduzi também aqui o processo europeu e fi-lo concordar comigo quando o caracterizei de pouco democrático, exemplificando com o Tratado Europeu e especificando com o caso Francês. Os Franceses disseram não num referendo sobre a Constituição Europeia. Os seus governantes depois, ignoraram a vontade do povo e fizeram aprovar, sem consulta popular, o Tratado que dá pelo nome da nossa capital, à semelhança de muitos outros países, com Portugal à cabeça. Terminei dando-lhe conhecimento sobre as mudanças que se têm verificado nos resultados eleitorais, com o crescimento da CDU nos últimos actos eleitorais.
O nosso amigo, rendido à evidencia de um sistema global, com os mesmos propósitos mas com as suas particularidades globais, terminou a conversa dizendo que estava a aguardar mais um Maio de 69 e segundo a sua perspectiva, esta “revolução” iria acontecer em terras francas lá para o Outono/Inverno.
Esta pequena conversa serviu para mostrar a todos os que estavam na mesa que muito do que acontece depende da intervenção dos povos e dos trabalhadores, que muito do que acontece depende da nossa postura perante a vida e que muito do que acontece não acontece por acaso e que as inevitabilidades e fatalidades estão na nossa “cabeça”.
Há semelhança do nosso amigo francês também me apeteceu dizer que em Portugal era necessário outro 25 de Abril, mas não o fiz, porque não é preciso, basta apenas concretizarmos os valores de Abril. Quando tivermos consciência do verdadeiro estado das “coisas”, entenderemos os processos de construção da realidade, e aí, eu não tenho qualquer dúvida: construiremos um Portugal Melhor assente nos valores de Abril, até lá a luta continua!

Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP

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