Saltar para o conteúdo
Colunistas

Há dias assim!Por Jorge Fagundes
BARREIRO

Mais adiante, junto de uma estátua que eu, mais muito boa gente, sabe ser de Alfredo da Silva, um casal, pelos vistos de primeira passagem pelo Barreiro, perguntava a um senhor sentado no murete em frente, quem era aquela figura.
Estarrecido, ouvi a resposta: "é um mistério em vias de esclarecimento por parte dos historiadores locais. Mas a maioria inclina-se no sentido de ser obra de um desconhecido escultor do século vinte homenageando o primeiro alcaide do Barreiro". Há dias de azar!

3 min de leitura
Há dias assim! Por Jorge Fagundes BARREIRO

Por Jornal Rostos

Hoje, a meio da manhã, subindo pacatamente a Avenida Alfredo da Silva, assisti a uma série de acontecimentos, tais como:

1 - no mesmo passeio, em sentido contrário, descia uma loura trazendo à trela um enorme cão. O qual, valha a verdade, passava totalmente despercebido, já que a dona, essa sim, dava bem nas vistas. Alta, esbelta, botas à moda, collants pretos justissimos às pernas, e um cinto bem estreito a fazer de saia. Blusa em tom rosa, generoso decote a fazer-me recordar Bernardo Guimarães, poeta brasileiro do século dezanove, o qual, num seu poema intitulado "o hino do prazer", mesmo sem ter visto esta donzela, a fazia, como é o caso, portadora de "ebúrneo colo, torneados seios".
O pior é que um outro transeunte, mais adiantado do que eu na subida da Avenida, talvez distraído com o que segundos antes vira, não deu conta que o acompanhante cão da dita aliviara as entranhas metros acima, deixando como que uma pequena lagoa de dejectos. Foi tiro e queda! Pisadela, escorregadela! Azar!

2 - Poucos metros passados, em frente de uma agência bancária, um irritado automobilista reclamava, por, ao saír, ter encontrado o seu "Mercedes" bloqueado pela Polícia. "Parece impossível! Então aqui, neste sinal, não diz que se pode estacionar quinze minutos para cargas e descargas? E eu só demorei aí uns dez minutos a descarregar uns eurozitos na minha conta. Se querem experimentar os novos bloqueadores vão fazê-lo onde há abusos". Azar!

3 - Já em frente ao renovado Mercado 1º. de Maio, junto a uma passadeira, estava um gato preto. Lembrei-me, de imediato, de uma velhinha minha vizinha que, quando ainda era menino e moço, me avisara que ver gato preto, logo pela manhã, dava azar. E tinha razão. O felino, embora atravessando na área pedonal, levou um valente toque de um automóvel que circulava na via ascendente. Fugiu a quatro patas, pelo eriçado, mas safou-se, dado que o condutor, homem cumpridor dos sinais virtuais de proibição de circulação a mais de trinta quilómetros/hora, não excedia essa velocidade. Neste caso particular, e ainda bem, azar do gato!

4 - Mais adiante, junto de uma estátua que eu, mais muito boa gente, sabe ser de Alfredo da Silva, um casal, pelos vistos de primeira passagem pelo Barreiro, perguntava a um senhor sentado no murete em frente, quem era aquela figura.
Estarrecido, ouvi a resposta: "é um mistério em vias de esclarecimento por parte dos historiadores locais. Mas a maioria inclina-se no sentido de ser obra de um desconhecido escultor do século vinte homenageando o primeiro alcaide do Barreiro". Há dias de azar!

Regressado a casa, não resisti à tentação de passar ao papel estas observações matinais. E só então dei conta, já que tenho o hábito de datar os meus devaneios literários, que hoje é sexta-feira, dia treze!
Está tudo explicado. Há dias assim!

Jorge Fagundes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção