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O Flagelo do Desemprego em PortugalPor Nuno Cavaco
MOITA

A situação é preocupante e tão mais grave quando não se perspectiva uma verdadeira política que combata este flagelo. Ao contrário do que se impõe observamos todos os dias a destruição de emprego e o aumento da precariedade no trabalho, precaridade essa que atinge cerca de 29% da população.

À destruição do emprego com direitos e ao crescimento da precaridade laboral, facilitada pela aprovação dos novos (velhos) códigos do Trabalho pelos sucessivos governos, assistimos a uma resposta ténue e pontual.

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O Flagelo do Desemprego em Portugal Por Nuno Cavaco MOITA

Por Jornal Rostos

Divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística os dados referentes ao desemprego em Portugal relativos ao 3º trimestre de 2009, conhecemos agora a realidade. O desemprego atinge 700 000 pessoas e só metade destas é que têm apoio, só metade é que recebem subsídio de desemprego.

No 3º trimestre de 2008 o desemprego oficial era de 433,7 mil e no 3º trimestre do corrente ano de 2009 é de 547,7 mil, subindo a taxa de 7,7% para 9,8%, uma subida muito considerável, de 23,3%. Os caros leitores constatarão que neste artigo e para o 3º trimestre de 2009, são referidos dois valores de desemprego: o desemprego oficial, que atinge 547,7 mil pessoas e o desemprego com quase 700 000 pessoas. Estes valores são assim referidos porque o desemprego oficial não inclui todos os desempregados. No valor oficial não estão incluídos aqueles que no mês em que foi feito o inquérito não procuraram emprego, que são designados por inactivos e somavam no 3º trimestre de 2009 82,7 mil, e nem aqueles que fizeram um pequeno “biscate”, por exemplo de uma hora, que são designados por subemprego visível e no período em referência eram contabilizados como 66,5 mil. Considerando a soma do valor de desemprego, mais o valor de inactivos e o valor de subdesemprego visível, chegamos então a valores perto dos 700 000 (696,9 mil) e uma taxa efectiva de desemprego de 12,3%, valores muito superiores aos que são divulgados pela máquina governamental e pelos media.

A situação é preocupante e tão mais grave quando não se perspectiva uma verdadeira política que combata este flagelo. Ao contrário do que se impõe observamos todos os dias a destruição de emprego e o aumento da precariedade no trabalho, precaridade essa que atinge cerca de 29% da população. À destruição do emprego com direitos e ao crescimento da precaridade laboral, facilitada pela aprovação dos novos (velhos) códigos do Trabalho pelos sucessivos governos, assistimos a uma resposta ténue e pontual. Por exemplo, a medida anunciada na Assembleia da República pelo governo de redução do prazo de garantia de 450 dias para 360 dias, para a obtenção do subsidio de desemprego, vai apenas proporcionar a mais 10 000 pessoas usufruírem do subsídio de desemprego, claramente insuficiente para a dura realidade que milhares de pessoas sem subsídio sentem na pele. A recusa, por parte do governo e do partido que o apoia, na adaptação da lei do subsídio de desemprego à nossa realidade, agudiza ainda mais a situação das famílias que não têm o apoio devido.

Grave é também o abafamento desta situação apesar do grito de milhares de trabalhadores, das propostas das organizações representativas dos trabalhadores e do trabalho do Partido Comunista Português. Neste sentido e porque me serviram de base a este artigo de opinião, sugiro a leitura dos estudos de Eugénio Rosa, e que por melhor conhecimento ilustram bem a realidade do país. Mas como também adianta Eugénio Rosa, esta não é uma crise qualquer. Não existe um excesso de produção face às necessidades das populações. O que existe é um excesso de produção face à capacidade financeira das famílias para adquirirem os bens de que necessitam. Nesta dura realidade para trabalhadores e suas famílias também cabe o inverso, fruto de uma injusta distribuição de riqueza. Os grandes grupos económicos e apesar da “crise”, continuam a registar lucros fabulosos. Alguns gestores de empresas ganham mais de 130 vezes o valor do salário mínimo nacional. Apesar destas injustiças a destruição de empregos e o encerramento de unidades de produção continua galopante.

Uma ruptura com esta política é urgente. A implementação de uma verdadeira política de esquerda que vise a justiça social é tão necessária como a única alternativa para o progresso dos trabalhadores, do povo e consequentemente do país.

Nuno Cavaco
Militante do Partido Comunista Português

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