O AVATAR E A CHAMUÇA IIPor Pedro Estadão
BARREIRO

Por Jornal Rostos
A quem iteressar,
AVATAR - Avatar vem do Sânscrito “avatara”, que quer dizer descender, as suas raízes são ava (baixo), e tri (passar). Nas escrituras hindus , avatara significa a encarnação de uma divindade num corpo humano. Aquele que atinge a unidade com o Espírito e regressa à Terra para ajudar a humanidade é chamado um Avatar. Na tradução para chinês, os caracteres que designam esta palavra significam “O médium divino que desceu ao mundo mortal”. Os Deuses Hindús têm, ao longo da história, inúmeras encarnações em corpos mortais, que se designam por Avatares. (Dados recolhidos da Wikipedia)
CHAMUÇA- Especialidade de Goa que o meu amigo Elias Monteiro confecciona de forma superiormente deliciosa usando Carne de Perú, cebola, gengibre, coentros, cominhos, cravinhos, pimenta preta, açafrão, canela, piri-piri, sal, farinha e água, e, nas suas palavras, “trabalho feito com consciência”. (Dados recolhidos do rótulo de uma caixa de chamuças)
Estava eu prestes a enviar para edição um artigo que dava pelo título de “O Avatar e a Chamuça”e que chegava à conclusão que ambos os termos têm muito mais em comum que a origem no sub-Continente Indiano, quando me apercebi que hoje, dia 7 de Fevereiro de 2010, São Thomas More, autor de “Utopia”, padroeiro dos Estadistas e dos Políticos, se fosse vivo, completaria a matusalénica idade de 532 anos.
Decidi, portanto, alterar radicalmente o texto que me tinha proposto, por forma a ir ao encontro dos leitores que me pediram que publicasse qualquer coisa sobre as eleições para a Concelhiado Barreiro do PS, que estão a começar a aquecer e, ao mesmo tempo, não deixar de me debruçar sobre o grande fenómeno cinematográfico do momento, o filme “AVATAR” de James Cameron.
Sem mais delongas e sem querer estragar a farra a quem ainda não viu o filme, direi apenas, e quem tenha ido ao cinema ver obra, ou tenha adquirido um DVD pirata ao Lelo do Mercado de Levante me entenderá, que o argumento do filme a meu ver tem três camadas: a primeira, onde se metaforiza a obtenção desenfreada do lucro com a consequente destruição de ecossistemas e do equilíbrio da natureza; a segunda, onde se confronta a agressividade e o desejo de guerra de uns com a busca de compreensão e de uma solução pacífica de outros; e a terceira, onde uma alma simples se transforma num semi-deus que acaba por encarnar (no verdadeiro sentido da palavra), após um processo de metamorfose que, antes de ser físico, é espiritual.
Os paralelos dos temas explorados no sucesso de bilheteiras atrás referido com a situação presente da Concelhia do Barreiro do Partido Socialista são por demais evidentes. Por um lado, a busca desenfreada de poder pessoal por parte de alguns elementos ameaça destruir o equilíbrio interno do Partido e, com isto, produzir a incapacidade de os socialistas participarem produtivamente na vida da cidade, que, comparativamente, é o ecossistema que fica manco e desequilibrado se a acção política da Concelhia for focada na obtenção de uns poucos lugares a nível Distrital ou Nacional, em vez de ser posta ao serviço da população do Barreiro e da defesa dos interesses desta.
Por outro lado, existe neste momento um claro confronto entre o desejo de aumentar as clivagens internas por parte de uns, enquanto outros procuram ainda e sempre alargar os consensos e conseguir que, em lugar de oposição interna, haja frontalidade, e, em lugar de lutas fratricidas, haja lealdade. Lembro-me, que a este propósito, já escrevia Dante no seu livro “Monarquia” que “nas guerras devem ser ensaiados todos os meios diplomáticos antes que se chegue à extrema necessidade de lutar”, esclarecendo que “também devemos esgotar todos os meios de decidir as nossas querelas antes de recorrer ao duelo. A este iremos coactos, e por imperativo da justiça, quando se mostre como único modo de a revelar.” No acto eleitoral que se prepara, não se cumpriu este pressuposto, aliás, houveram candidatos que se recusaram a dialogar e a apresentação das candidaturas precipitou-se, surgindo um mês mais cedo do que seria normal, mês esse que, em condições normais seria ocupado com negociações e busca de consensos. Resta-nos agora negociar os termos da rendição dos vencidos.
A seguir, é importante que o líder que surja desta contenda seja capaz de encarnar a necessidade de união das tribos dentro do Partido Socialista do Barreiro, mas os candidatos não são criaturas mitológicas, são homens e mulheres vulgares, como todos nós, com virtudes e com defeitos, por isso, a tarefa de conseguir esta união vai depender de muita persistência e, desde logo, de uma vontade inabalável de o fazer. Todos sabemos que, se o Partido Socialista, no Barreiro, continuar dividido, não vai a lado nenhum e o povo desta terra vai continuar sem beneficiar das virtudes de uma democracia saudável. Unir o PS do Barreiro é urgente, mesmo para os seus adversários políticos, bem.. talvez para o Bloco e para o CDS seja indiferente, mas esses, por enquanto, ainda não contam verdadeiramente. É importante que os candidatos assumam, desde já, a disponibilidade para assumir graciosamente a vitória ou a derrota, e no dia a seguir às eleições trabalharem todos juntos para a construção de um PS mais forte e mais coerente, para que possamos ter um Barreiro melhor, quem não o fizer, não será um bom candidato.
O que é interessante é que, desta vez, as possibilidades de vitória estão verdadeiramente equilibradas entre os três candidatos, o que até permitia que se entendessem todos mesmo sem partir para a guerra fratricida que se adivinha, por outro lado, permite a todos estarem certos da vitória, o que os impede de ser flexíveis nas negociações. Mas, enfim… O que tem de ser tem muita força.
O que é que vinha a seguir? Ah, a Chamuça… É que, mesmo com aqueles condimentos todos, as chamuças do meu amigo Elias são mesmo as melhores que eu já provei e têm um sabor único, que não se conseguia com a falta de uma pitada de um deles, como ele diz, são feitas com consciência. O PS, no Barreiro, devia ser feito da mesma maneira, com todos os condimentos, e com consciência, era capaz de ficar picante demais para o estomago da concorrência, mas o objectivo era atingido. Com perús, já todos sabemos que tem sido feito, tal como as chamuças, mas todos os perús têm tido o seu natal, e a mim, parece-me que vão continuar a tê-lo.
Um grande bem haja a todos e um abraço do vosso,
Pedro Estadão
Barreiro, 7 de Fevereiro de 2010













