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Um dia diferentePor Jorge Fagundes
BARREIRO

"Olha, nestes dias que estive fora do Barreiro, passaram-se coisas muito boas. Não deste por nada?"
"Para ser franco acho tudo na mesma".
"Não me digas! Andas mesmo distraído!"
"Mas, afinal, que coisas boas foram essas?."
"Muitas, muitas. Calcula que vim da Senhora do Rosário até aqui à Avenida sem ter pisado caca de cão. Não foi uma coisa boa?".
"Lá isso foi".

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Um dia diferente Por Jorge Fagundes BARREIRO

Por Jornal Rostos

Esta manhã, subindo a Avenida Alfredo da Silva, voltei a encontrar o meu colega da antiga escola industrial e comercial, o qual vinha com um ar todo ele de felicidade.
"Então, que é feito de ti? Há tempos que não te encontro".
"Estive a passar uns dias em Cuba."
"Em Cuba? Perdeste o medo de andar de avião?"
"Não foi nessa. Foi a do Alentejo. O meu avô paterno era de lá. Veio trabalhar para a CUF, encontrou uma camarra no baile dos Franceses, com ela veio a casar e aqui ficou até morrer."
"Já não me lembrava dessa tua costela alentejana."
"Olha, nestes dias que estive fora do Barreiro, passaram-se coisas muito boas. Não deste por nada?"
"Para ser franco acho tudo na mesma".
"Não me digas! Andas mesmo distraído!"
"Mas, afinal, que coisas boas foram essas?."
"Muitas, muitas. Calcula que vim da Senhora do Rosário até aqui à Avenida sem ter pisado caca de cão. Não foi uma coisa boa?".
"Lá isso foi".
"E os foguetes, esta manhã?.
"Quais foguetes?.
"Os comemorativos do início das obras de urbanização do antigo campo do Barreirense. Não foi uma coisa boa?".
"Lá isso foi. Mas não ouvi os foguetes".
"E a estátua do Patrão, como dizia o meu avô. Já tem placa identificativa, Não foi uma coisa boa?".
"Lá isso foi. Mas há dois dias não estava".
"Pois não. A placa, num arranjo metálico muito especial feito nos laboratórios da Nasa, só ontem é que foi entregue. E colocada no sítio próprio".
"Então foram só essas as coisas boas?".
"Não, meu amigo. Há mais.Mas, para te obrigar a dar umas voltas pelas nossas ruas, sem aqueles buracos do antigamente, só te falo em mais uma. Só aqui, na Avenida, encontrei quatro polícias, fardados, claro. Não foi uma coisa boa?".
"Lá isso foi. Mas o que é que eles estavam a fazer?".
"Com muita delicadeza a chamar a atenção dos senhores automobilistas com os carros estacionados, há horas, nos locais de cargas e descargas, para dali sairem. Não foi uma coisa boa?".
"Tens razão. Até à próxima".
Continuando a subir a Avenida, entrei na Praça (à barreirense ainda não me habituei a chamar-lhe Mercado) e, num dos talhos, olhando o calendário, dei conta que hoje é o dia primeiro de Abril.
Como nem todos se lembram disso, é um dia diferente!.

Jorge Fagundes

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