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A Esperança e o FuturoPor Manuela Fonseca
BARREIRO

Na expectativa de dias melhores, na atenção ao “Manifesto” das Comemorações do Centenário: “Temos orgulho da obra realizada e consciência do contributo para a formação cívica das sucessivas gerações de cidadãos.” Sim, o Futebol Clube Barreirense continua a crescer. E a fazer crescer para a cidadania.

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A Esperança e o Futuro Por Manuela Fonseca BARREIRO

Por Jornal Rostos

(Em memória de Bárbara Maria Horta Rodrigues)

“Um Olhar sobre o Barreiro” (Barreiro, Ed. de Augusto Pereira Valegas, n.º 1, II Série, Junho de 1989, 52 pp.) – leio a legenda, eventualmente do editor, explicativa da fotografia a encimar a página dezoito, em complemento de um texto que escrevi: “Carnaval de 1934, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, o F. C. Barreirense conquistou o 1.º lugar no concurso inter-colectividades.”
Bem visível o desenho “FCB”, na parte lateral da viatura, carro alegórico, lindamente engalanado, que transporta membros da minha família (Maria Horta Rodrigues, mãe, Bárbara Maria e António Horta Rodrigues, tios) e amigos.

O Barreirense, produto(r) de labor que recompensou raparigas e rapazes, eufóricos: o Barreirense da vila ribeirinha e operária, vencedor. Ali! Em aprumado desfile, sob muitos olhares, numa das mais belas artérias da capital.

O Barreirense, mais de vinte anos depois: o meu ilustre Pediatra, Dr. Luís Maria Estêvão Cabrita, acompanhado pela esposa, Sr.ª D. Idalina Semião Estêvão Cabrita, vê, da Galeria, orgulhoso, Luís José Semião Estêvão Cabrita, o filho, porta-estandarte, acompanhado por Maria Joaquina de Sousa Gabriel e Maria Madalena, em momento comovente e empolgante, no primeiro Sarau de Ginástica do Ginásio-Sede,

O clínico tinha-me curado de uma lesão sofrida, ali mesmo, meses antes. Iniciada a exibição da minha classe, a infantil, mista, dirigida com competência e elegância pelo Professor Costa, quis, na admiração que nutria por ambos, no segredo do meu pequeno coração, executar os melhores exercícios. Equipamento e sapatilhas branquinhos, o emblema (que ainda tenho e guardo, quase religiosamente) em agitação. Ao dar um salto, olhei para aqueles dois actores e, assim distraída, lá voou um dos sapatos. Que vergonha!
Aprendi, nessa noite, que a prática desportiva – feita de sacrifícios, disciplina, gosto e solidariedade – também é humilde e ultrapassa contrariedades.

O Barreirense, sinónimo de mutação positiva em prol da comunidade envolvente – Manuel Horta Rodrigues, também tio materno, proporcionou-me, na Biblioteca do Clube, eu bem miúda, o amor aos livros.

Vejo, no Ginásio-Sede, na década de sessenta, a minha já citada tia a gerir uma formação profissional, na área de Lavores Femininos, a senhoras que procuravam uma qualificação para actividades remuneradas; algumas tiveram-nas, com êxito.
Caminho que o Clube poderá retomar, nestes difíceis tempos de hoje, no encontro e desenvolvimento de saberes e modos de fazer que tornem algumas pessoas mais preparadas para os enfrentar.

Vejo, há vinte anos, os meus filhos, garotos, Rui Sérgio e Filipe Manuel Fonseca da Costa, em subtil fuga, no “Manuel de Melo”. Deixam-me e juntam-se aos elementos da claque, no apoio aos jogadores. E digo ao Rui “Teté”, no fim do jogo: “Vocês já me ultrapassam e eu fico sem os marotos...”

E termino, na expectativa de dias melhores, na atenção ao “Manifesto” das Comemorações do Centenário: “Temos orgulho da obra realizada e consciência do contributo para a formação cívica das sucessivas gerações de cidadãos.” Sim, o Futebol Clube Barreirense continua a crescer. E a fazer crescer para a cidadania.

Nota: agradeço os esclarecimentos prestados por Jorge Fagundes, Luís José Cabrita, Carlos Silva Pais, ilustres Barreirenses.

Manuela Fonseca
(Associada número 540)

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