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A crisePor Jorge fagundes
BARREIRO

"Também acham que sim. Mas julgam que eu, como Presidente da Mesa da Assembleia Geral, tenho o direito, e o dever, de sugerir a tomada de medidas urgentes. Nada de despesismos inúteis".
"E tu, o que vais fazer?".
"Como te deves lembrar, depois da Alfredo da Silva, ainda passei um ano em Económicas e Financeiras. Não fui além disso, mas os princípios básicos de Economia não ficaram esquecidos. Na reunião semanal com o meu afilhado, Presidente da Direcção, vou falar-lhe no assunto".

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A crise Por Jorge fagundes BARREIRO

Por Jornal Rostos

Esta manhã, ao dar o meu passeio habitual pela Avenida que os barreirenses teimam em chamar da Praia, encontrei, sentado na muralha, o meu velho colega da Escola Alfredo da Silva.
Estava muito pensativo e alheio àquela que muitos, e com razão, apelidam da melhor vista da margem esquerda do Tejo sobre Lisboa.
"Então, que se passa?".
"Desculpa, mas nem te vi chegar. Mas ainda bem que estás aqui, pois até estava para te telefonar".
"Algum problema de saúde?".
"Não, felizmente. Eu, e o resto da família, estamos todos bem. É por causa do meu Clube".
"Mas, porquê? Não tiveram eleições recentes? Até me contaste que o novo Presidente da Direcção é o teu afilhado Paulinho".
"É verdade. Mas, clubes pequenos como o meu, estão quase sempre em dificuldades. E eu, como Presidente da Mesa da Assembleia Geral,não posso alhear-me da situação".
"É verdade. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, em qualquer colectividade, é o seu mais qualificado representante".
"Tens razão, tens razão. O meu afilhado Paulinho, eleito, que foi, Presidente da Direcção, quis dar uma grande volta ao Clube. Telhado novo na Séde, pintura total da mesma, remodelação do mobiliário do gabinete da Direcção, matraquilhos novos".
"Mas estás contra?".
"Contra contra, não estava. Mas o Clube não tem receitas para tantas despesas, e o meu afilhado quer contrair um empréstimo".
"E os bancos não vão nisso?"
"Vão, vão. As receitas são poucas, mas a Séde, até pela sua localização, vale um bom dinheiro. Mas fica hipotecada".
"Então, não será a primeira!"
"Pois não, mas estou preocupado, porque serão os filhos e até os netos dos nossos sócios que vão ter de pagar".
"E tu, quando há anos, foste para Presidente da Direcção, o Clube não tinha dívidas?"
"Tinha, tinha. Até tive de aumentar as quotas. Mas agora a crise é global, e acho que não devíamos entrar em gastos tão grandes. Duas ou três telhas novas, não mexer no mobiliário, pinturas para mais tarde, e consertar os matraquilhos já era o suficiente".
"E o que diz o teu afilhado?"
"Diz que sou um bota de elástico, o futuro do Clube está nos investimentos que fizer.Mas surgiu um facto novo que me fêz reponderar a minha opinião".
"O que foi?"
"Um grupo de cinco antigos tesoureiros, já velhotes mas com prestígio, veio pedir-me uma reunião na minha qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral".
"E tu, o que fizeste?"
"Ora, ora. Recebi-os".
"E depois?"
"Deram-me conta da sua apreensão com o rumo que o Clube estava a tomar".
"Mas não deveriam ter falado antes com a Direcção?"
"Foi o que eu lhes disse. A Direcção é que foi eleita para governar o Clube".
"E eles?"
"Também acham que sim. Mas julgam que eu, como Presidente da Mesa da Assembleia Geral, tenho o direito, e o dever, de sugerir a tomada de medidas urgentes. Nada de despesismos inúteis".
"E tu, o que vais fazer?".
"Como te deves lembrar, depois da Alfredo da Silva, ainda passei um ano em Económicas e Financeiras. Não fui além disso, mas os princípios básicos de Economia não ficaram esquecidos. Na reunião semanal com o meu afilhado, Presidente da Direcção, vou falar-lhe no assunto".

Jorge Fagundes

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