Responsabilização políticaPor Nuno Cavaco
MOITA
PS e PSD seguem a cartilha.

Por Jornal Rostos
São vários os autores na área da política, melhor dizendo, defensores da política de direita, que se tem debruçado sobre este tema. Em épocas tumultuosas como a que vivemos são várias as estratégias dos governos para escapar à punição popular. Com uma máquina de propaganda montada a que os especialistas em defesa do sistema vigente chamam comunicação, são repetidos argumentos aqui, em Espanha, na Grécia, enfim, em todo o lado em que seja necessário esconder a verdade das pessoas.
A Estratégia passa em grande parte por esconder parte da agenda política. Se não conhecermos intenções ou promessas não poderemos exigir o seu cumprimento. Por outro lado, sempre que não se cumpram as promessas feitas, os governos e os seus apoiantes podem recorrer aos argumentos do costume. Argumentos que apelam ao "Sentido de Estado" e à "Responsabilidade", bem como apontam as alternativas colocadas pelas oposições como irresponsáveis, quando não de antipatriotas. Poderemos observar este quadro montado em Portugal.
O PS e o seu governo mentiram aos portugueses. É um facto indesmentível. Apresentou uma estratégia a eleições. Ganhou as eleições e quando inicia a governação faz exactamente o contrário. Nada de novo! A argumentação usada para defender o incumprimento é a que foi apontada no parágrafo anterior. Em primeiro lugar, e no mandato anterior, com uma maioria absoluta confortável, o PS argumentava que as oposições eram irresponsáveis, que todas as forças que apontavam caminhos diferentes não tinham sentido de Estado. Desde sindicatos a associações profissionais, todos eram egoístas e irresponsáveis, querendo apenas o seu bem. Segundo os próprios, o governo altruísta, deveria combater estes interesses instalados a bem do interesse nacional, a bem do “Sentido de Estado”. Todas as promessas não cumpridas se deviam a alterações do quadro político, social e económico da Europa e do Mundo e portando nada tinham que ver com Portugal.
Hoje, em minoria, o governo do PS coloca em prática mais do mesmo. Não cumpre as promessas, governa contra a Constituição da República e transporta para a situação internacional a responsabilidade de faltar à palavra. Apela ao sentido de Estado e de responsabilidade dos portugueses prometendo o mesmo de sempre: no final deste caminho de tormentas vem a luz ao fundo do túnel. Só que este discurso já não pega. Foi utilizado muitas vezes!
O governo do PS está fragilizado pelo seu mau trabalho. Cada medida tomada surte sempre o efeito contrário e leva a economia real a afundar-se, o nível de vida dos portugueses a descer, e consequentemente a maiores assimetrias entre ricos e pobres. Por isso, e em minoria, tem agora necessidade de não hostilizar os sectores da sociedade portuguesa contando para isso com o PSD. Relembremos que ainda há pouco tempo que Passos Coelho era contra o aumento de impostos e que o considerava a pior opção governativa para Portugal. Relembremos também José Sócrates que não deixaria de lançar este ano nenhuma das grandes obras...
O PS e PSD argumentam hoje que este “roubo” aos trabalhadores e ao povo português é necessário e que é devido a uma alteração do quadro internacional, do qual os trabalhadores são apenas vítimas, e não culpados. PS e PSD apresentam o “roubo” como o único caminho para a “luz” e para o progresso, com sentido de estado e de responsabilidade.
PS e PSD seguem a cartilha.
É necessário que este processo seja desmontado. É urgente lutar contra esta política, com mais de 30 anos de destruição do aparelho produtivo e sobreposição dos interesses especulativos aos interesses da população. Os trabalhadores e o povo têm de ir à luta, melhor, têm de intensificar a luta, por Portugal e pelo interesse nacional. É necessário e urgente construir uma política “verdadeiramente” de verdade, que nos faça produzir riqueza e que estabeleça uma distribuição mais justa dos recursos.
Derrotar a política defendida e praticada por PS, PSD e CDS-PP é um acto patriótico e será o ponto de viragem na nossa história recente.
Exige-se responsabilidade. Eu acredito!
Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP













