Saltar para o conteúdo
Colunistas

Responsabilização políticaPor Nuno Cavaco
MOITA

O PS e PSD argumentam hoje que este “roubo” aos trabalhadores e ao povo português é necessário e que é devido a uma alteração do quadro internacional, do qual os trabalhadores são apenas vítimas, e não culpados. PS e PSD apresentam o “roubo” como o único caminho para a “luz” e para o progresso, com sentido de estado e de responsabilidade.
PS e PSD seguem a cartilha.

4 min de leitura
Responsabilização política Por Nuno Cavaco MOITA

Por Jornal Rostos

São vários os autores na área da política, melhor dizendo, defensores da política de direita, que se tem debruçado sobre este tema. Em épocas tumultuosas como a que vivemos são várias as estratégias dos governos para escapar à punição popular. Com uma máquina de propaganda montada a que os especialistas em defesa do sistema vigente chamam comunicação, são repetidos argumentos aqui, em Espanha, na Grécia, enfim, em todo o lado em que seja necessário esconder a verdade das pessoas.
A Estratégia passa em grande parte por esconder parte da agenda política. Se não conhecermos intenções ou promessas não poderemos exigir o seu cumprimento. Por outro lado, sempre que não se cumpram as promessas feitas, os governos e os seus apoiantes podem recorrer aos argumentos do costume. Argumentos que apelam ao "Sentido de Estado" e à "Responsabilidade", bem como apontam as alternativas colocadas pelas oposições como irresponsáveis, quando não de antipatriotas. Poderemos observar este quadro montado em Portugal.
O PS e o seu governo mentiram aos portugueses. É um facto indesmentível. Apresentou uma estratégia a eleições. Ganhou as eleições e quando inicia a governação faz exactamente o contrário. Nada de novo! A argumentação usada para defender o incumprimento é a que foi apontada no parágrafo anterior. Em primeiro lugar, e no mandato anterior, com uma maioria absoluta confortável, o PS argumentava que as oposições eram irresponsáveis, que todas as forças que apontavam caminhos diferentes não tinham sentido de Estado. Desde sindicatos a associações profissionais, todos eram egoístas e irresponsáveis, querendo apenas o seu bem. Segundo os próprios, o governo altruísta, deveria combater estes interesses instalados a bem do interesse nacional, a bem do “Sentido de Estado”. Todas as promessas não cumpridas se deviam a alterações do quadro político, social e económico da Europa e do Mundo e portando nada tinham que ver com Portugal.
Hoje, em minoria, o governo do PS coloca em prática mais do mesmo. Não cumpre as promessas, governa contra a Constituição da República e transporta para a situação internacional a responsabilidade de faltar à palavra. Apela ao sentido de Estado e de responsabilidade dos portugueses prometendo o mesmo de sempre: no final deste caminho de tormentas vem a luz ao fundo do túnel. Só que este discurso já não pega. Foi utilizado muitas vezes!
O governo do PS está fragilizado pelo seu mau trabalho. Cada medida tomada surte sempre o efeito contrário e leva a economia real a afundar-se, o nível de vida dos portugueses a descer, e consequentemente a maiores assimetrias entre ricos e pobres. Por isso, e em minoria, tem agora necessidade de não hostilizar os sectores da sociedade portuguesa contando para isso com o PSD. Relembremos que ainda há pouco tempo que Passos Coelho era contra o aumento de impostos e que o considerava a pior opção governativa para Portugal. Relembremos também José Sócrates que não deixaria de lançar este ano nenhuma das grandes obras...
O PS e PSD argumentam hoje que este “roubo” aos trabalhadores e ao povo português é necessário e que é devido a uma alteração do quadro internacional, do qual os trabalhadores são apenas vítimas, e não culpados. PS e PSD apresentam o “roubo” como o único caminho para a “luz” e para o progresso, com sentido de estado e de responsabilidade.
PS e PSD seguem a cartilha.
É necessário que este processo seja desmontado. É urgente lutar contra esta política, com mais de 30 anos de destruição do aparelho produtivo e sobreposição dos interesses especulativos aos interesses da população. Os trabalhadores e o povo têm de ir à luta, melhor, têm de intensificar a luta, por Portugal e pelo interesse nacional. É necessário e urgente construir uma política “verdadeiramente” de verdade, que nos faça produzir riqueza e que estabeleça uma distribuição mais justa dos recursos.
Derrotar a política defendida e praticada por PS, PSD e CDS-PP é um acto patriótico e será o ponto de viragem na nossa história recente.
Exige-se responsabilidade. Eu acredito!

Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção