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Croatian RhapsodyPor Pedro Estadão
Barreiro

Penso que os Europeus ainda não estão preparados para uma Federação. Por mais que eu acredite na igualdade, fraternidade e solidariedade entre os homens, custa-me cada vez mais a acreditar que a maioria dos Europeus partilhe desta mesma receita.

A solução que a França tomou recentemente relativamente aos Ciganos de origem Romena foi apenas mais um dos factos que me confirmou o receio, que há bastante se vinha instalando em mim, de que a Federação Europeia se venha a tornar o catalisador das ideossincrasias xenófobas intra-continentais que falta para que se manifestem as atitudes que levaram aos mil anos de intermináveis guerras entre os povos da Europa que se seguiram à queda do Império Romano.

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Croatian Rhapsody Por Pedro Estadão Barreiro

Por Jornal Rostos

Descobri recentemente a música genial de um compositor chamado Tonci Huljic, apresentada de forma magistral por um pianista extraordinário chamado Maksim Mrvica. Não é música clássica, é Cross-Over, é moderno, quase radical e uma inspiração para estes tempos novos do milénio que estamos a iniciar e do qual estamos a terminar o primeiro centésimo. A história pessoal do pianista é comovente, tendo crescido no meio da guerra que assolou a antiga Federação Juguslava e que teve na sua cidade natal de Sibenik um dos principais palcos e cenário dos maiores bombardeamentos e barbaridades bélicas. Apesar de, ou devido a, três anos sob as bombas, Maksim não deixou de se converter num dos maiores artistas da actualidade e nos conseguir comover com exemplos de virtuosismo que estão acessíveis a quem quer que faça uma simples busca no youtube.

Esta introdução pode levar a pensar que no fim das férias, tendo regressado nostálgico, me vou dedicar a atacar os malefícios da guerra e a espicaçar os espíritos com o relato das atrocidades que se vão passando por este mundo fora. Não, nada disso. O que a música de Mrvica e Huljic me trouxe ao espírito foi a percepção da total incapacidade que tenho de perceber o futuro que quero para a Europa. E eu, sendo cidadão da Europa e, ainda por cima, não me considerando um dos mais ignorantes sobre a evolução política deste Continente nas últimas duas décadas, sinto-me perplexo com a dificuldade que tenho em assumir se defendo uma Federação ou uma União para a Europa.

Histórias como a da Jugoslávia e de outras federações que tentaram conjugar politicamente povos com origens culturais distintas, ao longo da história, acabaram mal por falta de espaço para que entidades culturais solidamente definidas fizessem o seu perurso lado a lado sem que uma delas eventualmente se considerasse dominante e a coisa acabasse por correr mal.

Sei que há quem não tenha dúvidas de que a Federação é o melhor caminho para a União Europeia, mas parece-me que nos falta a homogeneidade cultural, (ou de falta de definição cultural), dos Estados Unidos da América para que possamos replicar, neste Continente, com sucesso, uns Estados Unidos da Europa. O sonho musical de Beethoven de uma irmandade humana aparece-me contrastado pela Rapsódia Croata que nasce do fim da Jugoslávia.

Penso que os Europeus ainda não estão preparados para uma Federação. Por mais que eu acredite na igualdade, fraternidade e solidariedade entre os homens, custa-me cada vez mais a acreditar que a maioria dos Europeus partilhe desta mesma receita. A solução que a França tomou recentemente relativamente aos Ciganos de origem Romena foi apenas mais um dos factos que me confirmou o receio, que há bastante se vinha instalando em mim, de que a Federação Europeia se venha a tornar o catalisador das ideossincrasias xenófobas intra-continentais que falta para que se manifestem as atitudes que levaram aos mil anos de intermináveis guerras entre os povos da Europa que se seguiram à queda do Império Romano.

A pose dos iluminados que nos querem impor uma Federação a todo o custo, nem que seja de forma dissimulada aumenta ainda a minha preocupação, porque me parece que há quem queira fazer a coisa pela calada e sem ouvir os destinatários do sistema que querem implantar, parecendo que apenas se preocupam com a posição política de uma qualquer elite transnacional que vai depois reger todos os povos da Europa sob a bandeira da falta de representatividade e equidade.

Custa-me a entender que, não tendo o Euro sido até agora aceite como moeda única por todos os países que fazem parte da União, se procure fazer avançar o sistema político, através de estratagemas como o do Tratado de Lisboa, em direcção a uma federação não sufragada pelos cidadãos desta Europa que ainda vive episódios como os do País Basco e da Irlanda do Norte.

Enfim, vou continuar a ouvir o fantástico Croata, que aceito como irmão Europeu e a recusar-me a aderir ao acordo ortográfico Luso-Brasileiro, porque, como penso que Portugal não é o Brasil, também estou com dúvidas de que nós façamos, de facto, parte desta Europa a que nos estão a querer moldar.

Por favor ajudem-me a esclarecer a minha dúvida e lancem um debate alargado sobre a Federação/União Europeia, preciso de me sentir esclarecido, se há quem já esteja, por favor ajude-me.

Boa reentrada, (rentrée é francês),

Pedro Estadão

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