Temos todos de construir uma República em Portugal! Mas a sério!Por Nuno Banza
Barreiro

Por Jornal Rostos
Na semana em que se comemora a implantação da República em Portugal, gostava de vos falar um pouco de um assunto que 100 anos depois dessa implantação, continua por resolver no nosso país e por isso também na nossa cidade! O esforço dos portugueses que, com coragem e determinação, mudaram o regime em Portugal só foi possível porque um grupo de pessoas se fartaram da promiscuidade do estado, da corrupção, da pobreza e analfabetismo em que o povo português era mantido, ao mesmo tempo que um grupo de parasitas se aproveitava do seu trabalho para viver farta e abastadamente, passando os seus privilégios aos seus descendentes e protegidos, sem qualquer sentido de justiça. Este processo não começou no dia antes da implantação da República mas sim, muito antes se percebia já que Portugal trilhava um caminho pouco seguro. O regime democrático que decorre da implantação da República visava resolver estas disfunções e escolher um melhor caminho para o país. Esperava-se uma mudança radical na sociedade portuguesa! Com afirmação da liberdade política, em que a participação política dos cidadãos fosse o pilar central da democracia.
Em 1872, Eça de Queiroz escrevia o seguinte: “- E a que chama política, meu amigo? – A política é uma ocupação dos ociosos, uma ciência dos ignorantes, uma riqueza dos pobres, e uma fidalguia dos plebeus! – Reside em S. Bento… – Um santo do Calendário? – Uma instituição da Carta! Uma sala que a Carta instituiu para perpetuamente se discutir quem há-de organizar o País definitivamente! (…) – Portugal, meu caro, é um país que todos dizem que é rico, povoado por gente que todos sabem que é pobre.”
Hoje, Portugal goza de um regime político democrático estável, com políticos eleitos pelo povo e instituições que asseguram o regular funcionamento da República. Mas, estranhamente, há argumentos que ouvimos às pessoas na rua, nas conversas de café, e nos círculos de amigos, que são tão pouco actuais como o que vemos aqui! Algumas destas convicções não corresponderão à verdade, mas todos sabemos que há ainda muitas batalhas internas a travar! No país em que comemoramos 100 anos de regime republicano, como é que pode ainda haver tanto por fazer? Precisamos com urgência de fazer algumas mudanças a sério! Precisamos de acabar de vez com o facilitismo na educação! Precisamos de portugueses que saibam dominar perfeitamente a sua língua e expressar correctamente o que pensam e sentem! Precisamos acima de tudo de participação política! Sim, precisamos de envolver os portugueses na política. A política não pode ser deixada só aos políticos! Eles – onde me incluo com orgulho e honra – são apenas agentes de uma acção que deve visar o interesse público! A sua – nossa – acção deve ser acompanhada por todos e ajudada por todos! É muito importante que as pessoas queiram saber da política e dos partidos políticos. A nossa República e sistema democrático assentam em Partidos Políticos e por isso, é fundamental que todas as pessoas se mobilizem para participar activamente. Hoje em dia, quando convidamos alguém para ser militante de um partido, essa pessoa tem quase imediatamente uma reacção de repulsa, de rejeição e até muitas vezes de condenação pelo facto de existir essa forma de ligação aos partidos. Mas é preciso quebrar esta ideia errada e negativa quanto aos partidos! E a forma mais correcta de o fazer é ter dentro dos partidos políticos todos aqueles que se identificam com os seus ideais – e não com os protagonistas de circunstância que à altura lideram as suas estruturas locais ou nacionais! Quando todos tivermos envolvimento na política, quer local, quer nacional, não vai ser possível eleger Primeiros-Ministros que mentem quanto ao estado das contas públicas só para conseguir mais votos, não vai ser possível assentar a gestão do estado na subida de impostos sem cortar nas despesas e não vai sobretudo ser possível empobrecer o país e o seu povo, sem que este perceba e se revolte! Porque seja em Monarquia ou República, sem participação activa dos cidadãos, não temos nunca nem teremos um futuro sustentável e justo para o País! Mas participar dá trabalho e requer tempo e dedicação. É tal e qual como criar um filho! Não basta tê-lo – é preciso criá-lo e acarinhá-lo, dar-lhe educação, acompanhá-lo e investir do nosso tempo nesta tarefa. O seu sucesso dependerá sobretudo do nosso esforço! Por isso se queremos mesmo a sério ter um país, temos de participar na sua construção! Todos os dias, e não só no dia em que se assinala a implantação da República – seja lá o que isso hoje quiser dizer!
Nuno Banza,
Militante do Partido Social Democrata e Vereador Eleito na Câmara Municipal do Barreiro













