Falar verdade, mas sempre!Por Nuno Cavaco
Moita

Por Jornal Rostos
Na segunda-feira passada, os deputados do PS eleitos pelo Distrito de Setúbal, deslocaram-se ao nosso concelho. É sempre bom quando os eleitos estreitam a ligação com os cidadãos.
Também é especialmente bom quando os cidadãos exigem que se cumpram as promessas eleitorais.
Uma das ideias fortes do programa eleitoral do PS apresentado no Verão de 2009 era a redução das desigualdades. Na área da acção social, apontava como prioridade o apoio aos idosos, com o reforço do Complemento Solidário; as famílias que têm filhos no ensino secundário passariam a beneficiar de uma bolsa de estudos, equivalente ao dobro do abono de família. Algumas medidas de incentivo à natalidade, entre elas, a atribuição de 200 euros a cada bebé que nascesse (que funcionaria como um depósito a prazo e premiada com uma taxa de juro semelhante às de 2009, poupança jovem), e a ambição de duplicar as creches com horário alargado, em Lisboa e Porto, também foram prometidas. No programa eleitoral que o PS apresentou aos portugueses repete-se muitas vezes o apoio às famílias e o reforço da protecção social!
No programa eleitoral do Partido Socialista anunciava-se à boca cheia que com o Governo do PS reduziu-se o risco de pobreza em Portugal (de 19% em 2004 para 18% em 2007) e reduziram-se também as desigualdades sociais, apontando o caminho seguido como um caso de sucesso. Hoje, em 2011, o que tem o governo e o Partido Socialista a dizer sobre pobreza e desigualdades sociais?
Na área da educação, o programa eleitoral que o PS apresentou aos portugueses assenta na ideia-força de que era necessário mais e melhor educação para todos. Foram apresentados aos eleitores vários objectivos: a universalização da frequência da educação básica e secundária; a consolidação e o alargamento das oportunidades de qualificação certificada para os jovens e adultos; a continuação do desenvolvimento de programas de melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos; o reforço dos recursos e das condições de funcionamento; o papel e a autonomia das escolas e a valorização do trabalho e da profissão docente.
A minha última referência vai para a área laboral, onde se pode ler no seu Programa Eleitoral, que o PS tinha, e espero que continue a ter como desígnios, a elevação do salário mínimo nacional, o combate aos falsos recibos verdes e o combate à precariedade laboral, a efectividade da inserção social e profissional das famílias beneficiárias do rendimento social de inserção.
Como entendo que se deve falar verdade e sempre a verdade, espero que a visita dos deputados do PS ao Concelho da Moita seja para explicar o porquê de não cumprirem o prometido! Se o governo, os deputados do PS e os seus dirigentes afirmaram no passado, com tanta convicção, tanta coisa que depois não se concretizou, como poderemos saber se as promessas de futuro serão mesmo para cumprir? E as grandes obras prometidas, anunciadas com grande pompa e circunstância, como o Novo Aeroporto, a 3ª Travessia do Tejo e a plataforma logística do Poceirão, vão ou não para a frente? Afinal estão ou não apostados no desenvolvimento do “deserto”?
São temas actuais que nos interessam conhecer!
Localmente temos o velho problema. O PS apresentou-se a votos em 2009 com o lema: Sim, nós vamos fazer! Vou só fazer referência a uma das suas propostas: “Pugnar junto da respectiva tutela governamental e colaborar com a parte que compete à câmara, para reformular, melhorar e aumentar as instalações e capacidades de serviço que as unidades de Serviço de Saúde prestam às populações, com especial realce para os centros de saúde das vilas da Baixa da Banheira e de Alhos Vedros. Não basta reclamar em campanha eleitoral e junto da comunicação social local e em propaganda própria, é preciso ser actuante, reivindicador e intransigente”; Esta proposta é sistematicamente levada à Assembleia da Republica pelo PCP e é sistematicamente votada contra pelo PS. Os Srs. Deputados do PS eleitos pelo Distrito também deveriam explicar isto melhor e falar verdade!
À mulher de César não basta ser séria!
Por último e porque sou banheirense, é inadmissível que a Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, a Câmara Municipal da Moita e o Grupo Parlamentar do PCP continuem sem resposta a estas questões:
O Governo tem conhecimento que o posto de atendimento da segurança social na Baixa da Banheira continua encerrado?
Qual o motivo para a não abertura do posto de atendimento da segurança social?
Porque não foi dado os esclarecimentos solicitados pelas autarquias locais?
Porque não é dada uma informação à população da Baixa da Banheira?
Para quando está previsto a sua abertura?
É urgente resolver este problema de comunicação. A população da Freguesia da Baixa da Banheira merece respeito!
Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP













