Cara Paula PereiraPor Manuela Fonseca
Barreiro
“O país precisa de uma política alternativa, orientada para o desenvolvimento e crescimento económico, que recusa a recessão, o desemprego massivo, o aumento das desigualdades e o empobrecimento dos portugueses.”

Por Jornal Rostos
Li, cerca das dezoito horas e trinta minutos – antes, milhares e milhares de pessoas, cheias de fé em Deus, tinham-Lhe pedido, em Fátima, trabalho, menor sufoco económico e equilíbrio das finanças deste (que, de novo, teimam em fazer triste) País – o seu texto de Opinião, editado, no dia doze, ontem, em
www.jornaldobarreiro.com.pt/new.ph.p?category=7&id=2531, sob o título “Afinal não é assim tão mau! É pior!”, que absorvi, cheia de interesse e, confesso-lhe, revolta com o estado em que puseram Portugal.
(Claro que não foi “ninguém”, situação histórica entre nós.)
Gostei do tecido de palavras que elaborou mas o que mais me disse foi o penúltimo parágrafo, que tomo a liberdade de transcrever, na íntegra, e dá-lo, desculpe a presunção, a conhecer a outros mais, muitos mais, numa corrente de compreensão pelo que se passa, nesta casa, mal governada, e solidariedade para com os mais sacrificados:
“O país precisa de uma política alternativa, orientada para o desenvolvimento e crescimento económico, que recusa a recessão, o desemprego massivo, o aumento das desigualdades e o empobrecimento dos portugueses.”
E lembrei-me da jovem, formada na área de Humanidades, o estágio pós-licenciatura já feito, a quem um dia, no local onde laborava, já há meses, com um – óbvio – contrato provisório, em vez do trabalho de responsabilidade que lhe era, diariamente, atribuído, um director a chamou para lhe levar um café bem quentinho e a cavalheiros (?) com quem estava em reunião.
Certamente o homem ter-se-á levantado para fazê-lo ou ele e os outros ficaram sem a bica porque Maria – atribuo-lhe este nome – nada disse: pegou nos seus pertences e saiu para sempre daquele lugar onde tudo tinha começado bem, por um escasso período, antes da subversão de horário, não combinado com ela, cada vez mais horas a título gracioso, perante a sua revolta, silenciosa e desamparada.
Mas antes que passasse, definitivamente, à prática de fazer e servir cafés, teve a dignidade de, por certo, levar aquela gentalha a compreender que também tinha mãos.
Alguns meses depois, com um subsídio a que concorreu, montou a sua própria pequena empresa que não sobreviveu e a deixou endividada e, agora, cada vez mais aflita.
A servir de exemplo, como o “papão”, e parábola para os medrosos que apresentam o caso da rapariga aos filhos, sobrinhos e netos, sugerindo-lhes, coitados, que se moldem a tudo o que o patronato lhes disser, esquecidos de que, salazarista e humilhantemente, tal situação ainda cá acontecia, há poucas décadas.
Tentarem, os poderosos – para não usar a expressão popular “bichos graúdos” – que tais anormalidades voltem, anos e anos depois do 25 de Abril, não será uma doença chamada Prepotência, certamente a ser investigada por especialistas, de forma transdisciplinar?
E tratada, com urgência. Por nós. Seja a responsabilidade da má gestão, da ignorância, dos dinheiros roubados ou encapotados, seja do nepotismo ou da zona púbica, agora tão em voga.
Cara Paula Pereira, para terminar, afirmo-lhe, aqui – o que não me é habitual, embora factual – que a CDU pode contar com o meu voto.
Felicidades para si (e o nosso POVO).
Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos













