Acreditar nos portugueses e em Portugal!Por Nuno Cavaco
Moita

Por Jornal Rostos
A “crise” que sentimos tem responsáveis. Assistimos com a cumplicidade activa dos governos europeus, a uma transferência de capital dos estados para as instituições financeiras, a isso, alguns chamam de crise!
Uma transferência que é acompanhada por uma ofensiva brutal contra direitos sociais e económicos, que é imposta anti-democraticamente e que poupa claramente os responsáveis, que para além de não serem responsabilizados ainda aumentam os ganhos. A nossa soberania está em causa! PS, PSD e CDS, não têm programa eleitoral, apenas produzem um anexo, com uma outra medida, que irá acompanhar o programa de governo do FMI.
Mas por mais que não respondam, é necessário colocar algumas perguntas em cima da mesa.
A primeira é o que é que devemos? Não basta dizer que andámos todos a gastar demais, mesmo que só se aufira 500€ de salário ou 200€ de reforma. É preciso saber quem são os responsáveis por esta dívida e qual a dívida a pagar. Não temos de pagar o que não devemos! Os portugueses têm de se perguntar porque é que pagam algo que não devem e porque é que só alguns pagam. Por exemplo, apresentam-nos sacrifícios e dizem que são para todos, mas deixam as instituições financeiras de fora. Quais os sacrifícios impostos à banca, que lucra milhões por dia?
A segunda questão, assenta sobre a sustentabilidade do país. Se o nosso problema consiste num super endividamento, porque não produzimos, e porque compramos quase tudo o que consumimos lá fora? É preciso mais uma vez, identificar os responsáveis pelo caminho seguido e fazer um caminho inverso. Colocar Portugal a produzir, substituindo importações e equilibrando a nossa balança comercial.
Durante décadas, os sucessivos governos de PS, PSD e CDS-PP, apostaram no desmantelamento do aparelho produtivo, encerraram ou deixaram encerrar, por diversas vias, várias unidades produtivas. Praticamente acabaram com a agricultura e com as pescas, tornaram a indústria residual e apostaram, errada e unicamente, no turismo e nos serviços, entregando assim o país nas mãos de interesses estrangeiros.
Foi uma opção consciente, que agora pagamos com miséria e com desemprego.
Estes partidos, PS, PSD e CDS-PP, tentam agora apresentar uma cara lavada, apostando numa amnésia colectiva, como se nada tivesse que ver com eles. A responsabilidade está lá, nas suas mãos. E já diz o povo: que quem geralmente cria o problema, não pode certamente fazer parte da solução.
A terceira e última questão, prende-se com a necessidade de fazermos o que melhor sabemos fazer. De produzir e aproveitar as nossas potencialidades, valorizando o que de melhor temos! E o que de melhor temos, como é reconhecido em todo o lado, são as pessoas. Os nossos trabalhadores são dos melhores do mundo. Sabemos fazer, desde que haja para fazer. Devemos apostar na produção, na agricultura, nas pescas, na indústria, modernizando-as, investindo e reduzindo os custos de produção não ligados ao factor trabalho. A diminuição de custos com a energia e com os transportes, que podem ser diminuídos, tornariam a nossa economia mais competitiva e mais pujante! A solução que nos apresentam (sempre a mesma!!!), reduzir os salários, não é solução e sim um problema. A solução passa por Portugal a Produzir, criando riqueza, e por colocar essa riqueza aos serviço do povo português e de Portugal!
No dia 5 de Junho o que está em causa, não é a eleição de um 1º ministro, nem de um governo, mas sim de deputados. Os candidatos a deputados à Assembleia da Republica pela CDU assumem este compromisso patriótico e de esquerda. A nossa palavra conta! Na CDU cumprimos!
Estivemos lá, juntamente com o povo e com os trabalhadores, na luta pela defesa do Serviço Nacional de Saúde, pela Escola Pública, por mais segurança, por melhores transportes, na defesa da produção nacional, na defesa dos direitos fundamentais, por melhor qualidade de vida!
O nosso trabalho dá-nos esperança, o nosso povo dá-nos confiança!
Nós acreditamos nos portugueses e acreditar nos portugueses é acreditar em Portugal!
Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP













