Quem se preocupa com pequenos nadas?Por Jorge Fagundes
Barreiro
Se ainda fosse vivo e ao serviço camarário, de certeza que há meses teria assinalado que uma tampa de esgoto, em frente ao númerro 83, está uns centímetros mais alta do que o piso do passeio.

Por Jornal Rostos
Há já muitos anos, andava eu na Alfredo da Silva, morava no Alto do Seixalinho e ali conheci um senhor, Alfredo Bernardo de seu nome, que habitava no Bairro da Câmara e nesta trabalhava.
Julgo que se aposentou na categoria de Encarregado.
Muitos anos mais tarde, e por mero acaso, descobri na Câmara uns interessantes relatórios que diariamente eram feitos, por aquele funcionário, chamando a atenção para aparentes pequenos nadas.
Alguns exemplos, sempre com a indicação dos locais onde a anomalia se verificava: lâmpadas da iluminação pública apagadas, fugas de água, buracos nos passeios.
E por aí adiante.
Ora, hoje de manhã, assistindo a uma aparatosa queda dada por uma senhora de idade avançada, aqui bem no centro da cidade, na Avenida Alfredo da Silva, não é que me lembrei do senhor Bernardo?
Se ainda fosse vivo e ao serviço camarário, de certeza que há meses teria assinalado que uma tampa de esgoto, em frente ao númerro 83, está uns centímetros mais alta do que o piso do passeio.
Os tropeções e as quedas, naquele local, são frequentes, mas...quem se preocupa?
E já agora: há mais de um ano que teria mencionado uma fuga de água, da rede pública, na parede de um prédio devoluto muito perto do encontro das Ruas Serpa Pinto e Miguel Bombarda.
A água corre, dia e noite, e produz um pequeno regato que vai desaguar metros adiante.
E sendo a água um bem essencial, alguém se preocupa?
Resumindo: como uma voz da consciência, que o era, que falta nos faz o senhor Alfredo Bernardo!
Jorge Fagundes













