Exposição Antológica de José ManPor Manuela Fonseca
Barreiro
Man e a Geometria, única, que o acompanha, em pinceladas sóbrias e magistrais, em sequências de pinturas que nos fazem meditar, seriamente, na beleza da Vida e da Morte (?) e nos seus significados. Que, da mesma forma, no traz a História e a Filosofia da Arte – da Clássica à dos nossos dias.

Por Jornal Rostos
Recebi, há cerca de duas semanas, uma mensagem do pintor José Man, através dos CTT, que dizia assim:
“Cara amiga
Gostava imenso de te reencontrar nesta que é a maior exposição da minha carreira artística.
Aquele abraço do Man.”
O pintor também colocara no sobrescrito o convite, numa parceria da Câmara Municipal de Lisboa e da Sociedade Nacional de Belas-Artes (apelativo e conciso), para o “acto inaugural” da mostra, no dia vinte e sete do mês em curso com a seguinte referência:
“exposição antológica da obra do pintor Man comemorativa dos seus 52 anos de actividade artística”. (1)
Exemplar caminho de trabalho, arte, desporto, dedicação à família e amizade a muitas pessoas e instituições, o deste Homem que chega aos setenta com a jovialidade e a alegria com que, há perto de três décadas, o conheci e disso dei testemunho, aqui, em Fevereiro de 2009, no texto “José Man, o Pedagogo, o Artista e o Amigo” (2).
Como a Exposição é “no Salão Nobre da S.N.B.A.” (3), na “Rua Barata Salgueiro, n.º 36, 1250-044 Lisboa.” (4) e “estará patente ao público até 30 de Junho de segunda-feira a sábado (excepto feriados), das 14.00 às 20.00 horas” (5), exorto os leitores a uma ida a tão agradável espaço para estar com os quadros e as fotos de José Man que, como a maioria dos Barreirenses, teve origens no mundo dos que nasceram longe de privilégios e subiu, subiu a montanha da vida.
Pessoa de quem, aliás, o Barreiro deverá orgulhar-se por tê-lo acolhido, nos primórdios da vida como mestre de jovens, na Escola Secundária de Santo André, recordado, ainda hoje, por colegas como Maria Fernanda Rebelo Mendes, então minha inseparável amiga – como as pessoas deixam de se ver! – cujo comentário ao texto que aqui dediquei ao Man e atrás referi, só há dias, com muita pena, vi.
Ou Maria Helena de Sousa, há muito no citado estabelecimento de ensino, que, menina-feita-adulta-e-professora, apreciou este confrade na passagem de ambos pela Moita, onde exerceram actividade, na então Escola Preparatória D. Pedro II, ainda antes de a terem na nossa Cidade.
(Podem sentar-se, de vez em quando, e retomar, retemperados, a observação / emoção estética que Man nos oferece, qual deus Apolo, em partilha connosco, ele que tanto se dá e tanto nos tem dado.)
No Catálogo que acompanha, primorosamente, esta vida e esta Exposição, “Man: o Homem: 70.52 Anos” (6), Catarina Vaz Pinto transmite-nos, na qualidade de Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, no penúltimo parágrafo do seu escrito:
“José Man, que completa em 2011 o seu 70.º aniversário, é natural de uma das mais enigmáticas zonas de Lisboa (Mouraria). Com a presente retrospectiva, oferece à sua Cidade a possibilidade de um olhar distanciado sobre o seu já extenso e certamente invejável percurso; o percurso de um artista, gravador e pintor, que é também o de um professor dedicado, de um desportista determinado e de um incansável entusiasta pela divulgação das artes. Não só mas também, enquanto dirigente associativo, da arte dos outros.” (7)
Difícil deve ter sido elaborar esta Exposição, abrangente de tantas décadas, ligadas a um árduo labor – pictórico, na serigrafia, na litografia, e, também, ainda que em escala mais pequena, na fotografia – feito, maioritariamente, enquanto Man desempenhou várias profissões, a última e mais longa como professor, para a qual teve a sensibilidade, os saberes e essa outra arte, a de pedagogo, exigida pela docência. Nela também teve ensejo, de interpretar poemas e deles fazer espectáculos com grupos de discípulos, já no Concelho de Cascais, local último da peregrinação pelo País.
Alunos, declamadores ou não, que foram à inauguração e nela testemunharam enorme admiração por este homem invulgar.
Man e a Geometria (8), única, que o acompanha, em pinceladas sóbrias e magistrais, em sequências de pinturas que nos fazem meditar, seriamente, na beleza da Vida e da Morte (?) e nos seus significados. Que, da mesma forma, no traz a História e a Filosofia da Arte – da Clássica à dos nossos dias.
Que monta e desmonta figuras como se elas se movessem; que nos faz ver cores e materiais variados, quais caleidoscópios, que volta a temas iniciais e os aperfeiçoa, em “revisitações” que, actualmente, o absorvem e nos fazem admirar os pormenores das mesmas.
Simples, como são os cidadãos ilustres que moldam as nossas vidas, protector de animais, realça, ainda, a sua faceta de jornalista:
“Terminada a minha ligação à halterofilia, prossegui as minhas colaborações escritas em órgãos de informação dedicados ao atletismo, primeiro no ‘Jornal da Corrida’ de António Campos, em 1988, depois, e até á data, na revista ‘Spiridon’ do grande pioneiro entre nós, o Mário Machado, e ‘no Mundo da Corrida’ dirigido pelo António Manuel Fernandes. Artigos nos quais relato acontecimentos, enalteço companheiros ou alerto para situações com que discordo, tentando corrigi-las.” (9).
Escreve, na evocação do Outro, nos períodos iniciais do último parágrafo da “Nota Prévia” do citado Catálogo:
“Atingi já uma idade em que diversos acontecimentos da minha vida se passaram há muito tempo. Em que somei companheiros de jornada, em que ganhei um rol de amigos que contribuíram para que a minha vida se tornasse mais gratificante, adoçando as constantes dificuldades contra as quais tenho lutado, com maior ou menor denodo.” (10).
Entre os quais deve incluir-me porque me tem dedicado palavras, simpáticas e afectuosas, desde que mais tenho precisado delas.
E porque repetiu, na citada publicação, sob o nome de “Testemunhos”, (…), “De Meus Colegas Professores” (11), o tecido de palavras que, em 2003, produzi e intitulei “José Man: o Homem que Merece o Artista” que me tinha solicitado para o Catálogo “Man, um Percurso: 1959 / 2004”, em “Depoimentos” (12). Do qual retiro:
“Posso, para terminar este apontamento, citar, quase na íntegra (tenho que substituir um feminino por um masculino…), um poeta e (hoje) também artista plástico da minha cidade. Joaquim Pessoa, nas palavras que recriou para dedicar a Joan Baez:
‘Ficarias comprometido se dissesse que te amo?’ (13) e (14).
Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos
Referências
(1) [Convite para] o “acto inaugural da exposição antológica da obre do pintor Man (…). Lisboa, Câmara Municipal [e] Sociedade Nacional de Belas-Artes, [2011].
(2)“José Man, o Pedagogo, o Artista e o Amigo”. www.rostos.pt/definicoes/print.asp?ID=220172 , consultado em 27-05-2011, 2 pp.
(3), (4), (5), ob.cit. em (1).
(6) “Man: O Homem: 70.52 Anos”. Lisboa, Sociedade Nacional de Belas-Artes, 2011, 155 [+ 5] pp..
(7) Catarina Vaz Pinto, s/ título, id., p.7.
(8) Rui Mário Gonçalves, “A Geometria como Oráculo na Obra de Man”, id., pp. 8-11.
(9) José Man, “ A minha Vivência Jornalística”, id., p.123.
(10) Id., “Nota Prévia”, p. 4.
(11) Id., pp. 141-144.
(12) Man, um Percurso: 1959 /2004. Cascais, Fundação D. Luís I, 2004, 79 [+ 1] pp..
(13) Manuela Fonseca, id., p.67.
(14) Manuela Fonseca in “Man: o Homem: 70.52 Anos”, ob. cit, p.141.
“Cara amiga
Gostava imenso de te reencontrar nesta que é a maior exposição da minha carreira artística.
Aquele abraço do Man.”
O pintor também colocara no sobrescrito o convite, numa parceria da Câmara Municipal de Lisboa e da Sociedade Nacional de Belas-Artes (apelativo e conciso), para o “acto inaugural” da mostra, no dia vinte e sete do mês em curso com a seguinte referência:
“exposição antológica da obra do pintor Man comemorativa dos seus 52 anos de actividade artística”. (1)
Exemplar caminho de trabalho, arte, desporto, dedicação à família e amizade a muitas pessoas e instituições, o deste Homem que chega aos setenta com a jovialidade e a alegria com que, há perto de três décadas, o conheci e disso dei testemunho, aqui, em Fevereiro de 2009, no texto “José Man, o Pedagogo, o Artista e o Amigo” (2).
Como a Exposição é “no Salão Nobre da S.N.B.A.” (3), na “Rua Barata Salgueiro, n.º 36, 1250-044 Lisboa.” (4) e “estará patente ao público até 30 de Junho de segunda-feira a sábado (excepto feriados), das 14.00 às 20.00 horas” (5), exorto os leitores a uma ida a tão agradável espaço para estar com os quadros e as fotos de José Man que, como a maioria dos Barreirenses, teve origens no mundo dos que nasceram longe de privilégios e subiu, subiu a montanha da vida.
Pessoa de quem, aliás, o Barreiro deverá orgulhar-se por tê-lo acolhido, nos primórdios da vida como mestre de jovens, na Escola Secundária de Santo André, recordado, ainda hoje, por colegas como Maria Fernanda Rebelo Mendes, então minha inseparável amiga – como as pessoas deixam de se ver! – cujo comentário ao texto que aqui dediquei ao Man e atrás referi, só há dias, com muita pena, vi.
Ou Maria Helena de Sousa, há muito no citado estabelecimento de ensino, que, menina-feita-adulta-e-professora, apreciou este confrade na passagem de ambos pela Moita, onde exerceram actividade, na então Escola Preparatória D. Pedro II, ainda antes de a terem na nossa Cidade.
(Podem sentar-se, de vez em quando, e retomar, retemperados, a observação / emoção estética que Man nos oferece, qual deus Apolo, em partilha connosco, ele que tanto se dá e tanto nos tem dado.)
No Catálogo que acompanha, primorosamente, esta vida e esta Exposição, “Man: o Homem: 70.52 Anos” (6), Catarina Vaz Pinto transmite-nos, na qualidade de Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, no penúltimo parágrafo do seu escrito:
“José Man, que completa em 2011 o seu 70.º aniversário, é natural de uma das mais enigmáticas zonas de Lisboa (Mouraria). Com a presente retrospectiva, oferece à sua Cidade a possibilidade de um olhar distanciado sobre o seu já extenso e certamente invejável percurso; o percurso de um artista, gravador e pintor, que é também o de um professor dedicado, de um desportista determinado e de um incansável entusiasta pela divulgação das artes. Não só mas também, enquanto dirigente associativo, da arte dos outros.” (7)
Difícil deve ter sido elaborar esta Exposição, abrangente de tantas décadas, ligadas a um árduo labor – pictórico, na serigrafia, na litografia, e, também, ainda que em escala mais pequena, na fotografia – feito, maioritariamente, enquanto Man desempenhou várias profissões, a última e mais longa como professor, para a qual teve a sensibilidade, os saberes e essa outra arte, a de pedagogo, exigida pela docência. Nela também teve ensejo, de interpretar poemas e deles fazer espectáculos com grupos de discípulos, já no Concelho de Cascais, local último da peregrinação pelo País.
Alunos, declamadores ou não, que foram à inauguração e nela testemunharam enorme admiração por este homem invulgar.
Man e a Geometria (8), única, que o acompanha, em pinceladas sóbrias e magistrais, em sequências de pinturas que nos fazem meditar, seriamente, na beleza da Vida e da Morte (?) e nos seus significados. Que, da mesma forma, no traz a História e a Filosofia da Arte – da Clássica à dos nossos dias.
Que monta e desmonta figuras como se elas se movessem; que nos faz ver cores e materiais variados, quais caleidoscópios, que volta a temas iniciais e os aperfeiçoa, em “revisitações” que, actualmente, o absorvem e nos fazem admirar os pormenores das mesmas.
Simples, como são os cidadãos ilustres que moldam as nossas vidas, protector de animais, realça, ainda, a sua faceta de jornalista:
“Terminada a minha ligação à halterofilia, prossegui as minhas colaborações escritas em órgãos de informação dedicados ao atletismo, primeiro no ‘Jornal da Corrida’ de António Campos, em 1988, depois, e até á data, na revista ‘Spiridon’ do grande pioneiro entre nós, o Mário Machado, e ‘no Mundo da Corrida’ dirigido pelo António Manuel Fernandes. Artigos nos quais relato acontecimentos, enalteço companheiros ou alerto para situações com que discordo, tentando corrigi-las.” (9).
Escreve, na evocação do Outro, nos períodos iniciais do último parágrafo da “Nota Prévia” do citado Catálogo:
“Atingi já uma idade em que diversos acontecimentos da minha vida se passaram há muito tempo. Em que somei companheiros de jornada, em que ganhei um rol de amigos que contribuíram para que a minha vida se tornasse mais gratificante, adoçando as constantes dificuldades contra as quais tenho lutado, com maior ou menor denodo.” (10).
Entre os quais deve incluir-me porque me tem dedicado palavras, simpáticas e afectuosas, desde que mais tenho precisado delas.
E porque repetiu, na citada publicação, sob o nome de “Testemunhos”, (…), “De Meus Colegas Professores” (11), o tecido de palavras que, em 2003, produzi e intitulei “José Man: o Homem que Merece o Artista” que me tinha solicitado para o Catálogo “Man, um Percurso: 1959 / 2004”, em “Depoimentos” (12). Do qual retiro:
“Posso, para terminar este apontamento, citar, quase na íntegra (tenho que substituir um feminino por um masculino…), um poeta e (hoje) também artista plástico da minha cidade. Joaquim Pessoa, nas palavras que recriou para dedicar a Joan Baez:
‘Ficarias comprometido se dissesse que te amo?’ (13) e (14).
Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos
Referências
(1) [Convite para] o “acto inaugural da exposição antológica da obre do pintor Man (…). Lisboa, Câmara Municipal [e] Sociedade Nacional de Belas-Artes, [2011].
(2)“José Man, o Pedagogo, o Artista e o Amigo”. www.rostos.pt/definicoes/print.asp?ID=220172 , consultado em 27-05-2011, 2 pp.
(3), (4), (5), ob.cit. em (1).
(6) “Man: O Homem: 70.52 Anos”. Lisboa, Sociedade Nacional de Belas-Artes, 2011, 155 [+ 5] pp..
(7) Catarina Vaz Pinto, s/ título, id., p.7.
(8) Rui Mário Gonçalves, “A Geometria como Oráculo na Obra de Man”, id., pp. 8-11.
(9) José Man, “ A minha Vivência Jornalística”, id., p.123.
(10) Id., “Nota Prévia”, p. 4.
(11) Id., pp. 141-144.
(12) Man, um Percurso: 1959 /2004. Cascais, Fundação D. Luís I, 2004, 79 [+ 1] pp..
(13) Manuela Fonseca, id., p.67.
(14) Manuela Fonseca in “Man: o Homem: 70.52 Anos”, ob. cit, p.141.

Dois quadros de 2011, "Revisitações 11 e 12, em acrílico s/ tela, ambos c/ 60x120cm."
(Na Exposição e no Catálogo "Man, o Homem: 70.52 anos", p.104.)













