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Colunistas

Angela, os Clones e o Tio SamPor Manuela Fonseca
Barreiro

Como as esperanças em melhores dias foram as que me educaram e nelas eduquei os meus filhos, aguardo-as, fazendo o tal gesto de Bordalo, agora renovado e adequado à “crise”, em nova obra imaginava de Gente Portuguesa.
Que deverá ser oferecido (temos pouco, nesta Terra Pequena, mas somos generosos) à Angela, aos clones e ao Tio. Para que fiquem mais cultos.
E sorriam um pouco.

6 min de leitura
Angela, os Clones e o Tio Sam Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Angela, lá na Grande Terra, não parava; dava ordens, desfazia-as, voltava às mesmas, ameaçava, directamente ou não, os que viviam um pouco mais afastados e tinham metros quadrados e euros que, comparados com os da Grande Terra dela, eram poucos.
Os que geria andavam afadigados, dia e noite, escassos em sentimentos, alegria e solidariedade, ignorantes do verde da Irlanda, bem como do calor, do Sol, do prazer de banhos numa praia mediterrânica, de divertidos cruzeiros junto às rochas atlânticas do Sul da Europa.

Compatriotas da mulher quase parecidos com os avós, como se lera em personagens de um poema, inesquecível, de Natália Correia.
Avós, que, há décadas, perdida a alma, tinham feito, temerosa e obsessivamente, horas de labor, seguidas de horas de labor. Então bem mais graves (felizmente para os dias de hoje): alimentavam, a qualquer momento, a máquina de guerra e as taras assassinas de um pseudo-pintor e bandidos, iguais na perversão, que o seguiam na luta contra a Humanidade, vencedora, após milhões de mortes e muito sofrimento.
Que, ultrapassado o pesadelo nazi, viria, mais tarde, a desenvencilhar-se das ditaduras que subsistiam, teimosamente, na Europa.
Angela fora educada numa delas e habituada, bem cedo, à partilha a que era, verdade seja dita, estupidamente obrigada.
Mulher agora madura e que parecia inteligente, seria de crer que ajudaria a construir um Continente mais feliz.

Fez-se eleger. Não para coordenar os seus mas para lhes impor um uso de óculos esquisitos que só lhes permitiam ver os menos apossados de forma estreita, enquanto observavam os euros, muito euros, de maneira larga, num estranho mal, passível, certamente, de estudo científico muito sério e pluridisciplinar.

Numa arrogância a caminho da prepotência, a mulher começou a dar palpites contra as terras e gentes mais atrapalhadas, em reuniões de Governos Europeus, os dirigentes (mais maus do que o razoavelmente imaginado) das Terras Pequenas, clones de trazer por casa, caladinhos e servis nas absurdas exigências que ela ditava.

Vejamos os comportamentos dos cobardes: regressados aos seus territórios, transformavam-se em papagaios, curiosamente loquazes (outra situação para árduo estudo), nas obrigações de impostos e redução de regalias e actividade laboral contra os que teriam de defender, por função e patriotismo.
Regressados, abriam a boca até se ver a faringe e logo executavam a humilhação e roubo das poucas ou já poucas regalias dos que incomodavam cada vez mais.

Ordens contra as populações, só ordens contra as populações; nem uma palavra de Angela e Más Companhias Ilimitadas contra o capitalismo que sugava esforços e desejos de melhoria.
Apenas, “valentões das dúzias”, canalhas, o ruído contra os de menor – ou inexistente – conta bancária.

(Ia lá tal gentalha falar contra uma forma de exploração – cada vez mais antropófaga – que tanto jeito lhe dava?!
A fazê-lo, de onde chegariam as mordomias que a rodeavam, o célebre “tacho”?!)

As populações da Irlanda e do Sul da Europa eram agora consideradas preguiçosas pelos pouco esclarecidos (quem o diria?) súbditos de quem os traía, a toda a hora; os ouvidos cheios de disparates de Angela e comandita.

Cada vez mais esquecida dos princípios que devem nortear os cidadãos, sobretudo os de maiores responsabilidades sociais, a camarilha da “moeda única” entregara-se aos gestorezinhos de que se tinha feito acompanhar, transmutados em Midas de meia-tigela.

Deixara de se ouvir falar em Filosofia, Ética, Ciências, Artes; a Matemática, Economia, Finanças, Contabilidade, as Bolsas andavam pelas ruas da amargura com tanto paleio de quem só via para um lado (político, económico, social) e tirava regalias, salários, aumentava impostos a quem já estava exaurido.
Os pensadores e criadores precisavam de quem os interpretasse e seguisse ou o Mundo afogar-se-ia numa onda de ignorância pretensiosa, incompetência confrangedora, ideologia saloia.

Do outro lado do Atlântico, lá para os lados do Tio Sam, passava-se o mesmo. Quem já ajudara tantos passara a ser um mentiroso com cada vez maior número de promessas por cumprir.
Cada vez mais gente sem salário e sem tecto, na vastidão dos Estados Americanos e os eleitos presos a coisinhas ou expressões como “notoção financeira” – que tanto jeito lhes davam.
Para cúmulo, fora dito, as câmaras televisivas à frente, que aquele País não era Portugal.

Isto quase no momento em que, pelas suas bandas, se negociava e votava o aumento do tecto da dívida – gáudio instalado nos que lhe emprestavam dinheiro como, por exemplo, os ditadores, em outro lado do Planeta, mascarados de gente fina, democrática e moderna.

Na voragem que vai dando cabo dele (e de nós), o Tio até se esqueceu de uma das suas bandeiras, os Direitos Humanos, e pedinchava cada vez mais a quem subjugava o povo chinês.

(Para quê, a “gracinha”, parva, acerca de Portugal, afinal no mesmo barco do Tio? Quem se salvaria nele, bem pior do que a Arca de Noé?)

Fim da estória, continuação da História, o futuro a refazer injustiças:

A – Como as esperanças em melhores dias foram as que me educaram e nelas eduquei os meus filhos, aguardo-as, fazendo o tal gesto de Bordalo, agora renovado e adequado à “crise”, em nova obra imaginava de Gente Portuguesa.
Que deverá ser oferecido (temos pouco, nesta Terra Pequena, mas somos generosos) à Angela, aos clones e ao Tio. Para que fiquem mais cultos.
E sorriam um pouco.

B – Amante do Desporto, vou sonhar, a partir de um artigo do Sousa Pereira neste diário (1), com a minha Cidade, agraciada como Capital Nacional do Xadrez.
E sentar-me à frente do televisor a ver a “Volta”, como o faço com o “Tour”, mesmo quando estou em França.

C – Ainda hei-de ver muitas outras voltas.

Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos

Referências

(1) https://www.rostos.pt/inferencias/14175-diz-que-e-uma-especie-de-blogue-de-notas-do-barreiro, consultado em
2/8/2011.

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