Saltar para o conteúdo
Colunistas

É proíbido? Não se cumpre!Por Jorge Fagundes
Barreiro

Ora, aqui na nossa margem esquerda, desde que a maré o permita, são largas as centenas de indivíduos que, dia após dia, andam na apanha, maioritarimante, de ameijoas.
E alguns até já usam meios sofisticados para a recolha, desde os fatos térmicos até aos aparelhos individuais de arrasto.

2 min de leitura
É proíbido? Não se cumpre! Por Jorge Fagundes Barreiro

Por Jornal Rostos

Por razões, que a razão desconhece, os portugueses sofrem de uma especial alergia quanto ao cumprimento das normas legais, e não só.
Tudo o que se relacione com o verbo proibir é certo, e sabido, que provoca, de imediato, a vontade de incumprir.
Como é conhecido, até com honras de reportagens televisivas, está proíbida a apanha de bivalves no estuário do Tejo.
Ora, aqui na nossa margem esquerda, desde que a maré o permita, são largas as centenas de indivíduos que, dia após dia, andam na apanha, maioritarimante, de ameijoas.
E alguns até já usam meios sofisticados para a recolha, desde os fatos térmicos até aos aparelhos individuais de arrasto.
Esta manhã, no meu passeio de costume ao longo da Avenida da Praia, uma vez mais testemunhei o facto, mas com uma particularidade: havia apanhadores, de ambos os sexos, de etnia chinesa.
E como no meu tempo de escola primária aprendi a contar, logo nos primeiros dias de aulas, até cem (sem calculadora), voltei à meninice e...eram vinte e quatro.
Mas, estes, com uma boa desculpa no caso, mais do que improvável, de serem interpelados por alguém com competência na matéria (segundo consta altrapassa a dúzia as entidades abrangidas).
Na verdade, mesmo que não tivessem desaparecido, magicamente, os avisos da nossa Delegação de Saúde no respeitante à proibição da apanha de bivalves, estando os mesmos redigidos em português, como poderiam os chineses entender o que lá estava escrito?
Por outro lado, esta corrida à apanha das ameijoas veio dar razão aos defensores da livre concorrência. É certo que não resultou, por exemplo, na liberalização da venda de combustíveis, mas, neste caso concreto, sem necessidade de uma entidade reguladora, o preço de venda baixou bastante.
Segundo me informaram, as ameijoas estão cotadas, na origem, a dois euros por quilo, quando já o estiveram cinco vezes mais. Mas, pelos vistos, com saída garantida.
Será que as doses nos restaurantes (é evidente que nenhum deles as adquire) estão a acompanhar estas descidas?

Jorge Fagundes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção