«A Crise»Por Nuno Cavaco
Moita

Por Jornal Rostos
Há anos que nos dizem que estamos em crise. Nos dias de hoje, os governos nem avançam datas para o final da crise. Na apresentação que nos fazem traçam um quadro e apontam soluções - austeridade e mais austeridade – sem investimento, somam mais crise à crise.
Mas como é que a crise começou? Foi prevista? Foi provocada?
Desenvolveram-se várias teorias e todas chegam a uma mesma conclusão, ainda que não a explanem objetivamente. O sistema capitalista apresenta crises cíclicas resultantes da superprodução a que se segue a necessidade de criar “estímulos“ para se manter, de que são exemplo as guerras desencadeadas sobre países soberanos, ricos em matérias primas, petróleo e gás, como o Iraque, a Líbia, o Afeganistão …
Nos últimos anos as crises sucedem-se às crises o que é facilmente explicável por dois fatores. A desregulamentação do sistema, com a privatização de grande parte das ditas “funções do estado”, mesmo aquelas que pretensamente deveriam regular o “mercado”, acabam por “regular” os mecanismos de concentração da riqueza e poder nas mãos de poucos.
Aqui surge um dado curioso. Os comentadores e analistas do sistema, que defendiam na sua grande maioria menos estado e mais mercado, acabam por subscrever soluções de “mais estado” como se confirma com o apoio ao BPN de mais de 4 mil milhões de euros...
Por outro lado, não apresentaram qualquer previsão de crise e, esses mesmos comentadores continuaram o seu trabalho especializado traçando quadros de castratóficos e de inevitabilidades, cuja saída miraculosa são os aumentos de impostos e os cortes de serviços e apoios sociais.
Mas o que não previram provou que esses senhores não conheciam ou não queriam conhecer o sistema que comentavam ou avalizavam!
Desregulamentar o sistema e concentrar a riqueza e poder nas mãos de muito poucos, ao passo que estes poucos impõem uma vida de sacrifícios, de austeridade, uma vida sem perspetiva e sem futuro, aos trabalhadores e ao povo português.
Ao contrário do que disseram e dizem os partidos apoiantes da Tróika, PS, PSD e CDS, a crise não é sentida por todos e não se resolve com mais crise!
Nesta fase, assistimos ao asfixiar de países como a Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, por credores (privados com o apoio dos estados mais fortes como a Alemanha) que lhes impõem regras de pagamento que sabem que não vão conseguir cumprir, regras que impõem sacrifícios brutais aos povos, mas que deixam de fora os verdadeiros criadores da crise e que ainda lhe oferecem as chamadas oportunidades de negócio, Para o povo mais crise, para os criadores de crise mais vantagens e o consequente lucro!
Sem dúvida que a crise é provocada e que não acontece por acaso e num país como Portugal, onde os sucessivos governos abdicaram de produzir riqueza, estimulando o desmantelamento do tecido produtivo, a crise, sente-se muito mais. Se não produzimos dependemos do exterior!!!!
Por outro lado, o exterior, que é controlado por interesses particulares, os ditos mercados, não se preocupa com o estado de Portugal e sim, com os seus créditos e com o que podem ganhar com esta situação. Para alguns é a submissão do poder político ao poder económico!
A crise combate-se com moralização, com produção e com respeito pelos povos. Atacar os trabalhadores e os povos não é solução.
Desde o inicio da crise que o Partido Comunista Português vem propondo outro rumo, assente no progresso e na defesa dos interesses e direitos do povo português. Propôs a renegociação da dívida, estímulos ao crescimento económico e esteve na primeira linha na defesa do serviço público. O projeto e o caminho traçado pelo PCP para Portugal não é fácil, mas é justo e coloca no centro das suas preocupações os trabalhadores e o povo português.
Este é o único caminho possível!
Nuno Cavaco
Membro da DORS do PCP













