Saltar para o conteúdo
Colunistas

AnalogiasPor Nuno Banza
Barreiro

Para que se resolva um problema, ou pelo menos para que se comece a procurar uma solução, primeiro que tudo é preciso perceber que esse problema existe e é preciso conhecê-lo em todas as suas dimensões. Ninguém pode – nem tem isso como uma preocupação - resolver um problema que não conhece!

5 min de leitura
Analogias Por Nuno Banza Barreiro

Por Jornal Rostos

Ninguém recebe uma má notícia de boa vontade! Mas quando não se luta, perde-se sempre! Porque a vida vale a pena!
Para que se resolva um problema, ou pelo menos para que se comece a procurar uma solução, primeiro que tudo é preciso perceber que esse problema existe e é preciso conhecê-lo em todas as suas dimensões. Ninguém pode – nem tem isso como uma preocupação - resolver um problema que não conhece!
Sem grande dificuldade, sabemos que uma vida sem regras, repleta de abusos e vícios, com hábitos prejudiciais para a saúde, quer sejam eles de consumo, quer sejam eles de forma de vida, aumentam de forma séria e quase sempre impossível de contornar, o risco de sofrer de uma doença grave, de que é exemplo frequente a doença do foro oncológico, vulgarmente designada por cancro!
Não são raras as vezes que uma pessoa que sofre de cancro, só toma consciência desta realidade através da realização de análises ou outro tipo de exames, numa altura em que muitas vezes não tem ainda sintomas da doença. Essa tomada de consciência, começa normalmente por uma conversa difícil e muito marcante entre o doente e o médico, onde este último tem a difícil tarefa de consciencializar o doente para a grave situação em que este se encontra. Infelizmente, mesmo quando se conhece a provável origem do cancro e ela se refere aos hábitos, abusos ou vícios do doente, o conhecimento desta origem não chega para garantir o resultado final do processo de tratamento que se inicia. E por isso, como primeira medida que garante pelo menos que a situação em que o doente se encontra, não se agrava, é preciso corrigir os hábitos, eliminar os abusos e reduzir ou eliminar os vícios! Mas infelizmente, esta parte só, não chega. O médico ou médicos que assumem a responsabilidade de traçar um plano de intervenção e tratamento, elegem como objectivo principal e mais importante, salvar o doente e garantir a continuação da sua vida, nas melhores condições que lhe for possível, revertendo todas as perdas que este possa ter tido, fruto da doença, garantindo que o doente volta a ter uma vida saudável!
Porém, com a tomada de consciência da situação do doente, inicia-se um processo que é no fundo uma mistura de estudo aprofundado do problema e de tentativa de correcção do caminho que o doente vinha seguindo, debaixo da forte pressão provocada pela urgência do início do tratamento. Segue-se um processo sempre mais longo que o desejável, em que o médico define para o doente um plano de tratamento, e dá início urgente à sua aplicação, na tentativa de o salvar – tornando-se esta a prioridade máxima quer para o doente, quer para o médico que o acompanha! Infelizmente, muitos como eu conhecem ou até viveram o caminho que aqui descrevo – as tortuosas sessões de quimioterapia, a que se seguem intermináveis dias de sofrimento, a conhecida e estigmatizante queda de cabelo, as dolorosas queimaduras da pele provocadas pelas sessões de radioterapia e muitos outros sintomas, que representam muitas vezes para o doente um sofrimento bastante maior do que aquele que ele próprio alguma vez havia experimentado até então!
Se são legítimas as dúvidas que por vezes se levantam sobre o tratamento, como é natural duvidar dos caminhos difíceis e tortuosos, uma certeza não pode deixar de estar sempre presente – não se pode culpar o médico pela doença! Ele tem de ser visto no papel que ocupa – um parceiro de luta contra o problema e de procura da melhor solução!
Inevitavelmente, ao olhar para a situação do meu país, não consigo deixar de estabelecer aqui uma comparação natural! A declaração que o Primeiro-Ministro fez ao país na passada quinta-feira, assemelhou-se em muito à conversa entre o médico e o doente, onde se identificou sem dúvida a mesma dificuldade na comunicação das más notícias e com um conteúdo que deixou o país profundamente preocupado antevendo o caminho difícil que o espera – que nos espera a todos! Também, da mesma forma, se percebe que o tratamento trará muita dor e sofrimento, será longo e difícil e que levantará ao longo do tempo muitas dúvidas!
Mas também se percebe com facilidade que um país cheio de vícios e com maus hábitos precisa antes do mais, de mudar de vida! É isso que deve começar por ser feito! De forma tão urgente como essa mudança, é preciso iniciar o tratamento e começar a inverter o caminho que se sabe ser errado e sem um fim desejado! Para levar a bom porto este desafio, é necessário usar toda a energia disponível, por isso, Portugal não se pode dar ao luxo de alimentar guerras sociais e lutas intestinais inglórias que só trariam mais dor e sofrimento e em nada vão contribuir para encontrar a desejada solução! Precisa sim de ter um povo solidário com os mais desfavorecidos, orientar os seus esforços para a cura, avaliando naturalmente o caminho que vai fazendo ao longo do tempo. Porque o que está em causa e que nos deve unir é muito mais importante do que aquilo que nos separa.
Tal como um doente com cancro, o maior desejo de um país e do seu povo é ver erradicada a doença que o faz sofrer e que lhe pode tirar o futuro! É este o trabalho que espero do Governo! E cá estaremos para acompanhar de perto o caminho! Porque quer num caso quer noutro, a motivação e a orientação para a resolução do problema, é fundamental para encontrar a solução!

Nuno Banza

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção