Pastéis...há muitos!Por Jorge Fagundes
Barreiro
"Tens razão. Se há coisa que não nos falte, são os pastéis. Como diria o Vasco Santana, tirando o chapéu, pastéis...há muitos!"

Por Jornal Rostos
A meio da tarde passei por uma das concorridas esplanadas junto do Mercado Municipal e, como vem sendo hábito, lá estava o meu velho Amigo e Colega da Alfredo da Silva, absorto na leitura de um jornal diário.
"Boa tarde!"
"Boa tarde. Ainda bem que apareces para uma prosa. Senta-te!"
"Olha, olha! Com que então, a acompanhar a bica, um pastel de nata!"
"Não é muito vulgar da minha parte. Mas estes estavam cá com um aspecto! E não resisti à tentação"
"Tentação? Ou sugestão, via ministerial?"
"Deixa-te de tontices. O senhor ministro, a acreditar no que tem vindo a lume, até não mostrou saber grande coisa do assunto".
"Achas que não?"
"Apareceu logo um português, há anos estabelecido com um negócio de pastelaria em Londres a dizer, alto e bom som, que fabrica e vende daquele tipo de doçaria, aos milhares e, vê lá tu, utilizando mão de obra de pasteleiros portugueses. E mais, em Macau há um inglês que, há anos, e com olho para o negócio, desatou a fabricar e a vender, até para a China, os nossos pastéis de nata, mas sem canela".
"Pelos vistos, e aí o senhor ministro poderá ter razão, se bem aproveitadinha a idéia, estará aí um verdadeiro negócio da China!"
"Talvez, talvez. Mas, enquanto me deliciava com o pastel de nata, com canela e tudo, não é que me lembrei, olhando ali para a esquina, de um bolo barreirense dos tempos da nossa infância?"
"Essa agora. De momento só me lembro, e não era uma especialidade barreirense, do bolo de arroz, até por ser mais baratinho para as nossas minguadas bolsas".
"Recorda, homem, recorda! Então não te lembras dos famosos sebastiões do Lá Vai?"
"É verdade, é verdade! Famosos e saborosos, acompanhados daquele sumo de limão inventado pelo senhor Mário Rodrigues Solano, para a posteridade O Lá Vai".
" E a quem nós, rapazitos malandrecos, só para o fazer afinar - o que nem era difícil- mas mantendo uma respeitável distância, apelidávamos de lixívia".
"Outros tempos, outros tempos. E a receita dos sebastiões seguramente perdeu-se, assim se gorando a hipótese de os exportarmos por esse mundo fora, rivalizando e pedindo meças aos pastéis de nata e outros que tal".
"Tens razão. Se há coisa que não nos falte, são os pastéis. Como diria o Vasco Santana, tirando o chapéu, pastéis...há muitos!"
Jorge Fagundes













